Porém, produtos como mel e pescados serão afetados

A Confederação Nacional de Agricultura (CNA) calcula que 53% das exportações brasileiras do setor para os Estados Unidos permanecem isentas das sobretaxas anunciadas pelos americanos desde a semana passada. Porém, a medida vai atingir áreas produtos como mel, que tem os EUA como o principal destino.
A taxa de 12,5% foi aplicada ao Brasil e a diversos parceiros dos EUA sob a alegação de que esses países falham ao importar produtos que teriam utilizado trabalho forçado. Já a tarifa de 25% é específica ao Brasil.
Conforme análise da CNI, os produtos alcançados simultaneamente pelas duas taxas representam aproximadamente 32,9% do valor das exportações brasileiras do agronegócio para os Estados Unidos.
Os 12% restantes, correspondem a produtos sujeitos exclusivamente à tarifa adicional de 12,5% decorrente da investigação sobre trabalho forçado
No caso das exportações de gorduras de animais das espécies bovina, ovina ou caprina, por exemplo, 82,2% vão para os EUA. Esse produto será taxado em 35,7%.
Sueme Mori, diretora de Relações Internacionais da CNA, afirma que os Estados Unidos são o terceiro destino das exportações do setor e o principal mercado para algumas cadeias que serão sobretaxadas em 12,5%, como pescados e mel. Cerca de 50% de tudo que o setor de pescados exporta tem como destino o mercado americano. No caso do mel, diz ela, a participação dos Estados Unidos chega a 84%.
— Nas contribuições encaminhadas ao governo americano, a CNA apresentou evidências de que o Brasil possui um dos mais robustos marcos legais e institucionais de combate ao trabalho forçado e demonstrou que no setor agropecuário esse sistema é particularmente rigoroso — disse.
Segundo ela, a CNA defendeu que a imposição de tarifa sobre produtos brasileiros não contribui para o combate ao trabalho forçado e acaba penalizando produtores que cumprem rigorosamente a legislação, geram empregos e produzem de forma responsável.
— A alta competitividade do agro-brasileiro não tem relação com qualquer prática ilegal e tampouco prejudica a produção norte-americana.

