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Líderes avançam no uso de IA, mas empresas ainda ficam para trás em capacitação e governança

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Pesquisa do Talenses Group mostra que 62% aprenderam a usar a tecnologia por conta própria, enquanto apenas 24% receberam treinamento formal das empresas

Inteligência artificial: benefícios e desafios no uso dessa ferramenta |  Colégio Prígule

Enquanto o uso da inteligência artificial se consolida na rotina da liderança brasileira, as empresas ainda não conseguiram estruturar a capacitação necessária para sustentar essa transformação. É o que aponta o levantamento “Lideranças Orquestradoras na Era da IA”, do Talenses Group, que ouviu 171 profissionais brasileiros, dos quais 137 ocupam posições de liderança e 64% estão na alta liderança.

Segundo a pesquisa, 52% dos respondentes apontam a falta de conhecimento como o principal obstáculo à adoção da IA nas empresas, à frente de falta de investimento e de direcionamento da própria empresa.

“Segundo os próprios líderes ouvidos na pesquisa, o maior entrave, de longe, é a falta de conhecimento (apontada por 52% dos respondentes). Isso mostra que o problema não é resistência ou desinteresse, é lacuna de capacitação mesmo. E aqui tem um ponto muito relevante: não existe um diagnóstico claro de quais são os principais gaps de conhecimento em IA, para depois desenhar um plano de desenvolvimento corporativo, e ao mesmo tempo individualizado”, explica Denise Rendtorff, sócia e diretora-geral da Talenses Human Capital, consultoria do Talenses Group especializada em potencializar a dimensão humana da transformação organizacional.

Essa lacuna também se manifesta na forma como os próprios líderes aprenderam a usar a ferramenta. 62% o fizeram por iniciativa própria, e apenas 24% receberam algum tipo de treinamento formal da empresa. Dentro das organizações, apenas 50% oferecem treinamentos formais e 23% ainda não têm nenhuma iniciativa estruturada voltada para IA. “Isso fica ainda mais evidente quando vemos que 62% dos líderes aprenderam IA por iniciativa própria. Só 24% receberam treinamento formal da empresa, e 23% ainda não têm nenhuma iniciativa estruturada em IA. A tecnologia avançou mais rápido do que a governança e a capacitação”, afirma Denise.

Para a executiva, o próximo passo da liderança brasileira já está claro. “Também acho importante ressaltar que 65% dos líderes já entendem que a competência mais importante dos próximos anos será orquestrar o trabalho entre pessoas e IA. Não é só sobre dominar uma ferramenta, é sobre repensar em uma nova arquitetura de processos e times e, por fim, como tirar o melhor de agentes e humanos de forma sincronizada. Os líderes brasileiros estão emocionalmente preparados e curiosos (72% sentem entusiasmo, 71% curiosidade), mas as empresas ainda não criaram a estrutura necessária em termos de estratégia, cultura, treinamento e governança para sustentar esse movimento com consistência”, completa. Na sequência, os líderes apontam desenvolvimento de talentos (58%) e governança, ética e uso responsável da IA (54%) como as competências mais relevantes dos próximos anos.

O maior risco, na visão dos respondentes, é o descompasso entre velocidade e preparo. 31% consideram que acelerar a adoção da IA sem preparar pessoas e processos é o principal risco, e 19% temem investir em tecnologia sem desenvolver competências. Não por acaso, 72% dos líderes defendem fortalecer a aprendizagem contínua como prioridade cultural das empresas, ainda que 39% dos respondentes admitam sentir medo de ficar para trás.