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Recife recebe congresso que debate estudo que amplia resposta ao tratamento do câncer gástrico e reduz risco de morte

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O V Congresso Brasileiro de Câncer Digestivo (ONCOGI 2026), da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) reúne especialistas pela primeira vez no nordeste para discutir avanços em imunoterapia, transplante hepático e novas estratégias no cuidado aos tumores gastrointestinais. Destaque para estudo que mostra como o aumento da resposta completa ao tratamento do câncer gástrico de 7% para 19% e redução de 29% no risco de recorrência ou morte. Informações em https://www.oncogi2026.com.br

Recife será palco de um dos principais encontros da oncologia digestiva no país entre os dias 30 de abril e 2 de maio de 2026. O V Congresso Brasileiro de Câncer Digestivo ONCOGI 2026, promovido pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), ocorre pela primeira vez no Nordeste, reunindo especialistas brasileiros e internacionais para discutir estudos recentes que vêm modificando a forma de tratar tumores do aparelho digestivo, com impacto direto nas chances de cura e na sobrevida dos pacientes. Entre os destaques está o estudo MATTERHORN, considerado um dos mais relevantes da atualidade no tratamento do câncer gástrico e da junção esofagogástrica. Pela primeira vez, a combinação de imunoterapia com quimioterapia antes e depois da cirurgia mostrou resultados capazes de redefinir o padrão de cuidado.

Os dados indicam que a taxa de desaparecimento completo do tumor antes da cirurgia aumentou de 7% para 19%. Também foi observada redução de 29% no risco de recorrência da doença ou de morte. O resultado aponta para um avanço relevante em um cenário historicamente associado à maior complexidade terapêutica. O estudo será debatido no dia 1 de maio às 14h, dentro da programação dedicada ao câncer gástrico, em sessão que reúne especialistas nacionais e internacionais para discutir a aplicação prática desses resultados no tratamento dos pacientes.

Transplante hepático amplia sobrevida em câncer colorretal avançado

Outro tema central do congresso é o estudo TRANSMET, que avaliou o papel do transplante de fígado em pacientes com câncer colorretal com metástases restritas ao fígado e sem possibilidade de ressecção cirúrgica. Os resultados mostram diferença expressiva entre as estratégias avaliadas. A sobrevida global em cinco anos foi de 9% no grupo tratado apenas com quimioterapia. No grupo submetido ao transplante hepático associado à quimioterapia, a sobrevida chegou a 73%. O dado indica mudança relevante na abordagem desses casos. O transplante passa a ser considerado uma alternativa com intenção curativa para pacientes criteriosamente selecionados.

De acordo com o cirurgião oncológico Paulo Henrique Fernandes, presidente da SBCO, evidências como essa reforçam o papel da cirurgia no tratamento do câncer e ampliam as possibilidades terapêuticas. Ele destaca que cenários antes considerados exclusivamente paliativos passam a ser revistos à luz de novos dados científicos, o que exige discussão qualificada e critérios rigorosos na seleção dos pacientes. O tema será discutido em sessão de casos clínicos no dia 2 de maio às 8h40, com apresentação do especialista internacional Rajeevan Philip Sridhar, da Índia.

Imunoterapia passa a integrar tratamento curativo no câncer de cólon

O congresso também traz ao debate o estudo ATOMIC, publicado em março de 2026 no The New England Journal of Medicine, que avaliou a adição de imunoterapia ao tratamento padrão após cirurgia em pacientes com câncer de cólon estágio III. Os resultados mostraram redução de 50% no risco de recorrência da doença ou de morte. A sobrevida livre de doença em três anos foi de 86,4% entre os pacientes que receberam imunoterapia e de 76,6% entre aqueles tratados apenas com quimioterapia.

O achado reforça uma mudança importante na prática clínica. A imunoterapia passa a ser considerada também em cenários com intenção curativa, especialmente em tumores com características genéticas específicas, o que amplia a importância da realização de testes moleculares no momento do diagnóstico. A discussão do tema integra as sessões científicas dedicadas ao câncer colorretal ao longo da programação do congresso.

Novo padrão de tratamento no câncer de esôfago

Outro estudo em destaque é o ESOPEC, que comparou estratégias no tratamento do adenocarcinoma de esôfago e da junção esofagogástrica. Os dados mais recentes indicam superioridade da quimioterapia perioperatória com o esquema FLOT em relação à quimiorradioterapia pré-operatória. A sobrevida global média foi de 66 meses no grupo tratado com FLOT e de 37 meses no grupo submetido à outra estratégia. O resultado reforça a importância do controle sistêmico da doença e consolida uma mudança no padrão de tratamento, com impacto direto na prática clínica e no prognóstico dos pacientes. O estudo será abordado nas sessões dedicadas aos tumores esofágicos e esofagogástricos.

