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                        PATRIMÔNIO CULTURAL

Mestres, mestras e grupos de diferentes tradições culturais passam a integrar a política estadual de preservação, que garante bolsa vitalícia e atuação em ações de transmissão de saberes

O Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural (CEPPC) escolheu os 10 nos patrimônios vivos de Pernambuco

A lista dos novos Patrimônios Vivos de Pernambuco foi definida nesta quinta-feira (6), após deliberação do Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural (CEPPC).

Foram contemplados: Teco Agamenon, de Triunfo; o Terreiro de Mãe Amara, do Recife; Mestre João Paulo, de Nazaré da Mata; o Barracão Mãe Nadja, também da capital; o Gres Preto Velho, de Olinda; o Maracatu Cruzeiro do Forte, do Recife; Mestra Di, de Olinda; a Família Vitalino, de Caruaru; Mestre Zé Negão, de Camaragibe; e Juliana Pankararu, de Jatobá.

Com as novas escolhas, o Estado passa a contar com 125 Patrimônios Vivos reconhecidos oficialmente. A iniciativa contempla representantes de expressões como maracatu, coco, samba, religiosidades de matriz africana, medicina tradicional indígena e capoeira, entre outras manifestações que compõem o patrimônio imaterial pernambucano.

A entrega oficial dos títulos ocorrerá em 17 de agosto, durante a abertura da 19ª Semana Estadual do Patrimônio Cultural de Pernambuco, data em que também é celebrado o Dia do Patrimônio Cultural.

Segundo o presidente do CEPPC, Antiógenes Viana, a seleção foi precedida por uma análise criteriosa das candidaturas.

“Este processo envolveu a escuta dos candidatos e da comissão de pareceristas. Um exame detalhado de todas as candidaturas neste que é o concurso mais importante para a premiação da cultura popular de Pernambuco”, afirma.

Os contemplados passam a receber uma bolsa mensal vitalícia – atualmente fixada em R$ 2.479,41 para pessoas físicas e R$ 4.958,85 para grupos culturais – e assumem o compromisso de participar de atividades voltadas ao ensino e à difusão de seus conhecimentos, promovidas pelo Governo de Pernambuco por meio da Fundarpe e das secretarias estaduais de Cultura e Educação.

Para a presidente da Fundarpe, Renata Borba, o reconhecimento fortalece o papel dos detentores desses conhecimentos tradicionais na preservação da identidade cultural do Estado.

“Hoje é o dia que o Governo de Pernambuco reconhece, através do Conselho de Preservação do Patrimônio, os novos patrimônios vivos que passam, a partir de hoje, a ter esse papel de transmitir seus saberes e tradições. São mestras e mestres, grupos, que são notório saber nesses fazeres que falam da nossa identidade enquanto pernambucanos”, destaca.

A edição de 2026 registrou 205 inscrições, o maior número desde a criação do concurso, em 2002. A secretária interina de Cultura, Ana Paula Jardim, ressaltou a representatividade dos selecionados.

“Tivemos a honra hoje de estar na Casa dos Conselhos para esta votação, reconhecendo fazedores de cultura que representam manifestações da nossa cultura popular, valorizando saberes tradicionais de Pernambuco”, disse.

O vice-presidente do conselho, Elinildo Marinho, chamou atenção para a diversidade do grupo escolhido.

“Neste dia histórico em que deliberamos sobre os 10 novos Patrimônios Vivos, dentre eles duas mulheres de representações potentes nas tradições indígena e da capoeira. Temos terreiros, tanto religiosos quanto em suas representações, um de maracatu e outro da escola de samba. Este ano trouxemos um aquilombamento, uma pretitude para dentro desse contexto de todo o Estado de Pernambuco”, ressaltou.

O edital deste ano também incorporou medidas para ampliar a participação dos candidatos. Pela primeira vez, foi possível apresentar a inscrição em formato semi-oral, por meio de vídeo, dispensando a elaboração obrigatória de um texto escrito.

Além disso, a etapa de defesa das candidaturas pôde ser realizada presencialmente ou pela internet, conforme a preferência dos concorrentes.

Instituído há 24 anos, o título de Patrimônio Vivo é uma das principais políticas públicas de salvaguarda da cultura popular em Pernambuco.

Além do apoio financeiro, o programa busca assegurar que os conhecimentos acumulados por mestres, mestras e coletivos culturais sejam compartilhados com novas gerações, contribuindo para a continuidade das tradições que marcam a identidade do Estado.

Conheça os 10 novos Patrimônios Vivos de Pernambuco:

TECO DE AGAMENON – Início e Tradição: Agamenon Gonçalves Lima Filho, o Teco de Agamenon, é brincante e artesão da tradição do Careta em Triunfo-PE desde 1965 (quando tinha 8 anos). Aprendeu na prática a confeccionar máscaras, chapéus, relhos e vestimentas com os mais velhos.

Ensino e Oficinas: Dedica sua vida a repassar esse saber cultural para crianças e jovens em seu quintal, escolas e projetos. Expandiu sua atuação para outros municípios e estados (como no Ceará, em parceria com o SESC), além de expor e comercializar suas peças em feiras de artesanato local.

FAMÍLIA VITALINO – Linhagem e Tradição: O grupo é formado por descendentes diretos de Mestre Vitalino, com foco na linhagem de seu filho, Severino Vitalino. Há mais de 60 anos, atuam no Alto do Moura (Caruaru-PE) e mantêm há 54 anos suas atividades na mesma residência e oficina histórica.

Domínio do Saber-Fazer (“Escola Vitalina”): Atualmente na quarta e quinta gerações, a família preserva todo o ciclo produtivo da arte figurativa em argila (extração, preparo do barro, modelagem, paleta de cores tradicional e queima), retratando o cotidiano e a cultura do povo agrestino.

MESTRE ZÉ NEGÃO – Origem e Formação: Nascido José Manoel dos Santos em 1950, de ascendência negra e indígena, trabalhou desde a infância no corte de cana. Iniciou sua vivência na cultura popular aos 13 anos, passando por folguedos, escolas de samba, Cavalo Marinho, ciranda e coco de roda.Guardião do Coco de Senzala: Como Mestre, preserva o Coco de Senzala, manifestação afro-indígena com ritmo e cadência ancestral dos engenhos. Cria composições autorais inspiradas em sonhos e registradas por sua companheira, Mestra Fátima, abordando a luta contra o racismo e o trabalho na terra.

