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Eleição americana! Avanço democrata ameaça os planos de Trump para o fim do mandato Oposição democrata festeja conquista de cidadelas republicanas (governistas) e fecha as contas de uma vitória nas urnas que ameaça fazer do presidente um “pato manco” nos últimos dois anos de mandato na Casa Branca

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Oposição democrata festeja conquista de cidadelas republicanas (governistas) e fecha as contas de uma vitória nas urnas que ameaça fazer do presidente um “pato manco” nos últimos dois anos de mandato na Casa Branca

Democratas festejam vitória para o Senado na Geórgia: avanço em estados republicanos abre caminho para maioria nas duas casas do Congresso -  (crédito: Erik S. Lesser/AFP)

A comemoração no comitê de campanha do Partido Democrata na Carolina do Norte, com a vitória de Roy Cooper na disputa por uma cadeira estratégica no Senado, deu o tom de uma noite em que a oposição aguardava com ansiedade, mas com confiança crescente, a confirmação do que as pesquisas de opinião indicavam até a véspera da votação.

A reprovação de dois terços dos norte-americanos ao presidente Donald Trump conduziria os democratas à reconquista da maioria em ambas as casas do Congresso. Ainda à espera do início das apurações em parte expressiva do país, às 23h30 de ontem (em Brasília) o cenário parecia confirmar a formação de uma “onda azul” (a cor do partido) nas urnas, como se viu também na Geórgia, outro estado sulista com longa tradição republicana.

Enquanto mais de 100 milhões de eleitores iam às urnas nos 50 estados, para renovar o Congresso e eleger 32 governadores, Trump tratava de contornar as pesquisas e projeções que apontavam para dificuldades e limitações nos últimos dois anos do segundo mandato — o último, segundo reza a Constituição. O resultado final, a ser conhecido possivelmente hoje,  determinará se o presidente encenará, até janeiro de 2029, o personagem que o jargão político do país chama de “pato manco”: um presidente sem poderes para governar efetivamente. E, como desdobramento, com ainda maior dificuldade para fazer o sucessor.

O Partido Democrata, atualmente com 47 senadores, aposta na confirmação das pesquisas que indicavam a possibilidade de superar as 51 cadeiras que asseguram a maioria. Além de Cooper, na Carolina do Norte, candidatos da oposição eram cotados para tomar vagas dos republicanos em estados tradicionalmente conservadores, como Texas, Ohio e Kansas.

Na Câmara dos Deputados, o panorama das primeiras horas de contagem dos votos indicava desfecho semelhante. Na largada para a votação, bastava aos democratas um ganho líquido de quatro cadeiras para chegar às 218 que garantem o controle da casa. No fechamento desta edição, eles haviam tomado duas vagas republicanas e lideravam a disputa em mais de 60 distritos hoje representados pelos republicanos (governistas), que apareciam em vantagem em apenas seis distritos até aqui em poder da oposição.

“Grandeza”

“Temos de manter a grandeza dos EUA”, disse, no início da tarde, em entrevista à emissora de TV Fox News, conhecida pela simpatia ao presidente. “Éramos motivo de piada no mundo inteiro”, afirmou. “Os líderes de outros países nem sequer nos levavam a sério. Achavam que éramos tolos, mas agora estamos por cima. Somos o país mais em voga do mundo: todo mundo nos respeita. Vamos manter isso e melhorar ainda mais”, prometeu.

À espera dos primeiros resultados, o presidente assinou uma proclamação que declara uma “semana do anticomunismo” entre 1º e 7 de novembro. “Convoco todos os norte-americanos a se manterem firmes contra qualquer ameaça ao nosso modo de vida e a protegerem a chama da liberdade contra a escuridão do comunismo”, diz o texto.

Quando conquistou o segundo mandato (não consecutivo), há dois anos, Trump colocou no centro da campanha eleitoral vitoriosa sua política de linha dura contra a imigração ilegal, antes de tudo a partir do México. “Quando assumi o cargo, a fronteira estava aberta. Tínhamos milhões e milhões de pessoas entrando em massa, muitos deles criminosos e assassinos”, apontou.

O presidente chegou a abordar um dos temas que mais pesaram sobre os eleitores, a julgar pelas pesquisas de opinião conduzidas ao longo do ano: a inflação e a alta do custo de vida, puxados pela disparada no preço dos combustíveis. Embora se trate de impacto direto da guerra iniciada por ele próprio contra o Irã, no último dia de fevereiro, o presidente insistiu em que os EUA teriam “controle total” sobre o Estreito de Ormuz, via estratégica para o comércio global de petróleo. “A inflação está resolvida”, anunciou. “Está tudo indo bem.”

Insatisfeitos

Os resultados preliminares da pesquisa feita pela rede CNN com os eleitores à saída da urna referendou a insatisfação dos norte-americanos com os rumos do país nos últimos dois anos: eles são 75% dos entrevistados, e 40% se disseram “com raiva”. A situação econômica e a apreciação negativa sobre o presidente são os dois ingredientes principais da má vontade — captada inclusive em estados tradicionalmente fiéis ao Partido Republicano (governista). Entre 10 ouvidos, sete disseram que o Congresso “faz pouco” para conter os excessos do presidente.

Com a taxa de aprovação nas pesquisas em baixa histórica para um presidente, na casa de apenas um terço dos entrevistados, Trump paga nas urnas o preço de um governo que, nos dois primeiros anos, foi incapaz de honrar a promessa de fazer o país “voltar a ser grande”. “Trata-se, simplesmente, do custo de vida, do preço da gasolina, esse tipo de coisa”, afirmou à agência de notícias France-Presse (AFP) Donta Comer, 38 anos, morador de Atlanta, na Geórgia, estado sulista de sólido eleitorado republicano. Ele disse ter votado “principalmente” em candidatos da oposição democratas.

“Obviamente, é um referendo sobre o segundo mandato de Trump”, afirmou categoricamente Wes Pyron, de 37 anos, em Washington, ao comentar a votação.

Informações do ´Correio Brasiliense`