Com presença de Milei, lançamento de campanha do senador é marcado por vídeos de Michelle e de irmãos, e sem apoio dos partidos do Centrão

O PL oficializou a candidatura à Presidência da República do senador Flávio Bolsonaro (RJ), em evento no estádio do Pacaembu, em São Paulo. O parlamentar é o segundo nome oficializado na corrida presidencial, após Renan Santos (Missão). Hoje, o PSD lança a candidatura de Ronaldo Caiado para o Palácio do Planalto. Realizado nas dependências internas do estádio e com alguns buracos na plateia, o evento lançou, oficialmente, a campanha eleitoral de Flávio sem um nome na vice-presidência e sem apoio de outros partidos do Centrão, mas com imagem do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), gerado por inteligência artificial (IA).
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O evento teve presença massiva de pré-candidatos do PL ao Senado Federal, à Câmara dos Deputados e aos cargos estaduais. Outras autoridades também estiveram presentes, como o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) — nome apoiado pelo PL para concorrer à reeleição. A cerimônia contou ainda com vídeos dos irmãos Eduardo e Carlos Bolsonaro e da madrasta e ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Flávio se emocionou ao assistir às mensagens dos irmãos. O único dos irmãos presentes foi Jair Renan.
No discurso, Flávio não poupou críticas ao principal rival e líder nas pesquisas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Comentou que o petista teve três mandatos e nunca entregou o que prometeu, e por isso, ele surge como uma “esperança” para o Brasil. Além disso falou em “virar a página” na missão de ser o candidato do “Brasil do futuro”.
“Meu nome também carrega a esperança de um país inteiro, que não aguenta mais se refém do medo, da corrupção, dos altos impostos, da inflação que acabou com o poder de compra do povo brasileiro. Da incompetência e da corrupção dos governos do PT. Essa turma que a cada eleição promete sempre uma vida melhor e nunca entrega o que prometeu. Quem teve três mandatos para fazer e não fez, não merece uma quarta oportunidade, porque é óbvio que não vai fazer de novo”, acusou.
O senador ainda afirmou que o pai foi “alvo” três vezes. A primeira vez ocorreu com a facada durante a campanha presidencial de 2018; a segunda, quando o ex-presidente foi “humilhado” e enviado à prisão “junto com centenas de outros inocentes”; e a terceira seria, nas palavras de Flávio, a tentativa de “isolar e calar o maior líder da direita que esse país já teve”.
O candidato ainda disse que manterá o “legado” do pai e projetou o retorno dele ao Palácio do Planalto subindo a rampa com ele, em janeiro de 2027.
Hora da união
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), criticou a divisão do campo político da direita nestas eleições. Citou o pedido do ex-presidente de união e a escolha de Flávio Bolsonaro para ser o nome da direita contra o PT em outubro. “Acabei de disputar uma eleição, uma das mais difíceis da história da cidade, juntaram quatro contra nós, inclusive do nosso campo, para nos atacar. E é o que tem acontecido com nossos candidatos ao Senado. Temos é que nos unir, o time está formado, é o Flávio! Quem fizer um jogo contra está traindo aquilo que o Jair Bolsonaro orientou. Precisamos ter essa consciência, essa união”, defendeu Nunes.
O prefeito também destacou que a unidade precisa ser usada nas disputas ao Senado, vagas que têm sido prioridade para a direita, uma vez que 2/3 das cadeiras da Casa serão renovadas. “Com nosso campo fazendo uma grande bancada no Senado, o jogo vai verdadeiramente mudar. A gente tem André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP) (candidatos ao Senado em SP) que vão colocar o peito na frente para defender os interesses do brasileiro, independente de Supremo Tribunal Federal (STF) e Superior Tribunal de Justiça (STJ), ou qualquer coisa que venha a fazer com que o interesse do Brasil seja colocado em segundo plano”, afirmou.
O governador Tarcísio de Freitas defendeu a adoção de uma política de ajuste fiscal no Brasil inspirada nas medidas implementadas pelo presidente da Argentina, Javier Milei. O governador concentrou as críticas ao governo Lula na economia, na segurança pública e no aumento do endividamento das famílias. Ele também lamentou a ausência de Jair Bolsonaro no evento. “Eu sei que dói saber que o nosso presidente Bolsonaro não está com a gente aqui”, disse.
Ao abordar a situação econômica do país, Tarcísio afirmou que o Brasil pode alcançar melhores resultados fiscais e citou a experiência argentina como exemplo. “A inflação era de 200% ao ano, e hoje é menos de 2% ao mês. O país voltou a crescer. O país, depois de muito tempo sem superávit, está tendo superavit. Ele mostrou que há um caminho. Isso foi feito lá e pode ser feito aqui”, declarou.
Gesto de paz
Em vídeo, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro declarou apoio à candidatura do enteado ao Planalto. A manifestação ocorreu após uma articulação de aliados para encerrar o distanciamento entre os dois e reforçar a unidade do grupo político para a disputa eleitoral deste ano.
Na mensagem, Michelle afirmou que não compareceu ao evento porque permanece ao lado de Jair Bolsonaro durante sua recuperação. Segundo ela, a ausência do ex-presidente representa o apoio de seus eleitores.
“Hoje, justamente porque ele não pode estar aí, sua ausência fala muito mais alto. Ela carrega a força de mais de 58 milhões de brasileiros que depositaram nele sua confiança e continuam acreditando no Brasil que ele representa. […] Flávio, que Deus abençoe e proteja a sua candidatura. Que ele te dê sabedoria, coragem e força — a você e à sua família — para cumprir esta missão com a lealdade e a verdade que o nosso povo merece”, afirmou.
Michelle Bolsonaro também fez um apelo ao eleitorado feminino. A ex-primeira-dama destacou que as mulheres representam a maioria dos eleitores brasileiros e defendeu que ocupem mais espaços de decisão. “Somos 53% do eleitorado. Chegou a hora de vocês ocuparem os lugares em todos os espaços onde o futuro do Brasil é decidido”, disse Michelle. Ela fez um longo discurso voltado às mulheres, relembrando o trabalho no PL Mulher e incentivando a participação feminina na política. A ex-primeira-dama é vista como uma força capaz de melhorar Flávio entre o eleitorado feminino e evangélico.(Correio Brasiliense)