Ações Comunitárias e o Projeto LAIA: Radicado em Camaragibe-PE desde 1978, fundou o Projeto Negão (1994) e o Laboratório de Intervenções Artísticas – Laia (2003). Atuou ativamente no desenvolvimento do Loteamento João Paulo II, articulando desde mutirões para moradia e saúde até a criação do espaço cultural Canto das Memórias.

JULIANA PANKARARU – Identidade e Origem: Indicada pelo Grupo Curumim Gestação e Parto, Juliana Maria da Silva (Juliana Pankararu) é uma mulher indígena de 52 anos, residente no Território Indígena Aldeia Saco dos Barros, em Jatobá (Sertão de Pernambuco).

Saberes Ancestrais e Medicina Tradicional Indígena: Atua como mendeira (benzedeira), raizeira e parteira tradicional. Aprendeu por meio da oralidade com sua mãe, avó e tias, utilizando plantas do território indígena para chás, banhos e garrafadas.

MESTRA DI – Origem e Identidade: Nascida em Olinda (PE) em 1973, Adriana Luz do Nascimento (Mestra Di) é uma mulher afroindígena e periférica, mãe de duas filhas e com uma trajetória marcada pelo frevo (onde foi aluna do Mestre Nascimento do Passo) e pela capoeira.

Carreira na Capoeira: Iniciou suas práticas aos 13 anos (1985) no Centro de Capoeira Angola Mãe sob o ensino de Mestre Sapo. Formou-se Contramestra em2011 e foi diplomada e reconhecida internacionalmente como Mestra de Capoeira Angola em 2016 e 2019.

Pionorismo Internacional e Atuação: Em 1997, tornou-se a primeira mulher brasileira a lecionar Capoeira Angola na Europa, lecionando por anos na Alemanha e na Itália antes de retornar ao Brasil em 2004 para atuar em eventos e projetos voltados a mulheres capoeiristas.

MARACATU CRUZEIRO DO FORTE – Origem e Fundação: Fundado em 1929 no bairro dos Torrões (zona oeste do Recife), o grupo surgiu espontaneamente do convívio de trabalhadores rurais da Zona da Mata Norte. Com quase um século de atuação, é uma referência histórica do Maracatu de Baque Solto no ambiente urbano.

Sede e Ação Sociocultural: Atualmente localizado no bairro do Cordeiro, o grupo desenvolve um trabalho sociocultural focado na formação de artesãos. Ensina jovens e adultos a bordar e confeccionar os figurinos, adereços e golas tradicionais, capacitando membros da comunidade para o mercado de trabalho.

GRES PRETO VELHO – Origem e Identidade: Fundado em 24 de dezembro de 1974 pela tradicional Família Lobo e por lideranças como Mestre Zuza, o Preto Velho fica no Sítio Histórico de Olinda (Alto da Sé). É a única escola de samba em atividade contínua no município, representando mais de 50 anos de afirmação do samba e das tradições afro-brasileiras na cidade.

Formação e Transmissão de Saberes: Funciona como um espaço comunitário de ensino contínuo de percussão, dança, confecção artesanal de indumentárias e gestão cultural. A famosa “Bateria Nota 10” é o principal símbolo desse processo educativo que envolve crianças, jovens e adultos, principalmente em ensaios e oficinas aos domingos.

BARRACÃO DE MÃE NADJA – Origem e Identidade: Fundado em 1996 no bairro do Ibura (Recife) por Mametu Baléginam Nadja de Angola Goméia, o Terreiro Kaiangu Kia Itembu (Abassá Axé Oyá Balé Omim) é um centro sagrado do Candomblé de Nação Angola (matriz Bantu). Atua como um espaço de resistência, fé, apoio social e memória ancestral para a comunidade periférica local.

Metodologia de “Escola Viva”: O terreiro funciona como uma escola viva de formação comunitária. A transmissão do conhecimento ocorre na prática diária e no convívio intergeracional por meio da oralidade, observação, repetição ritual e mutirões.

MESTRE JOÃO PAULO – Trajetória e Título: Nascido em Vicência e radicado em Nazaré da Mata (Mata Norte de PE), Mestre João Paulo tem mais de 40 anos dedicados ao Maracatu de Baque Solto (Maracatu Rural). Ficou popularmente conhecido como o “Papa do Maracatu” após o lançamento de seu primeiro CD em 2002, sendo reconhecido como um dos maiores poetas e mestres de sua geração.

Mestria e Transmissão de Saberes: É fundador, presidente e mestre do Maracatu Leão Misterioso (criado em 1990). Ensina de forma oral e prática a novos brincantes tanto a poética (versos, rimas e improvisos) quanto o artesanato e adereços (confecção de golas, chapéus, surrões e guiadas). Serviu de inspiração e formação para diversos outros mestres da cultura popular.

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Aniversário de Fernando de Noronha: 8 curiosidades sobre o mundo submerso da ilha

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Autores do projeto Panorâmicas de Noronha, os fotógrafos subaquáticos Fabi Fregonesi e Raphael Gatti revelam por que o arquipélago vai muito além das praias paradisíacas e atrai turistas do mundo inteiro

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São Paulo, agosto de 2026 — Nessa segunda-feira, dia 10 de agosto, Fernando de Noronha celebra mais um aniversário como um dos destinos naturais mais emblemáticos do Brasil — e o momento coincide com um cenário de valorização crescente do turismo em áreas protegidas. Segundo estudo apresentado pelo ICMBio e pelo Ministério do Turismo, as Unidades de Conservação federais movimentaram R$ 40,7 bilhões na economia brasileira em 2025, reforçando a importância de conciliar visitação, conservação e educação ambiental.

Tudo sobre Fernando de Noronha: Guia Completo para sua viagem | IDM

Dentre as regiões protegidas, Fernando de Noronha é uma das que mais desperta fascínio em pesquisadores, mergulhadores e viajantes. É o que ressaltam Fabi Fregonesi e Raphael Gatti, fotógrafos subaquáticos e idealizadores do projeto Panorâmicas de Noronha.

