Procedimento fetal foi realizado durante a 26ª semana de gestação e permitiu reposicionar os intestinos do bebê antes do nascimento. Hoje, Theo tem cinco meses e se desenvolve normalmente

Um bebê diagnosticado ainda na gestação com uma forma grave de gastrosquise passou por uma cirurgia inédita antes do nascimento e hoje, aos cinco meses de vida, apresenta boa evolução. O procedimento foi realizado quando a mãe, Maisie Savage, estava com 26 semanas de gravidez e integrou um ensaio clínico conduzido por especialistas nos Estados Unidos.
A gastrosquise é uma malformação congênita em que a parede abdominal não se fecha completamente durante o desenvolvimento do feto, fazendo com que parte dos intestinos cresça para fora do abdômen.
Moradora de Londres, Maisie, de 29 anos, viajou para o Texas após exames indicarem que o caso do filho era mais complexo do que o habitual. Ela e o marido, Josh French, de 36 anos, ambos professores, receberam o encaminhamento para o Texas Children’s Hospital, em Houston, onde uma equipe liderada pelo cirurgião fetal Michael Belfort desenvolvia uma técnica inédita para corrigir a anomalia ainda durante a gestação.
Antes da cirurgia, a gestante precisou passar pelo Hospital de Leuven, na Bélgica. Lá, os médicos aplicaram uma injeção de Botox na parede abdominal do feto, por meio do útero, para relaxar a musculatura e facilitar o procedimento.
A operação foi realizada em novembro do ano passado. Os médicos expuseram parcialmente o útero da gestante, retiraram temporariamente o líquido amniótico e utilizaram dióxido de carbono para ampliar o espaço cirúrgico. Com técnicas minimamente invasivas, conseguiram reposicionar cuidadosamente os órgãos do bebê dentro do abdômen e fechar a abertura.
Theo foi apenas o terceiro bebê no mundo a participar desse tipo de estudo clínico.
Após a cirurgia, Maisie permaneceu nos Estados Unidos até o fim da gravidez. Segundo ela, a recuperação foi difícil e deixou uma cicatriz maior que a de uma cesariana, mas o resultado compensou.
“Foi uma recuperação difícil. Mas valeu a pena”, afirmou.
Theo nasceu de parto normal em fevereiro, já no Texas, após a gestação chegar ao fim sem novas complicações. Desde então, o bebê apresenta desenvolvimento considerado satisfatório.
O casal contou que recebeu o diagnóstico durante o ultrassom morfológico de 20 semanas, quando esperava apenas descobrir mais detalhes sobre a gravidez.
“Naquele momento, não sabíamos nem que era um menino”, lembrou Josh. Segundo ele, descobrir a gravidade da condição foi um dos momentos mais difíceis vividos pela família..
A gastrosquise afeta cerca de um em cada 3 mil bebês no Reino Unido. Mesmo nos casos com melhor prognóstico, os recém-nascidos costumam precisar de cirurgia corretiva, internação prolongada em unidade neonatal e suporte nutricional por sonda ou via intravenosa.
Nas formas mais graves, o tratamento pode incluir meses de terapia intensiva, múltiplas cirurgias, alimentação intravenosa por até dois anos e até transplante intestinal. Mesmo com tratamento especializado, aproximadamente um em cada dez bebês não sobrevive.
Para Michael Belfort, responsável pela equipe médica, o resultado alcançado foi excepcional.
“A mãe, o bebê, a cirurgia, o momento da cirurgia, o fato de não termos tido nenhuma complicação durante a cirurgia fetal e após a cirurgia fetal, é simplesmente notável”, afirmou.
Informações do www.noticiasaominuto.com.br

