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Raquel vira maior líder do centro democrático

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Em eleição marcada pelo encolhimento do centro político, espremido pela polarização, reeleição em primeiro turno deixa a governadora em posição única na política nacional

Raquel Lyra (PSD) comemora eleição no primeiro turno /Rafael Vieira/DP Foto

O centro democrático foi o grande derrotado da eleição nacional. Além da polarização entre Flávio Bolsonaro e Lula no segundo turno, a Câmara assistiu ao fenômeno dos deputados influenciadores. As estratégias de radicalização e conflito pelas redes sociais, típicas da lógica do algoritmo das plataformas digitais, construíram novos campeões de votos.

Na direita, nomes como Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanato (PL-SP). Na esquerda, Erika Hilton (PSOL-SP) e Elias Jabour (PCdoB-RJ). Em Pernambuco, Jones Manoel (PSOL) e Eduardo Moura (Novo) duelaram em podcast com cenas lamentáveis. Ambos venceram. A degradação do diálogo respeitoso, que costumava configurar a cultura política democrática, foi aprovada pelo eleitor.

Nesse contexto, os partidos de centro perderam cadeiras: PSDB/Cidadania (-8), União/PP (-11) e PSD (-5). O partido da governadora Raquel Lyra detém o maior número de prefeituras no país e, justamente por isso, havia expectativa de crescimento nacional no Congresso, o que não se verificou.

Apesar disso, outros 3 governadores do PSD foram eleitos: Dr Furlan (AP), Eduardo Braide (MA) e Fabio (SE). Entre os expoentes presidenciáveis do partido, Ratinho Junior amargou a derrota de Sandro Alex para Sérgio Moro (PL) no Paraná e Eduardo Leite viu seu vice-governador Gabriel (MDB) ficar apenas na terceira colocação no Rio Grande do Sul. Apenas Ronaldo Caiado elegeu Daniel Vilela (MDB) em Goiás. Ainda assim, o candidato à presidência deve caminhar para a aposentadoria em função da sua idade elevada e da amarga 5ª colocação, atrás do outsider Augusto Cury e do estreante Renan Santos.

Em Pernambuco, a história foi outra. Raquel foi a única mulher reeleita governadora já no primeiro turno. E derrotou João Campos, não apenas herdeiro do grupo que governou o estado por 16 anos, mas apontado como esperança de renovação da esquerda brasileira. O resultado coloca a governadora numa posição sem paralelo.

Além do cenário pragmático, há um horizonte programático. Raquel representa uma identidade clara de prioridades políticas: saneamento básico, primeira infância, segurança pública, alfabetização na idade certa e infraestrutura. É uma agenda de entrega, pouco afeita à guerra cultural. Com o encolhimento do centro, sobram poucos nomes fora dos polos ocupando cargos de peso.

Há, porém, um desafio que mora dentro de casa. O PSD nunca teve coesão. A própria Raquel não apoiou Caiado, nome muito mais à direita. Partido que libera todo mundo dificilmente lidera alguma coisa. Isso importa para além de Pernambuco. Sem um polo de centro organizado, a radicalização dificulta a governabilidade. No longo prazo, a política trava gera desconfiança com a própria democracia. E quem paga a conta é o cidadão.

Raquel tem agora o ativo mais raro da política brasileira de 2026: uma vitória de centro. Resta saber o que fará com ele. Ficará concentrada no Campo das Princesas? Aceitará o papel de articular um campo que hoje não tem dono? E o PSD, saberá ser um partido de verdade?

Materia publicada pelo “Contraponto Diario” escrita por  Mano Ferreira