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Geração sanduíche sacrifica sono e lazer ao cuidar de filhos e pais idosos, aponta estudo

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A sobrecarga de cuidar de filhos e familiares mais velhos pode levar a dificuldades de gestão do tempo, exaustão física, estresse e burnout entre adultos de 35 a 50 anos

São Paulo, setembro de 2026 – Adultos de 35 a 50 anos que cuidam simultaneamente de filhos e familiares mais velhos relatam falta de tempo, exaustão física, estresse e burnout, segundo estudo publicado na Frontiers in Public Health . Dados citados pelos autores apontam que a chamada geração sanduíche pode ter, em média, 1,7 hora a menos de sono e 2,4 horas a menos de lazer por dia. A longo prazo, esse acúmulo de responsabilidades favorece o ganho de peso e eleva o risco de hipertensão, diabetes e doenças cardiovasculares, além de comprometer a concentração e o humor.

Quando o tempo de descanso e lazer é sacrificado de forma contínua, múltiplos sistemas do corpo passam a atuar sob pressão. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) , estresse crônico e a falta de descanso podem afetar a saúde física e mental e contribuir indiretamente para o agravamento de fatores de risco associados às doenças não transmissíveis, como a hipertensão.

“Quando a pessoa precisa conciliar as demandas dos filhos, dos pais e, muitas vezes, também do trabalho, o tempo disponível para cuidar de si mesma acaba ficando em segundo plano. O autocuidado não significa apenas fazer consultas médicas, envolve ter uma alimentação adequada, dormir bem, praticar atividade física, ter momentos de lazer e descanso e manter uma vida social saudável”, afirma Paula Fabrega, endocrinologista do Hospital Sírio-Libanês em Brasília.

A especialista reforça, no entanto, que o sono e o lazer não são luxos dispensáveis. “O sono participa da regulação do metabolismo, do apetite, do sistema cardiovascular e do imunológico. Já o lazer funciona como um amortecedor do estresse. Quando ele desaparece por períodos prolongados, perde-se a oportunidade de recuperar a energia física e emocional, entrando em um ciclo de esgotamento”, explica a endocrinologista.

É comum que pacientes procurem os serviços de emergência com frequência com dores musculares intensas, palpitações e desconfortos abdominais sem perceberem que a causa é a rotina exaustiva. A orientação médica, contudo, é investigar e descartar causas orgânicas antes de atribuir os sintomas exclusivamente ao estresse.

Para as mulheres, a sobrecarga frequentemente coincide com a transição para a menopausa. Embora não haja evidências suficientes para afirmar que as responsabilidades da chamada “geração sanduíche”, formada por pessoas que cuidam simultaneamente dos filhos e dos pais idosos, provoquem ou agravem diretamente os sintomas da menopausa, estresse, sono inadequado e redução da atividade física podem tornar esse período mais difícil.

Diretrizes do Ministério da Saúde recomendam que, a partir dos 45 a 50 anos, o acompanhamento preventivo de rotina seja rigoroso, já que doenças como hipertensão e diabetes podem progredir silenciosamente. Contudo, para conseguir manter exames e hábitos saudáveis em dia, o primeiro passo é romper o isolamento e dividir responsabilidades.

“Uma regra simples resume bem essa ideia: no avião, primeiro colocamos a máscara de oxigênio em nós mesmos para depois ajudar quem precisa. Na vida, o princípio é o mesmo. Cuidar da própria saúde não é egoísmo; é o que permite continuar cuidando de quem depende de nós”, finaliza Paula Fabrega.

Por: Fato Relevante Comunicação