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Exposição na Univasf revela espiritualidade e ancestralidade indígena do Submédio São Francisco

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A exposição está em cartaz no hall da Reitoria.

Entre territórios, espiritualidades e memórias ancestrais, a exposição “Andanças pelo Pluriverso Encantado Indígena no Submédio do São Francisco” transforma o hall da Reitoria da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), em Petrolina (PE), em um percurso sensível pelas vivências dos povos originários do sertão pernambucano. A mostra reúne fotografias e ilustrações do pesquisador e fotógrafo Daniel Freire e está aberta à visitação gratuita até o dia 29 de maio, de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h30.

Resultado de mais de três anos de pesquisa, convivência e caminhadas em territórios indígenas do Submédio São Francisco, o trabalho nasceu durante o percurso de Daniel Freire no doutorado em Design da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), sob orientação da docente do Colegiado de Artes Visuais da Univasf, Flora Romanelli Assumpção. A exposição também foi atravessada por experiências pessoais de reencontro com suas raízes ancestrais.

“A exposição surgiu a partir do meu percurso de doutorado em Design na Universidade Federal de Pernambuco, mas também de um retorno pessoal às minhas raízes ancestrais e aos territórios indígenas do Submédio do São Francisco”, explica Freire. Segundo ele, muitas experiências vividas ao longo da pesquisa não poderiam ser traduzidas apenas pela escrita acadêmica. “A fotografia e a ilustração apareceram como formas de escuta e expressão desses encontros com os territórios, as espiritualidades e as memórias familiares”, afirma.

Ao percorrer a exposição, o público encontra imagens que revelam diferentes atmosferas do sertão: serras que guardam histórias ancestrais, casas solitárias iluminadas pelo pôr do sol e corpos em movimento durante manifestações culturais e espirituais. Mais do que registros documentais, as fotografias convidam à contemplação e ao reconhecimento da diversidade de modos de existir presentes nos territórios indígenas do Vale do São Francisco.

As imagens retratam vivências junto aos povos originários de Itacuruba, Pankará Serrote dos Campos, Tuxá Pajeú e também experiências de acolhimento junto ao povo Pankararu, em Tacaratu, todos localizados em Pernambuco. Entre paisagens do sertão, rituais, vestimentas tradicionais e registros marcados pela presença simbólica dos Encantados, a mostra constrói um diálogo entre território, memória e identidade.

O processo de produção das fotografias aconteceu de maneira orgânica, acompanhado pelas experiências do pesquisador dentro das comunidades indígenas. “Muitas fotografias nasceram durante vivências, conversas, caminhadas e momentos de partilha dentro dos territórios”, relata Daniel Freire. Para ele, o trabalho permanece em movimento, acompanhando também seu próprio processo de aprendizado e retomada junto aos povos originários.

Com a mostra, Daniel Freire espera provocar reflexões sobre a riqueza cultural e espiritual dos povos indígenas do sertão pernambucano e sobre dimensões que ainda permanecem invisibilizadas. “Desejo que o público perceba que existem muitas formas de compreender o mundo, a natureza e as existências de Seres, e que esses conhecimentos continuam vivos, presentes e em constante resistência”, destaca.

A exposição “Andanças pelo Pluriverso Encantado Indígena no Submédio São Francisco” tem incentivo do Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura (Funcultura), do Governo do Estado de Pernambuco, e conta com o apoio da Diretoria de Arte, Cultura e Ações Comunitárias (DACC), vinculada à Pró-Reitoria de Extensão da Univasf.

Informações Reitoria da UNIVASF