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Inteligência Artificial virou “médico de bolso”? Especialistas alertam para os riscos do autodiagnóstico

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Interpretar sintomas sem avaliação profissional aumenta o risco de automedicação, ansiedade e atraso no tratamento

Você digita uma lista de sintomas em uma ferramenta de inteligência artificial e, em segundos, recebe uma lista de possíveis doenças.

A rapidez e a praticidade fizeram da IA uma espécie de “médico de bolso” para muitas pessoas. Pode parecer uma forma prática de entender o que está acontecendo com o corpo, mas o problema começa quando essas respostas passam a ser tratadas como um diagnóstico e substituem a avaliação de um profissional de saúde.

A enfermeira e professora do IDOMED São Luís, Erika Chirley Chaib Araújo, explica que a inteligência artificial pode até fornecer informações úteis, mas não consegue considerar todos os aspectos necessários para identificar uma doença com segurança. “A inteligência artificial não substitui a avaliação clínica. Entre os principais riscos estão as interpretações incorretas dos sintomas, a falta de consideração do histórico de saúde e dos fatores individuais, além da possibilidade de gerar ansiedade desnecessária por um diagnóstico incorreto ou transmitir uma falsa segurança por minimizar uma situação que é de risco”, explica.

Ou seja: a falsa sensação de segurança oferecida pelo “diagnóstico” da IA pode fazer com que a pessoa adie a procura por atendimento, permitindo que uma doença avance sem o tratamento adequado. Por outro lado, a apresentação de várias hipóteses graves também pode aumentar a preocupação diante de sintomas que podem muito bem estar relacionados a condições mais simples.

Outro risco do autodiagnóstico é que muitos sintomas são considerados inespecíficos. Febre, cansaço, dor de cabeça e dor no peito, por exemplo, podem aparecer tanto em situações leves quanto em problemas que exigem atendimento imediato. Para chegar a um diagnóstico, o profissional avalia não apenas o sintoma relatado, mas também o histórico clínico, a idade, os fatores de risco, o uso de medicamentos e os resultados do exame físico. Dependendo do caso, também podem ser solicitados exames complementares. “Essas informações permitem uma avaliação individualizada, algo que uma ferramenta de inteligência artificial, isoladamente, não consegue realizar”, destaca Erika.

AUTOMEDICAÇÃO

Outro risco é que, ao acreditar que já identificou o problema, a pessoa também pode recorrer a medicamentos por conta própria. Segundo a professora, essa prática pode mascarar sintomas, causar reações adversas, provocar interações medicamentosas e até agravar a doença. Além disso, o atraso na procura por atendimento pode favorecer a progressão do quadro, aumentar o risco de complicações e reduzir as chances de um tratamento eficaz.

Isso não significa que a inteligência artificial não possa ser utilizada para buscar informações sobre saúde. A tecnologia pode ajudar na educação em saúde, no esclarecimento de dúvidas e na identificação da necessidade de procurar atendimento. No entanto, as informações recebidas devem ser vistas como orientações gerais, e não como uma conclusão médica.

Alguns sintomas não devem ser avaliados apenas por ferramentas digitais. É necessário buscar atendimento de urgência diante de sinais como dor intensa no peito, falta de ar, perda de consciência, convulsões, sangramento intenso, fraqueza súbita ou dificuldade para falar. Febre persistente acompanhada de piora do estado geral, assim como qualquer sintoma grave ou que evolua rapidamente, também exige avaliação profissional.

“A inteligência artificial nunca deve substituir a consulta. Em situações de urgência, o atendimento não pode ser adiado”, conclui a professora.

             Assessoria Edusaude comunicacaosaudeedu@gmail.com