Lula afirmou que os Estados Unidos estavam sem embaixador no Brasil e apenas agora, perto das eleições no Brasil, o governo Trumpo decidiu enviar um representante

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira, 5, em entrevista aos podcasts Meteoro Brasil e Os 3 Elementos, que o Brasil está “preparado” para enfrentar tentativas de interferência estrangeira na eleição presidencial. A fala do presidente ocorre um dia após o governo declarar institucionalmente que os Estados Unidos estão tentando fazer ingerências no processo eleitoral.
Ao falar sobre a nova crise com os Estados Unidos, deflagrada com a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti, o presidente chamou a medida da Casa Branca de “irresponsável e impensada”. Ele refutou o argumento de reciprocidade dos americanos, ao dizer que eles não se importaram com a embaixada em Brasília desde que o presidente americano, Donald Trump, assumiu o poder.
“Os Estados Unidos não deram importância para a embaixada no Brasil, porque faz um ano e meio que ele está no poder e não mandou para cá. Agora, tentam mandar e acham que a gente tem a obrigação de fazer na data que eles querem? Não é correto e não é possível, nós queremos ser tratados com respeito”, disse Lula.
Os EUA indicaram para chefiar a diplomacia no Brasil Daniel Perez, e dizem que o Planalto cria obstáculos para conceder a autorização para que ele exerça a função no Brasil. Lula justificou a demora afirmando que não deseja receber novos embaixadores em Brasília até o término das eleições.
Sobre a revogação de visto dos funcionários do Departamento de Estado Riley Barnes e Samuel Samson, Lula disse que soube da notícia de que eles estavam querendo se “intrometer” no processo eleitoral e elogiou a medida do Itamaraty. “Fiquei sabendo da notícia que vinham dois jovens para cá, para se intrometer, fiscalizar e investigar as urnas brasileiras. O Itamaraty, corretamente, negou o visto para eles”, declarou.
O presidente também relembrou o contato que teve com Trump, afirmando que os contatos foram amistosos, mas que o presidente americano não liberou o visto de autoridades brasileiras sancionadas.
Sobre a possibilidade de interferência americana nas eleições, Lula disse que seria bom se o secretário de Estado, Marco Rubio, fizesse comício para o senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL).
“Se o Secretário de Estado quiser vir aqui fazer comício para o meu adversário, pode ser até bom. Eu quero, de uma vez só, derrotar todos eles juntos”, disse Lula.
Lula também ironizou o sistema eleitoral americano e disse que o Brasil poderia levar conhecimento na área para os Estados Unidos. “Ao invés de questionar nossa urna, eles deveriam pedir para a gente levar as urnas para eles fazerem uma eleição eletrônica para saberem que estamos no auge da modernidade eleitoral”, declarou.