Temas gerais do congresso

O congresso terá ainda o bloco “Desafios das Políticas Públicas na Oncologia Digestiva: estratégias para redução do tempo de diagnóstico e ampliação do acesso ao tratamento” que acontecerá no dia 02/05 às 11h. A sessão contará com a moderação de Iran Costa , além da participação do Paulo Henrique de Sousa Fernandes, Guacyra Magalhães Pires Bezerra e Arimatheus Silva Reis. O encontro trará análise sobre a organização da rede pública e discutir possibilidades para combater desigualdades regionais de acesso ao tratamento e propostas para tornar o sistema mais ágil, eficiente e acessível no cuidado aos pacientes com cânceres do trato digestivo.

A programação contempla os principais eixos da oncologia digestiva. Entre os temas estão tumores esofágicos e esofagogástricos, tumores gástricos, tumores hepáticos e metástases, câncer de pâncreas e tumores neuroendócrinos. Também fazem parte da agenda sarcomas e GIST, diretrizes e protocolos clínicos, tecnologias e inovação no combate ao câncer gastrointestinal, além de tumores colorretais e tumores do reto.

Convidados internacionais ampliam intercâmbio científico

A programação internacional reúne especialistas de diferentes centros de referência, ampliando o intercâmbio de conhecimento e trazendo ao debate experiências aplicadas em diferentes sistemas de saúde. A cirurgiã Carolyn Nessim integra o The Ottawa Hospital e a University of Ottawa, no Canadá, e participa de sessões sobre HIPEC e imunoterapia no câncer gástrico. O cirurgião Franco Roviello, da University of Siena, na Itália, apresenta avanços em cirurgia robótica e técnicas minimamente invasivas. O chileno Enrique Lanzarini, da Universidad de Chile e do Hospital Regional de Talca, aborda o uso da fluorescência em cirurgia. Rajeevan Philip Sridhar, do Christian Medical College, em Vellore, na Índia, conduz discussões sobre cirurgia colorretal, incluindo aulas no dia 2 de maio entre 8h50 e 9h. Subbiah Shanmugam, da Indian Association of Surgical Oncology, contribui com debates sobre casos complexos em cirurgia digestiva. O francês Henri Bismuth participa com aula magna sobre cirurgia hepatobiliar e transplante hepático.

Na avaliação do cirurgião oncológico Mário Rino, presidente da Comissão Organizadora do congresso, o evento foi estruturado para refletir esse momento de transformação da oncologia digestiva e sua aplicação prática. “Nós sabemos que a oncologia digestiva segue em constante evolução e isso faz parte do dia a dia das discussões multidisciplinares, que hoje incorporam medicina de precisão, terapias integradas, inteligência artificial e robótica. Mas é fundamental discutir como todas essas tecnologias serão aplicadas na ´vida real´ dos pacientes. Essa transformação exige atualização constante, debate entre especialistas e análise de casos reais. O ONCOGI 2026 foi pensado para reunir grandes nomes da oncologia digestiva, do Brasil e do exterior, com o objetivo de discutir não apenas os avanços científicos, mas o impacto direto dessas mudanças na condução dos pacientes”, afirma.

Serviço

Evento: V Congresso Brasileiro de Câncer Digestivo (ONCOGI 2026)
Realização: Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica
Data: 30 de abril a 2 de maio de 2026
Local: Centro de Eventos do Shopping RioMar
Endereço: Avenida República do Líbano, 251, bairro Pina, Recife, Pernambuco
Informações e inscrições https://www.oncogi2026.com.br/
Inscrição para cobertura de imprensa: enviar nome completo e veículo para Moura / Bárbara (moura@sensucomunicacao.com.br/barbara@sensucomunicacacao.com.br

Sobre a SBCO – Fundada em 31 de maio de 1988, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) é uma entidade sem fins lucrativos, com personalidade jurídica própria, que agrega cirurgiões oncológicos e outros profissionais envolvidos no cuidado multidisciplinar ao paciente com câncer. Sua missão é também promover educação médica continuada, com intercâmbio de conhecimentos, que promovam a prevenção, detecção precoce e o melhor tratamento possível aos pacientes, fortalecendo e representando a cirurgia oncológica brasileira. É presidida pelo cirurgião oncológico Paulo Henrique Fernandes (2026-2028).

Informações à Imprensa:

SENSU Consultoria de Comunicação

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