Pais estão escolhendo escolas como escolhem investimentos
Cresce a procura por escolas que unem idioma, competências socioemocionais e preparação para um mundo sem fronteiras
Durante décadas, a escolha da escola esteve diretamente ligada a fatores como localização, tradição e desempenho acadêmico. Mas o perfil das famílias brasileiras vem mudando. Hoje, pais e responsáveis buscam instituições capazes de preparar crianças e adolescentes não apenas para provas e vestibulares, mas para um cenário global, onde habilidades como comunicação, competências socioemocionais, liderança, criatividade e adaptação cultural ganham cada vez mais relevância.
Essa transformação no comportamento das famílias impulsiona o avanço de modelos educacionais que combinam excelência acadêmica, ensino de idiomas e formação integral. Entre eles estão as escolas interculturais, que têm como proposta ampliar a visão de mundo dos estudantes desde os primeiros anos de formação.
No Brasil, o investimento público médio na educação básica é de cerca de R$ 12,5 mil por aluno ao ano, segundo o Anuário Brasileiro da Educação Básica 2024. Já no setor privado, os valores variam amplamente conforme o tipo de escola, podendo ultrapassar R$ 5 mil mensais em instituições bilíngues e de padrão internacional. Nesse contexto, a educação se consolida como uma das principais decisões de longo prazo no orçamento das famílias, mais associada a planejamento e formação do que a um custo pontual.
“Os pais perceberam que a escola precisa preparar seus filhos para desafios que vão além do conteúdo tradicional. O mundo mudou, o mercado de trabalho mudou e a educação também precisa acompanhar essa transformação. Hoje, famílias procuram uma formação que desenvolva autonomia, segurança, comunicação e capacidade de atuar em diferentes ambientes”, afirma Philip Murdoch, fundador da rede de escolas Legacy School.
Essa tendência acompanha uma discussão global sobre o papel da educação na preparação dos estudantes para os desafios do futuro. O framework OECD Future of Education and Skills 2030, desenvolvido pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), propõe uma visão de ensino que amplia o foco da formação acadêmica, considerando também competências como pensamento crítico, colaboração, criatividade, comunicação e capacidade de adaptação diante de novos cenários.
“A formação dos estudantes precisa acompanhar as mudanças da sociedade. O conhecimento acadêmico continua sendo fundamental, mas os desafios atuais também exigem habilidades como colaboração, resolução de problemas, comunicação e autonomia. A escola tem o papel de criar ambientes que estimulem essas competências e preparem os alunos para diferentes contextos”, explica Murdoch.
Segundo o executivo, a demanda por esse novo modelo educacional também tem despertado o interesse de empreendedores que enxergam a educação como um segmento de impacto e transformação social.
“A educação tem uma característica única: ela gera impacto na vida das pessoas e nas comunidades onde está inserida. Muitos empreendedores procuram negócios que tenham propósito, mas também uma estrutura sólida e capacidade de crescimento”, explica Murdoch.
A expansão da Legacy School acompanha esse movimento. A rede encerrou 2025 com 34 unidades e começou 2026 com 48 escolas em operação, um crescimento de 41% em sua base de unidades em funcionamento em apenas um ano. A meta é chegar a 70 escolas até 2027, o que representa uma expansão projetada de aproximadamente 46% em relação ao número atual de unidades operacionais.
Esse cenário acompanha uma tendência mais ampla do setor educacional, principalmente de nomes que crescem impulsionados pelas franquias. Dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF) mostram que o segmento de Educação faturou R$ 16,7 bilhões nos últimos 12 meses, com crescimento de 6,1% no período, impulsionado pela busca por soluções educacionais alinhadas às novas necessidades das famílias.
Para especialistas, a valorização de competências socioemocionais e a internacionalização da formação devem continuar influenciando as decisões das famílias nos próximos anos. A escola do futuro deixa de ser apenas um espaço de transmissão de conhecimento e passa a ocupar um papel estratégico na preparação de crianças e adolescentes para um mundo cada vez mais conectado.
Presente em diferentes regiões do país, a Legacy School integra esse movimento do setor educacional, com uma proposta que combina ensino intercultural, desenvolvimento de competências socioemocionais e formação integral dos estudantes.
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