Fernando de Noronha - Passion Brazil

O projeto documentou 16 cartões-postais submersos utilizando uma técnica que une de três a mais de 24 fotografias para formar uma única imagem panorâmica. Pela primeira vez, diversos pontos de mergulho do arquipélago foram registrados nesse formato, entre eles a Corveta Ipiranga, um dos naufrágios mais famosos do Brasil. As imagens revelam a verdadeira dimensão dos ambientes marinhos e mostram uma face pouco conhecida de Noronha, que vai além das fotografias tradicionais.

Segundo Fabi, a ideia nasceu da percepção de que fotografias convencionais não conseguiam transmitir a grandiosidade dos cenários submarinos. “A panorâmica foi a forma que encontramos de respeitar a escala do oceano e registrar esse território como ele realmente é: grandioso, complexo, vivo e impossível de ser reduzido a um único enquadramento”. Raphael complementa que o trabalho exigiu meses de estudo, planejamento e extrema precisão durante os mergulhos, especialmente nos pontos mais profundos.

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Tendo em mente tudo que o público geral ainda pode descobrir sobre Fernando de Noronha, Fabi e Raphael reuniram algumas curiosidades sobre o mundo submerso do arquipélago. Confira:

1. Fernando de Noronha é apenas a ponta de uma enorme montanha vulcânica submersa

Muito além das praias paradisíacas, Fernando de Noronha é apenas a parte visível de uma cadeia de montanhas vulcânicas que emerge do Atlântico Sul. Abaixo da superfície, paredões, cânions e formações rochosas continuam por dezenas de metros, formando uma paisagem que poucos visitantes conhecem.

Graças à transparência da água, que pode chegar a cerca de 50 metros de visibilidade horizontal, em alguns mergulhos é possível observar boa parte dessas estruturas de uma só vez.

Fernando de Noronha é o local com maior nível de ocupação do país, aponta IBGE | G1

“O Panorâmicas de Noronha foi o primeiro projeto a registrar sistematicamente essas formações na sua escala real, por dentro d’água. As fotografias panorâmicas permitem mostrar a dimensão desse ambiente de uma forma que uma imagem convencional simplesmente não consegue”, explica Fabi Fregonesi.

2. Encontrar tubarões durante um mergulho em Noronha é mais comum (e seguro) do que muita gente imagina

Ao contrário do que muitos imaginam, avistar tubarões faz parte da rotina de quem mergulha em Fernando de Noronha. O arquipélago abriga diversas espécies, entre elas o tubarão-lixa, o tubarão-de-recife e o tubarão-limão. Entre junho e setembro, os tubarões-lixa costumam se reunir na região para reprodução.

Segundo os fotógrafos, essa presença não representa um perigo para quem pratica mergulho de forma responsável. Pelo contrário: é um dos maiores indicadores da excelente saúde ambiental do arquipélago.

“Em um ambiente equilibrado e de águas claras como Fernando de Noronha, mergulhar com tubarões é muito mais seguro do que o imaginário coletivo sugere. Quando há tubarões no topo da cadeia alimentar, significa que todo o ecossistema está funcionando em equilíbrio. Encontrá-los em Noronha é um privilégio e um sinal de que aquele ambiente continua extremamente preservado”, afirma Raphael.

3. A rocha que afundou um navio de guerra permanece escondida sob o mar

Pouca gente sabe que um dos pontos de mergulho mais famosos de Noronha foi cenário de um acidente histórico. O Cabeço da Sapata é uma montanha submarina com mais de 40 metros de altura que, nas marés baixas, chega a ficar a menos de dois metros da superfície. Por isso, praticamente desaparece para quem observa o mar ou consulta mapas turísticos da ilha.

Foi justamente essa formação rochosa que provocou o naufrágio da Corveta Ipiranga, da Marinha do Brasil, em outubro de 1983.

“Foi uma das panorâmicas que mais nos impressionou, porque conseguiu revelar praticamente toda a extensão do Cabeço da Sapata. Só com esse tipo de registro conseguimos mostrar a verdadeira dimensão da formação rochosa”, comenta Raphael Gatti.

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4. Um navio de guerra da Marinha brasileira dorme a 62 metros de profundidade, e está praticamente intacto

Após colidir com o Cabeço da Sapata, a Corveta Ipiranga (V-17) afundou em posição de navegação e permanece até hoje a cerca de 62 metros de profundidade.

Graças às condições do arquipélago e ao trabalho de preservação realizado pelas operadoras de mergulho locais, a embarcação conserva praticamente toda a sua estrutura original e se tornou um dos naufrágios mais emblemáticos do Brasil.

Fernando de Noronha (archipel) — Wikipédia

“Quando registramos a Corveta inteira em uma única panorâmica, conseguimos mostrar, pela primeira vez, sua verdadeira dimensão. É um patrimônio histórico submerso e um dos mergulhos mais fascinantes do país”, afirma Fabi.

5. As tartarugas marinhas têm verdadeiros “salões de beleza” no fundo do mar

Em diversos recifes de Fernando de Noronha existem as chamadas estações de limpeza, locais onde tartarugas, peixes e outros animais marinhos fazem uma espécie de “sessão de higiene”.

Pequenos peixes removem parasitas e algas da carapaça, das nadadeiras e da pele das tartarugas, em uma relação natural de benefício mútuo que ajuda a manter a saúde dos animais.

“É um comportamento fascinante de observar. Quem mergulha em Noronha percebe que o oceano funciona como um ecossistema extremamente organizado, onde diferentes espécies colaboram entre si”, explica Fabi.

6. No fundo do mar existe uma formação rochosa que parece ter saído de um filme de aventura

As Pedras Secas são um dos pontos de mergulho mais famosos do Brasil: um labirinto de cânions, grutas, túneis e arcos formados ao longo de milhões de anos pela erosão do mar sobre rochas vulcânicas. O que poucos sabem é que, em Pedras Secas II, existe uma formação curiosa que os mergulhadores locais batizaram de Caveirão.

O nome surgiu porque o conjunto de rochas lembra uma enorme caveira, com duas aberturas que parecem órbitas e um contorno facilmente reconhecido pelo olhar humano. Apesar de ser conhecido entre mergulhadores, o Caveirão não aparece em mapas oficiais do arquipélago.

“É uma formação que surpreende porque parece esculpida por alguém, quando, na verdade, foi criada exclusivamente pela ação do oceano ao longo de milhões de anos”, comenta Raphael.

