Artigo escrito por Ebis Dias que é Eng.º Agr.º, Mestre em Irrigação e Drenagem e Fiscal Estadual Agropecuário da Adagro.
A Fruticultura é um segmento importante para o agronegócio brasileiro pela crescente participação no comércio exterior e pelo abastecimento do mercado interno. O Brasil é o terceiro produtor mundial de frutas com uma produção de 43 milhões de toneladas em 2023, representando 4,5% do total global, perdendo apenas para a China e a Índia, segundo a FAO. O setor responde por 16% de toda a mão de obra do agro, conforme a Abrafrutas (Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados).

Desde 2019, as vendas externas brasileiras de frutas suplantam a cifra de US$ 1 bilhão, com um aumento de 24,5% no ano passado. O principal destino da fruticultura brasileira é a União Europeia. Cerca da metade de todo o valor exportado em frutas pelo Brasil é destinado ao bloco europeu.
Segundo a Abrafrutas, as exportações brasileiras de frutas em 2025 totalizaram US$ 1,45 bilhão, um novo recorde histórico pelo terceiro ano consecutivo, com crescimento de 12% em valor e 19,6% em volume em relação ao ano anterior.
O Brasil é um grande produtor, mas ainda é um pequeno exportador, não figurando entre os dez maiores exportadores, conforme a FAO.
:strip_icc()/s04.video.glbimg.com/x720/6180815.jpg)

O Vale do São Francisco é destaque nacional. Segundo a Valexport (Associação de Exportadores de Hortigranjeiros e Derivados do Vale do São Francisco), a evolução nas exportações de manga foi de 21.500 toneladas em 1997 para 237.168 toneladas em 2024, com participação de 92% das exportações do país. Os valores FOB (em milhares de dólares) foram de US$ 18.600 para o Vale e US$ 20.182 para o Brasil em 1997.
Em 2024, os valores das exportações somaram US$ 323.653 para o Vale e US$ 350.337 para o Brasil, com percentual de 92% de participação. As exportações de uva do Vale evoluíram de 3.700 toneladas em 1997 para 57.681 toneladas em 2024, representando 98% das exportações de uva do país. Os valores FOB (em milhares de dólares) foram, respectivamente, US$ 4.700 para o Vale em 1997 e US$ 4.780 para o Brasil, representando 98% das exportações. Em 2024, os valores FOB (em milhares de dólares) foram: US$ 155.095 no Vale e US$ 158.759 para o Brasil, mantendo os 98% de participação.

Estima-se que sejam gerados, em média, 2 empregos por hectare irrigado, totalizando 260.000
Os produtores brasileiros devem seguir o exemplo dos produtores do Vale do São Francisco, que se destacam a cada ano no cenário nacional e internacional. Esse destaque é o resultado do empenho de vários atores, incluindo produtores, trabalhadores rurais, associações de produtores, pesquisadores, consultores, órgãos de defesa sanitária, entre outros, e de toda uma cadeia do agronegócio regional que eleva e destaca o Vale do São Francisco no cenário nacional e internacional. Cabe evidenciar, neste contexto, a importância de todos os segmentos que contribuem para o sucesso da agricultura emnossa região. Todos, capitaneados pelos produtores rurais, são de suma importância para os resultados alcançados.
Detalhando apenas um desses segmentos, por exemplo, a defesa sanitária em Petrolina: a ADAGRO (Agência de Defesa e Fiscalização Agropecuária do Estado de Pernambuco) é um exemplo de empresa governamental que acompanha o desenvolvimento do agronegócio mundial e os seus desafios. Com uma gestão e um corpo técnico competentes e dinâmicos em todos os níveis, a instituição vem trabalhando à frente de suas demandas, capacitando seus técnicos no Brasil e no exterior, inclusive nos níveis de mestrado e doutorado.
A finalidade é aprofundar ainda mais os seus conhecimentos para transferi-los aos produtores por meio de visitas, palestras, dias de campo, reuniões, treinamentos, material educativo, e veiculação educativa no rádio e na TV, entre outros. Vale ressaltar que toda essa metodologia está sendo aplicada principalmente no combate às pragas, como as moscas-das-frutas e o cancro bacteriano da videira, entre outras pragas de novas fruteiras. As ações voltadas para o uso correto dos agrotóxicos também são consideradas de suma importância para a manutenção da qualidade das nossas frutas.
0 empregos diretos e 960.000 indiretos. Cabe evidenciar que, em 1988, foi criada a Valexport, que promoveu e desenvolveu com muito sucesso a fruticultura do Vale até os dias de hoje.

O polo de Petrolina, juntamente com o polo de Juazeiro, constitui o principal polo de fruticultura do país, tanto em qualidade como em exportação de frutas. Por esse motivo,a Adagro vem trabalhando incansavelmente pela melhoria da sanidade e da qualidade das nossas frutas, bem como na emissão de permissões de trânsito para sua comercialização nos mercados interno e externo.
A fruticultura brasileira vive um momento de forte expansão, com o país consolidado como um dos três maiores produtores mundiais. A perspectiva é de crescimento contínuo, impulsionado pela exportação de mangas, melões, uvas e limões, superando US$ 1,2 bilhão em receita, com foco em sustentabilidade, tecnologia e abertura de novos mercados. De acordo com a Abrafrutas, as principais tendências e perspectivas são:
- Expansão da Exportação: O Brasil é apenas o 24º maior exportador de frutas frescas, o que indica um enorme potencial de crescimento (a meta é aumentar o volumeexportado, pois o mundo busca a qualidade brasileira).
- Investimento Tecnológico: O foco deve priorizar a fruticultura 5.0, com o uso de inteligência artificial, automação, mecanização de colheita e biodefensivos para garantir sustentabilidade e rastreabilidade.
- Destaque no Nordeste: A região Nordeste se consolida como polo exportador devido à fruticultura irrigada, que garante a produção durante o ano todo.
- Sustentabilidade e Certificação: O mercado exige altos padrões de qualidade, sustentabilidade e segurança alimentar, tornando as certificações internacionais um pilar na agricultura moderna.
- Consumo interno e processamento: Além da exportação, há crescimento no mercadointerno e na indústria de beneficiamento (sucos, polpas), com destaque para o açaí e outras frutas nativas.

Segundo a Abrafrutas, o resultado de 2025 consolida a nossa fruticultura como um dos segmentos mais dinâmicos do agronegócio nacional e reforça as perspectivas positivas para 2026. Isso se dá especialmente diante do avanço do acordo entre o Mercosul e a União Europeia (UE), cujos efeitos vão se refletir na competitividade dos produtosbrasileiros no exterior, já que os principais concorrentes do Brasil não pagam tarifaspara ingressar nos países da UE.
Cabe evidenciar que o acordo com a Coreia do Sul já está concretizado para a exportação de uva em 2027. Outros países também estão em negociação ou ultimando acordos para a exportação de uva e outras frutas.
Infelizmente, nem tudo são flores, o Brasil, segundo a Anda, Associação Nacional dos Exportadores de Adubos, importa cerca de 85% dos seus fertililizantes, sendo 45% provenientes de zonas de conflitos. Há necessidade, portanto, de um trabalho imediato e continuo, visando sua auto suficiência.


Artigo escrito por Ebis Dias é Eng.º Agr.º, Mestre em Irrigação e Drenagem e Fiscal Estadual Agropecuário da Adagro.

