Pesquisa PoderData/Aya ouviu 2.400 pessoas em todo o território nacional, entre os dias 26 e 29 de julho

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pré-candidato à reeleição, apontou que os Estados Unidos deverão interferir nas Eleições 2026 em favor de seu principal adversário, o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL). “Eles vão tentar interferir aqui, vão tentar ajudar o lado de lá a ganhar as eleições”, afirmou Lula, em entrevista ao podcast Inteligência Ltda, nesta quinta-feira (30).
Após mais de uma hora de bate-papo com o quadrinhista Rogério Vilela, entrevista concedida com exclusividade no Palácio da Alvorada e a primeira do presidente desde o início das convenções partidárias, em 20 de julho, Lula deixou de lado a postura amena adotada até ali para criticar o governo dos EUA. De acordo com o presidente, tanto Donald Trump quanto o seu secretário de Estado, Marco Rubio, já declararam essa posição, mas afirmou não se preocupar.
“Eles querem que a América Latina volte a ser o quintal dos EUA”, disse o presidente. Lula disse ter uma boa relação com Donald Trump, em alusão aos encontros de setembro e outubro de 2025 e, ao mais recente, em 6 de maio. “Eu fui na reunião com o Trump e entreguei quatro documentos para ele: para combater o crime organizado, o narcotráfico, para a questão do comércio e a exploração de terras raras e minerais críticos”, destacou. “[Eu disse] Leve para casa e leia à noite.”
Apesar disso, desde o ano passado, as relações diplomáticas entre EUA e Brasil têm sido marcadas por imposições de tarifas às exportações brasileiras. Sem citar nomes diretamente, Lula voltou a associar o chamado “tarifaço” norte-americano sobre o país ao clã Bolsonaro. “Você veja, os ‘filho’ do Satanás foram para os Estados Unidos trabalhar contra o Brasil”, disse. Em 26 de maio, Flávio e Eduardo Bolsonaro tiveram um encontro extraoficial em Washington.
Perguntado sobre o novo tarifaço, o presidente repetiu que o Brasil adotará o enfrentamento. “Nós vamos combater elas”, declarou. Antes mesmo do dia 23 de julho, quando entrou em vigor a nova lista de produtos com sobretaxa de 25% para exportação aos EUA, o governo federal já havia anunciado um pacote de medidas para mitigar o impacto sobre os setores produtivos nacionais, como o programa Brasil Soberano 2.