7. Fernando de Noronha é um dos melhores lugares no Brasil para mergulho e fotografia subaquática

Graças às águas quentes, que permanecem entre 26°C e 29°C ao longo do ano, e à excelente visibilidade submarina, que pode ultrapassar os 40 metros e chegar a cerca de 50 metros em determinadas épocas, Fernando de Noronha é considerado um dos melhores destinos do Brasil para mergulho e fotografia subaquática.

As condições permitem observar tartarugas, tubarões, arraias, grandes cardumes, naufrágios e formações vulcânicas com riqueza de detalhes, atraindo mergulhadores e fotógrafos de todo o Brasil e também do exterior.

“A qualidade da água faz toda a diferença para o nosso trabalho. Em alguns mergulhos conseguimos enxergar estruturas inteiras e registrar paisagens que dificilmente seriam possíveis em outros lugares. É um cenário privilegiado tanto para quem mergulha quanto para quem fotografa”, destaca Raphael.

8. Fernando de Noronha funciona como um verdadeiro laboratório vivo de conservação marinha

Além de ser um dos principais destinos de mergulho do Brasil, Noronha também concentra alguns dos mais importantes projetos científicos dedicados à conservação dos oceanos.

O Projeto TAMAR atua desde 1984 na proteção das tartarugas marinhas. O Projeto Golfinho Rotador acompanha uma das populações de golfinhos mais estudadas do planeta, enquanto o Projeto Tubarões e Raias de Noronha monitora diversas espécies por meio de transmissores acústicos e rastreamento via satélite.

“Noronha impressiona porque reúne turismo, pesquisa científica e conservação em um mesmo lugar. Cada mergulho revela um ambiente que vem sendo estudado e protegido há décadas”, afirma Fabi.

Mobilização nas redes sociais para dar visibilidade à chapa da governadora Raquel Lyra

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Aliados correm contra o tempo e usam cards, vídeos, músicas para mostrar quem está na disputa

A chapa majoritária governista: Túlio Gadêlha, Raquel Lyra, Priscila Krause e Eduardo da Fonte

A menos de dois meses da eleição, uma enxurrada de vídeos e cards invadiu as redes sociais para cravar a chapa completa da governadora Raquel Lyra (PSD).

A mobilização partiu de todas as regiões de Pernambuco, engajando prefeitos, deputados e outros líderes, incluindo gestores que já haviam manifestado apoio ao senador Humberto Costa (PT), como Pedro Freitas, de Aliança.

As publicações reúnem Raquel Lyra, a vice Priscila Krause (PSD) e os candidatos ao Senado Eduardo da Fonte (PP) e Túlio Gadêlha (PSD). A ofensiva digital atende a propósitos estratégicos.

O primeiro é sinalizar prestígio a Túlio Gadêlha,  que na quarta estava irritado com a ausência de um posicionamento conjunto.  Prefeitos geraram para ele conteúdos exclusivos e o vídeo coletivo “Tô com Túlio”.

A jogada serve ainda para a governadora virar a página e pacificar a aliança com a Federação União Progressista, que na disputa entre o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho e o deputado Eduardo da Fonte escolheu o parlamentar.

Além disso, não bastava à gestora dizer em entrevista à CNN que Mendonça Filho (PL) é candidato avulso ao Senado. Antipetista, o deputado defende Flávio Bolsonaro para presidente. Mantê-lo no palanque enfraqueceria o tom lulista construído com a presença de Túlio Gadêlha.

Ao ocupar o ambiente digital de forma orquestrada, Raquel Lyra tenta dissipar boatos. O tempo da pré-campanha deu lugar à ação. Nem tudo foi do jeito que ela queria, mas o bloco está na rua com a estrutura que conseguiu construir, pronta para transformar articulação política em voto.

Longe das arengas
À Rádio Grande Serra, em Araripina, a candidata ao Senado Marília Arraes disse que no grupo “não há lugar para arenga”. Em nota, evitou comentar a decisão do presidente da Alepe, Álvaro Porto, de não mais apoiá-la. Alegou acordos não cumpridos. “Quando um não quer, dois não brigam. É um direito dele. Faz parte da democracia.”

Chega Junto dez vezes
A 10ª edição do “Chega Junto Pernambuco”, programa de escuta para ajudar a elaborar as propostas de governo de João Campos, será  neste sábado, em Carpina, Mata Norte. Mais de 30 mil sugestões já foram colhidas, presencialmente e online, e 170, registradas.

Contra a agonia
O prefeito de Belo Jardim, Gilvandro Estrela, faz evento hoje à tarde para anunciar que seu deputado federal, Mendonça Filho, agora é candidato ao Senado. O espólio será para Augusto Coutinho reduzir a agonia na reeleição. A dobradinha será com Débora Almeida.

Relato das ações
Um site vai apresentar, a partir da próxima semana, as cidades contempladas com ações do mandato do senador Humberto Costa. “Nossa candidatura está crescendo a olhos vistos”, disse, apontando ser necessário ajudar Pernambuco e o governo Lula.

Informações da ´Folha de Pernambuco´

Quando a vida lhe dá de presente um pai que é um verdadeiro herói, as páginas do destino ganham novas cores e significados.

Raquel filia ao PSD dois prefeitos e um ex-prefeito, que deixam partido da base de João Campos e fortalecem projeto de reeleição

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Nessa sexta-feira (7), três importantes lideranças políticas se filiaram ao Partido Social Democrático (PSD), maior legenda de Pernambuco. Os prefeitos Cloves Ramos (Afrânio) e Otávio Pedrosa (Bodocó), e o ex-prefeito Rafael Cavalcanti (Afrânio) deixam partido da base de João Campos e se somam à sigla da governadora e candidata à reeleição, Raquel Lyra, que conduziu as articulações.

“Nosso time só aumenta, e todos têm o mesmo objetivo, que é continuar levando Pernambuco ao lugar de protagonismo que merecemos. Sou grata a Otávio, Cloves e Rafael, que se juntam ao nosso time e representam um grupo fundamental no Sertão. Vamos continuar dialogando e construindo pontes com as lideranças que verdadeiramente querem o melhor para a nossa população”, destacou a gestora.

