O vínculo criado com animais fortalece a saúde física e psicológica da criança
Neste Dia das Crianças, 12 de outubro, não dê um animal de presente, eles não são objetos. Mas, se quiser avaliar a possibilidade de ter um pet, sob sua responsabilidade, em convivência com uma criança, o Folha Pet pode te ajudar! Crescer dividindo o convívio com animais fortalece aspectos como empatia, qualidade de vida e ajuda a criar estratégias de enfrentamento ao estresse.
Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) avaliou como crianças de 2 a 12 anos se relacionam com cães.
Conviver com animais muda a socialização de uma criança – cottonbro studio / PexelsNa pesquisa, foi identificado que em crianças mais novas, de 2 a 4 anos, maiores níveis de interação afetiva com o cão estiveram associados a menores índices de hiperatividade, menor frequência de problemas de conduta e menor nível geral de dificuldades comportamentais.
Já entre as crianças de 5 a 12 anos, a maior pontuação na escala de interação relacionou-se positivamente ao aumento de comportamentos pró-sociais.
A convivência com animais de estimação promove o desenvolvimento da responsabilidade nas crianças ao ensinar compromisso e senso de dever por meio de tarefas de cuidado adaptadas a cada faixa etária. Essa interação diária estimula a compreensão das limitações do outro, capacitando os pequenos a interpretar a linguagem corporal do pet e a respeitar seus momentos de descanso e espaço.
No âmbito da saúde física e do estilo de vida, o cuidado com o pet atua no incentivo à atividade física e na redução do tempo de tela, constituindo uma alternativa atraente ao uso excessivo de dispositivos eletrônicos. A rotina de brincadeiras e passeios em ambientes abertos aumenta o contato com a luz natural, fortalecendo o sistema motor, reduzindo o estresse e melhorando a qualidade do sono.
Muito além do convívio direto
Não é apenas ao conviver presencialmente com um animal que a criança é afetada. A pesquisa “Crianças e Animais de Estimação: Socialização e a Construção da Empatia e de Outros Afetos”, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), analisou o impacto da literatura infantil que conta com representação de animais.
Para investigar como a cultura visual molda o afeto na infância, as autoras Laysa Fernandes Picoli e Renata Siero Fernandes analisaram tiras e quadrinhos nacionais e internacionais que retratam o convívio entre crianças e animais. A seleção incluiu personagens consagrados como Cascão e o porco Chovinista, Franjinha e o cão Bidu, Magali e o gato Mingau, além de Chico Bento e os animais do sítio.
O levantamento também examinou o laço entre Charlie Brown e Snoopy, Mafalda e a jabota Burocracia, Armandinho e seu sapo, e Suriá com os animais do circo.
A análise revelou que essas narrativas representam parcerias afetivas e horizontais, nas quais não há imposições hierárquicas de poder entre humanos e não humanos. Nas tiras, animais e crianças interagem por meio do olhar, da fala e do contato físico, demonstrando amizade, dedicação, cuidado e respeito mútuo.
Essas representações imagéticas reforçam o conceito de famílias multiespécies e mostram que os animais possuem vida emocional própria (senciência), sendo capazes de sentir alegria, dor e afeto.
De acordo com as pesquisadoras, ao lerem ou ouvirem essas histórias, as crianças utilizam a imaginação e a projeção para desenvolver a empatia interespécie — a capacidade de se colocar no lugar do outro e reconhecer o dever moral de cuidado com os animais e com a natureza. (Folha de Pernambuco)