Para o prefeito de Bodocó, a renovação do apoio de todo o grupo, que vem desde o segundo turno de 2022, se justifica pelo ritmo de entregas e ações que vão do Litoral ao Sertão do Estado. “Raquel é uma mulher forte e tem uma trajetória inspiradora. Esse apoio se deve muito ao trabalho que ela fez não só por Bodocó, mas por todo o Estado. Nossa população viu muitos sonhos saírem do papel”, afirmou Otávio.

Já o prefeito de Afrânio disse que a população relata as melhorias em diversas áreas, e a condução de seu grupo político vai de encontro a esse sentimento. “Nosso apoio não podia ser outro. Raquel tem uma visão de cuidado por todos os municípios de Pernambuco, e com Afrânio não está sendo diferente. A população traz esse sentimento claro de mudança, de que muita coisa está melhorando em relação à segurança, educação e, principalmente, abastecimento d’água”, ressaltou.

Rafael Cavalcanti, ex-prefeito de Afrânio, por sua vez, avaliou que Raquel tem destravado entregas que eram sonhos para a população do município. “Para muitos, Afrânio é o último município de Pernambuco antes do estado do Piauí. Para nós, é o primeiro, e a governadora tem nos atendido com esse olhar. Conseguimos encaminhar a resolução para um problema de abastecimento na nossa cidade, além de tantas outras mudanças em estradas, assistência e educação”, pontuou.

Eleições 2026: Pedido de registro de candidatura de Lucas Ramos à reeleição para a Câmara dos Deputados é protocolado na Justiça Eleitoral

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O sistema de Divulgação de Candidaturas e Contas Eleitorais (DivulgaCandContas), do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), formalizou a solicitação do pedido de registro de candidatura do deputado federal Lucas Ramos (PSB), que disputa a renovação do seu mandato em Brasília nas Eleições 2026. Concorrendo sob o número 4011, o parlamentar firma a sua postulação para seguir representando Pernambuco na Câmara dos Deputados.

A apresentação do pedido à Justiça Eleitoral consolida uma jornada política marcada por uma representatividade abrangente no estado. Com histórico de três mandatos públicos — acumulando duas passagens pela Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) e a firme atuação no Congresso Nacional, em Brasília, Lucas Ramos chega a mais uma campanha sustentado por uma presença forte de entregas e marcante prestígio administrativo.

Ao longo dos seus mandatos, a articulação do parlamentar ganhou tração em diversas regiões: a partir de Petrolina, no Sertão do São Francisco, atuando em todo estado, assegurando parcerias cruciais com prefeitos, vereadores, lideranças políticas e comunitárias. Mais recentemente, o grupo de apoio ao deputado se fortaleceu muito com o reforço do vereador licenciado e secretário de direitos humanos e juventude do Recife, Marco Aurélio Filho, que garantiu a ampliação do trabalho do parlamentar na capital pernambucana. A atuação de Lucas Ramos garantiu investimentos emblemáticos para o estado, a exemplo dos recursos federais viabilizados em parceria com o Governo Federal para as obras da BR-423, no Agreste, além da construção de Unidades Básicas de Saúde e também de Centros de Atenção Psicossocial em vários municípios.

Conforme consta na plataforma oficial do TSE, a solicitação encontra-se sob pedido de deferimento, na situação “aguardando julgamento”, rito habitual de análise documental pela Justiça Eleitoral antes da apreciação final do registro.

Com a numeração oficial 4011 definida e o projeto devidamente protocolado, Lucas Ramos avança para o período de campanha posicionado entre os nomes mais estruturados do PSB pernambucano, projetando a continuidade de suas ações voltadas ao desenvolvimento regional, fortalecimento da infraestrutura e expansão de serviços públicos fundamentais.(Ascom)

Com Raquel, Pernambuco avança na habitação e já beneficia 26,5 mil famílias com o ´Morar Bem` – Entrada Garantida

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Fazer da casa própria uma realidade para milhares de pernambucanos tem sido uma das prioridades da gestão da governadora Raquel Lyra (PSD), candidata à reeleição ao Governo de Pernambuco. Desde o início da sua gestão, cerca de 26,5 mil famílias já foram contempladas pelo programa Morar Bem Pernambuco – Entrada Garantida, iniciativa que garante um subsídio de R$ 20 mil para facilitar o acesso ao primeiro imóvel e reduzir um dos principais obstáculos enfrentados por quem sonha em sair do aluguel: o pagamento da entrada.

Nessa quarta-feira (5), mais um importante passo foi dado com a entrega de 133 unidades habitacionais do Condomínio Jardim  Monjope II, em Igarassu, na Região Metropolitana do Recife. O empreendimento atende famílias com renda mensal de até dois salários mínimos e recebeu um aporte de R$ 2,6 milhões, por meio do Entrada Garantida.

“Vamos seguir trabalhando para ampliar o acesso à moradia e garantir mais dignidade ao nosso povo. O Entrada Garantida é uma política habitacional de verdade, que permite que quem ganha até dois salários mínimos realize o sonho da casa própria. Ver milhares de famílias pernambucanas realizando esse sonho nos dá a certeza de que estamos no caminho certo, transformando a vida das pessoas com trabalho, compromisso e cuidado com quem mais precisa”, afirmou Raquel.

Com a entrega das 133 novas unidades habitacionais, o Condomínio Jardim Monjope avança em sua implantação. Na primeira etapa, 190 famílias já haviam sido contempladas e, em breve, outras 128 também receberão as chaves da casa própria, totalizando 451 moradias.

Lei Maria da Penha completa 20 anos entre avanços e desafios

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Especialistas apontam obstáculos para efetivar proteção às mulheres

São Paulo (SP), 07/12/2015 - Ato nacional pelo fim da violência contra as mulheres, com o tema Basta de feminicídio. Queremos as mulheres vivas!, na Avenida Paulista. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Há exatos 20 anos, era sancionada a Lei Maria da Penha, um dos principais marcos no combate à violência contra as mulheres no Brasil. Ao definir a violência doméstica, a lei nº 11.340/2006 enfrentou à naturalização das agressões que aconteciam, em geral, entre quatro paredes. Embora o país tenha alcançado avanços importantes a partir dessa lei, ainda há desafios como a subnotificação, a dificuldade no acesso à Justiça e os altos índices de feminicídio. Só em 2025, foram 1.568 mulheres vítimas de feminicídio no Brasil, um crescimento de 4,7% em relação ao ano anterior. Desde a tipificação desse crime, em março de 2015, ao menos 13.703 mulheres já foram assassinadas por sua condição de ser mulher. Os dados são do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

Para a advogada Luciane Mezarobba, que atende exclusivamente mulheres, a Lei Maria da Penha é uma ferramenta avançada de enfrentamento à violência. “Ela elevou o combate à violência contra a mulher, nos âmbitos familiares, doméstico e amoroso, a um problema público, superando aquela velha e obtusa máxima de que ‘em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher’.” 

A lei reconheceu ainda que essa violência não é apenas física, ela pode ser psicológica, sexual, patrimonial, moral e vicária. “Com isso, condutas até então normalizadas e mesmo socialmente aceitas, como constranger, humilhar, manipular, ridicularizar, insultar e explorar, inclusive financeiramente a mulher, nos contextos doméstico, amoroso e familiar, constituem violência e serão punidas”, disse Luciane, em entrevista à Agência Brasil.

Ela mencionou que a lei seguiu sendo aprimorada ao longo dos anos. A violência vicária, por exemplo, foi incluída na lei em 2026. Ela acontece quando o agressor utiliza terceiros — como filhos, familiares ou pessoas da rede de apoio — a fim de atingir a vítima. “São avanços consistentes e que seguramente já salvaram muitas vidas, apesar dos terríveis números de feminicídio e violência contra a mulher que nos assombram diariamente.”

Para a socióloga e cientista política Bruna Camilo, uma das principais contribuições de uma lei é dar nome àquilo que está acontecendo. “Antes da lei, era uma agressão como qualquer outra. As mulheres não tinham a quem recorrer nem ao que recorrer. Elas achavam que era o destino delas, era uma naturalização absurda da violência contra as mulheres”, disse.

Ela ressaltou que não basta a existência da lei, é preciso que ela seja aplicada em todo o sistema de justiça. “Se [as disposições] fossem todas seguidas, certamente seria uma lei extremamente forte no nosso país. Ela é muito importante, é inegável, traz um norte para o nosso país, só que infelizmente ela não é cumprida em todo o seu teor.”

Descumprimento de medida protetiva

O sistema de proteção à mulher falhou no caso de Júlia*, que denunciou uma agressão do ex-companheiro e pai de seu filho. Acompanhada pela Defensoria Pública no processo de pensão e guarda, a vítima solicitou também a medida protetiva de urgência contra o agressor, o que foi concedido pela Justiça paulista. No entanto, a aplicação desse dispositivo da lei nunca aconteceu.

“A medida de manter o ex-companheiro longe acaba não sendo monitorada de forma alguma. Não é só comigo. Várias mulheres pedem a medida protetiva, ela é registrada, só que ela não é praticada”, relatou Júlia.

O limite mínimo de distância fixado pelo juiz, em que o agressor fica proibido de ultrapassar em relação à vítima, não foi cumprido. Isso porque o agressor morava há menos de 1 quilômetro de Júlia e fazia trajetos pelo bairro em que passava em frente à casa da vítima com frequência, mesmo sabendo que ele precisava manter distância.

“Ninguém fiscaliza, ninguém faz nada, é como se não tivesse [a medida protetiva]. Tanto que eu até larguei de mão, por mais que ele tenha me ameaçado e tudo mais, eu larguei de mão porque não adianta. E aí eu estou correndo só com a [ação de] pensão mesmo”, acrescentou Júlia.

No primeiro semestre desse ano, houve descumprimento de 13.301 medidas protetivas de urgência no estado de São Paulo. O resultado representa um aumento de 18,7% em relação ao mesmo período de 2025, quando 11.209 medidas foram descumpridas. Os dados são da Secretaria da Segurança Pública do estado (SSP).

Um desses casos levou ao feminicídio de Carla Carolina Miranda da Silva, esfaqueada pelo agressor em via pública, na capital paulista, em janeiro deste ano. A vítima já havia denunciado o agressor por violência doméstica e tinha medida protetiva determinando que ele não se aproximasse.

Desafios para aplicação da lei

Bruna Camilo avalia que as medidas para o combate à violência doméstica vão além da sanção da lei. Segundo ela, as delegacias precisam acolher as mulheres de forma que se sintam seguras para denunciar. Além disso, juízes e promotores devem considerar que a punição da violência doméstica é importante e não pode ser minimizada.

“Nossa sociedade é patriarcal, ela é construída [com base] na misoginia e no machismo. A sociedade precisa se reeducar em relação à violência contra as mulheres. Então, muita coisa tem que melhorar”, disse Bruna, em relação aos desafios para o combate à violência doméstica.

Um caso de grande repercussão, exemplo do machismo e da misoginia, foi o atropelamento de Tainara Souza Santos, arrastada – presa embaixo do veículo – por cerca de um quilômetro na Marginal Tietê, em novembro do ano passado. Na ocasião, a vítima teve as pernas severamente mutiladas. Ela chegou a ser socorrida, passou por cirurgias, mas morreu na noite de 24 de dezembro, aos 31 anos, deixando dois filhos.

De acordo com a investigação, a vítima teve um relacionamento breve com o autor da agressão, que não aceitou o término. Segundo o delegado do caso, na ocasião, havia “sensação de posse, em um total desprezo à condição de gênero e de mulher, autêntica tentativa de feminicídio”. https://istoedinheiro.com.br/mulher-arrastada-foi-vitima-de-tentativa-de-feminicidio-diz-delegado [não encontrei o link da minha matéria na abr, apenas as republicações]

A advogada Luciane avalia que a lei está bem assimilada e absorvida na rotina forense. No entanto, um desafio para a aplicação da lei é a grande demanda diante de um sistema sobrecarregado. “Vejo os atores jurídicos ocupados, em regra, em viabilizar sua efetivação, com o acolhimento às vítimas e a punição aos agressores”, relatou.

“Todavia, não é raro encontrar equipamentos públicos desatualizados, desequipados, com poucos funcionários, e alguns deles sem a sensibilidade e o preparo necessários. Há um volume grande de trabalho e um contingente insuficiente para atendê-lo”, ponderou Luciane.

A advogada relatou que uma cliente recentemente passou pelo constrangimento de aguardar por cinco horas para ser ouvida sobre uma denúncia. “[Esse tempo todo] vendo outras mulheres em situação de extremo sofrimento e desespero chegando, o que a fez, inclusive, minimizar a própria dor e violência que sofreu.”

Quem é Maria da Penha?

Ativista pelos direitos da mulher, Maria da Penha Maia Fernandes deu nome à lei que criou mecanismos para combater a violência doméstica e familiar, da qual ela foi vítima. Em 1983, Maria da Penha sofreu dupla tentativa de feminicídio por parte do marido, Marco Antonio Heredia Viveros.

Primeiro, ele deu um tiro pelas costas enquanto ela dormia, o que a deixou paraplégica. O agressor declarou à polícia, na época, que teria sido uma tentativa de assalto, versão que foi posteriormente desmentida pela perícia. Quatro meses depois, quando ela voltou para casa após cirurgias e tratamento, o agressor a manteve em cárcere privado por 15 dias e tentou eletrocutá-la durante o banho.

Apesar de dois julgamentos, em 1991 e 1996, e duas sentenças, o criminoso seguiu em liberdade. Em 1998, o caso ganhou uma dimensão internacional com uma denúncia na Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (CIDH/OEA).

Em 2001, após receber quatro ofícios da comissão, o Estado brasileiro foi responsabilizado por negligência, omissão e tolerância em relação à violência doméstica praticada contra as mulheres. Uma das recomendações era completar, rápida e efetivamente, o processamento penal do responsável pela agressão.

Viveros foi preso em 29 de outubro de 2002 em Natal. Em março de 2004, ele conseguiu ir para o regime semiaberto e, em fevereiro de 2007, conseguiu a liberdade condicional, segundo informações do Ministério Público do Ceará.

Violência digital

A violência digital, que tem ganhado maior alcance com a tecnologia, pode ser entendida como uma extensão da violência contra as mulheres. As agressões que estavam concentradas “entre quatro paredes” tomaram também as redes sociais e podem acontecer por meio de mensagens por aplicativo. O objetivo, no entanto, é o mesmo: intimidar, humilhar, ameaçar ou controlar as mulheres.

“A violência digital pode sim ser enquadrada na Lei Maria da Penha, porque existe ali a violência moral, que fere a dignidade da mulher, embora já tenha alguns projetos de lei e algumas leis que falem sobre segurança digital e punição de pessoas que cometem violência digital contra mulheres”, afirmou a cientista política Bruna Camilo .

Ela citou a Lei Lola, a Lei Carolina Dieckmann e o ECA digital. Este último não trata de mulheres especificamente, mas de crianças, e isso envolve meninas. “Já existem iniciativas importantes, mas a gente precisa da aplicabilidade dessas leis, para que a gente consiga iniciar a mudança cultural da nossa sociedade.” (Ascom)

Prefeitura de Juazeiro realiza ´Passeio Ciclístico` em comemoração ao Dia dos Pais neste domingo (9)

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A Prefeitura de Juazeiro, por meio da Secretaria de Cultura, Turismo e Esportes (Seculte), em parceria com a Associação de Moradores do bairro Tabuleiro, realiza neste domingo (9) o Passeio Ciclístico do Dia dos Pais. A concentração será às 7h, na Associação de Moradores do bairro Tabuleiro, de onde os participantes sairão para percorrer ruas e avenidas da cidade.

As inscrições são gratuitas e podem ser feitas presencialmente até o dia 8 de agosto na Associação de Moradores do bairro Tabuleiro. Ao todo, estão disponíveis 200 vagas. No ato da inscrição, os interessados deverão entregar 1 kg de alimento não perecível, que será destinado ao projeto Juazeiro Sem Fome.

O percurso terá início na Associação de Moradores do bairro Tabuleiro, seguindo pela rotatória em direção ao Marco Zero, Avenida Paulo Rios Campelo, Avenida Flaviano Guimarães, Orla da cidade, , Avenida Carmela Dutra, Estádio Adauto Moraes, Travessa da Maravilha, Rua 1 do bairro Alto da Maravilha, Ginásio de Esportes, Avenida Luiz Viana, retornando pela Avenida Paulo Rios Campelo até a Associação de Moradores do bairro Tabuleiro.

As inscrições podem ser realizadas em dois locais: na Seculte, das 9h às 13h, e na Associação de Moradores do bairro Tabuleiro, das 19h às 21h.

O Passeio Ciclístico do Dia dos Pais integra a programação comemorativa da data e promove um momento de lazer, convivência e incentivo à prática esportiva, reunindo famílias e ciclistas em um percurso pelas principais vias de Juazeiro.

Ascom PMJ

Organização criminosa investigada por tráfico de drogas e homicídios é alvo de operação em Petrolina

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Operação Compressão cumpriu oito mandados de prisão e 18 de busca e apreensão na manhã desta quarta-feira (26); grupo é apontado pela Polícia Civil como integrante do Bonde do Maluco

Organização criminosa investigada por tráfico de drogas e homicídios é alvo de operação em Petrolina (Ascom/PCPE)

Uma organização criminosa investigada por envolvimento com tráfico de drogas e homicídios em Petrolina, no Sertão de Pernambuco, foi alvo da Operação 

Compressão, deflagrada pela Polícia Civil de Pernambuco na manhã desta quarta-feira (26). Ao todo, estão sendo cumpridos oito mandados de prisão e 18 mandados de busca e apreensão domiciliar, expedidos pela 1ª Vara Criminal da Comarca de Petrolina.

De acordo com a Polícia Civil, as investigações começaram em março deste ano e busca desarticular o grupo, apontado pela corporação como integrantes do BDM (Bonde do Maluco), organização criminosa com atuação estruturada no município e com atividades relacionadas ao tráfico de drogas e à prática de crimes violentos, especialmente homicídios.

As investigações tiveram o apoio da Diretoria de Inteligência da Polícia Civil (DINTEL/PCPE). A ação também conta com a participação da Polícia Militar de Pernambuco (PMPE), do Grupamento Tático Aéreo (GTA/SDS-PE) e da Polícia Civil da Bahia (PCBA).

El Niño em PE exige repensar gado no semiárido e pode atrasar plantio, diz especialista

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El Niño deve aumentar pressão sobre o Rio São Francisco, afetando produção de alimentos em Pernambuco

Eduardo Assad, professor da FGV/Marília Parente/DP

SÃO PAULO – A chegada do El Niño no segundo semestre deste ano deve prolongar a estiagem no Semiárido pernambucano, aumentar a pressão sobre o Rio São Francisco e exigir mudanças na forma como o Estado produz alimentos e administra seus recursos hídricos. O alerta é do cientista e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) Eduardo Assad, um dos principais especialistas brasileiros em mudanças climáticas e agricultura, que defende que Pernambuco acelere medidas de adaptação para reduzir os impactos sobre a economia e a população.

Em entrevista ao Diario de Pernambuco, durante o evento Impactos Sociais e Econômicos do Clima no Brasil, promovido pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS), em São Paulo, Assad afirmou que o principal efeito esperado para o Nordeste é o prolongamento da seca. “Pode ter estiagem, ao longo de todo o São Francisco, porque ele corta o semiárido. Isso pode comprometer a produção da uva em novembro”, explica.

Evento climático cíclico e irregular, o El Niño é causado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Tropical, que altera os padrões de vento e chuva em escalas globais. Em consequência das mudanças climáticas e do aquecimento global, sua versão em 2026 é aguardada com preocupação pelos especialistas, com exacerbação das secas no semiárido e aumento das chuvas no litoral.

De acordo com Assad, em 2026, o El Niño deve atingir seu pico no mês de outubro. Para o pesquisador, o atraso da produção agrícola na região pode mitigar os efeitos do fenômeno. “Se o produtor tiver irrigação, pode mudar o calendário da produção, segurar um pouco para novembro ou dezembro, até que o rio possa se recompor. Se não tiver, vai acabar perdendo”, lamenta Assad.

Ele defende, contudo, que é necessário investir na recuperação das matas de galeria (ou ciliares) no entorno do curso do rio, desde sua nascente em Minas Gerais até a foz, reduzindo processos de degradação e ajudando a preservar a disponibilidade hídrica. “Não adianta fazer isso só em Petrolina. Se isso não acontecer, vamos perder o rio”, alerta.

A ampliação de políticas de economia hídrica também é essencial para o estado. “É preciso investir em cisternas e tecnologias voltadas para o armazenamento de água para os pequenos produtores”, completa.

Pecuária em xeque

De acordo com Assad, a redução da disponibilidade de água também preocupa a bovinocultura, já que a dessedentação (saciar a sede) animal é responsável por um dos maiores consumos de água do país. “Um boi bebe 10 litros de água por dia. Será que esse animal é realmente adaptado ao semiárido?”, questiona.

Em 2013, diante de uma das piores secas dos últimos 40 anos, o prolongamento da estiagem em Pernambuco, fez com que produtores do estado perdessem mais de 960 mil cabeças de gado, somando animais mortos, precocemente abatidos, retirados do estado e vendidos. “Por outro lado, caprinos e ovinos são naturalmente mais adaptados às condições da caatinga e podem representar uma alternativa mais resiliente diante da escassez hídrica”, destaca.

Para Assad, essa adaptação pode ser seguida pelo setor agrícola do estado, com espécies adaptadas à caatinga, como umbu, seriguela, cajá e cajá-manga, que continuam sendo exploradas principalmente por meio do extrativismo, quando poderiam dar origem a cadeias produtivas mais estruturadas. “São produções que precisam ser expandidas porque geram renda para o pequeno produtor e são naturalmente resistentes ao clima local”, conclui. (Diário de Pernambuco)

Negócios iFood e Caixa fecham parceria para facilitar crédito para motos e bikes elétricas à entregadores

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Trabalhadores poderão compartilhar histórico de ganhos na plataforma para auxiliar análise de crédito na compra de veículos

Segundo o iFood, a medida busca reduzir uma das principais barreiras enfrentadas por esses profissionais para contratação de financiamentos de longo prazo

O iFood e a Caixa Econômica Federal anunciaram hoje uma parceria para ampliar o acesso de entregadores a crédito para compra de motocicletas e bicicletas elétricas.

A iniciativa cria um novo mecanismo de comprovação de ganhos para esse grupo, além de condições de financiamento com juros reduzidos.[

Por meio desse mecanismo, trabalhadores elegíveis poderão autorizar o compartilhamento do histórico de ganhos e o engajamento registrado na plataforma para ajudar na análise de crédito realizada pela Caixa.

Segundo o iFood, a medida busca reduzir uma das principais barreiras enfrentadas por esses profissionais para contratação de financiamentos de longo prazo: comprovar sua capacidade financeira pelos modelos tradicionais.

— Ao transformar a experiência e os dados desses profissionais em uma ponte para o crédito, em parceria com a Caixa, ajudamos a superar uma barreira histórica e facilitamos o caminho para quem deseja investir em um veículo próprio, ampliar sua autonomia e fortalecer sua atividade profissional — diz Luana Ozemela, CSO e vice-presidente de Impacto e Sustentabilidade do iFood.

A iniciativa foi lançada durante a operação do programa Move Brasil, que oferece condições específicas para o financiamento de veículos novos para esse público. Segundo o iFood, a parceria utiliza o programa como uma das ações para ampliar o acesso ao crédito, mas vai além dele:

“Trata-se de uma parceria de longo prazo, com potencial para desenvolver novas soluções financeiras para os entregadores. Dessa forma, mesmo que o Move Brasil tenha vigência limitada, a parceria entre iFood e Caixa seguirá ativa, sempre respeitando os critérios de concessão, análise de crédito e políticas da Caixa Econômica Federal”, declarou o iFood, em nota.

Como solicitar
Os entregadores já podem solicitar o financiamento pelos canais da Caixa, inclusive por meio de análise digital. Ao autorizar o compartilhamento de informações — esse passo é feito com o banco — , o iFood enviará à instituição financeira o histórico de ganhos registrado na plataforma para subsidiar a análise de crédito. Para dar início ao processo, basta acessar um link exclusivo.

Manoel Ventura: Governo avalia rever exigência de CNPJ e nota fiscal para ‘nanoempreendedor’ diante de risco político

O iFood destaca que caberá exclusivamente à Caixa definir os critérios de elegibilidade, realizar a análise de crédito, aprovar as propostas e formalizar os contratos de financiamento, de acordo com suas políticas internas.

As empresas também informaram que fornecerão materiais educativos com orientações sobre o uso consciente do crédito e informações sobre o processo de contratação do financiamento.

Por Agência O Globo