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“O dia em que o rock morreu”: os 30 anos do fim dos Mamonas Assassinas

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Especial do Correio mostra cobertura dos últimos passos da banda em vida, em Brasília, e acidente aéreo fatal na Serra da Cantareira que findou trajetória meteórica

Membros da banda Mamonas Assassinas batem continência em forma de agradecimento aos presentes durante último show do grupo, em Brasília -  (crédito: Tina Coelho/CB/D.A Press)

Luto, lágrimas e confusão. Assim foi o desfecho daquele 2 de março de 1996. Era fim da noite de um sábado. Às 23h30, o avião que carregava os cinco integrantes da banda paulistana de rock, os Mamonas Assassinas, além de quatro outras pessoas, se chocou contra a Serra da Cantareira, ao norte da cidade de São Paulo. O retorno foi impedido por um erro de planejamento da aterrissagem. Assim, a trajetória do conjunto formado em Guarulhos apenas um ano antes chegou ao fim.

Dinho, Bento Hinoto, Samuel Reoli, Júlio Rasec e Sérgio Reoli voltavam para casa para passar férias. Seria o início do período de descanso após oito meses da turnê de lançamento do primeiro e único disco do conjunto — de nome homônimo ao do grupo. Naquela mesma noite, 4 mil pessoas estiveram no Mané Garrincha para acompanhar o show de encerramento da tour, que rodou o país. Aquela veio a ser a performance final dos Mamonas.

Na sexta-feira, dia 1º de março, o conjunto se apresentou em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, durante o dia. À noite, foram a Piracicaba, no interior paulista. Na manhã seguinte, fizeram uma breve pausa em casa, em Guarulhos, antes de voar para Brasília. O pouso na capital ocorreu às 18h20. O quinteto chegou ao Mané Garrincha apenas 40 minutos depois. “‘Esse é o nosso último show!’, gritaram juntos, de mãos dadas, minutos antes de subirem ao palco, às 19h50”, conforme destacou a reportagem, à época.

Com uma continência, saudaram a plateia presente no local para assistir à derradeira performance. “Os super-heróis da criançada desapareceram tragicamente. Vão deixar saudades e tristeza nos mais novos. Eles terão que aprender mais cedo do que se esperava a enfrentar o lado ruim da vida: a morte”, destacou a reportagem do Correio.
Houve ainda um tumulto no cemitério e revelações sobre o acidente aéreo. Naquela segunda-feira de luto, milhares de fãs passaram mal com o calor excessivo em Guarulhos durante a tentativa de acompanhar o funeral de perto. A cerimônia de enterro foi limitada a familiares e pessoas mais próximas dos músicos. A confusão foi grande. Alguns dos próprios integrantes da família não conseguiram entrar no Cemitério Primaveras I.

Líder da banda, Dinho afirmou, de acordo com a reportagem, às vésperas da ida à Brasília, que estava descontente com a escolha de voar no avião Learjet 25D, de prefixo PT-LSD. Nos três meses anteriores à tragédia, os Mamonas fizeram todas as viagens a bordo do avião West Wind, pilotado pelo experiente comandante José de Faria Pereira Sobrinho, de 73 anos.

Em entrevista ao Correio, o piloto afirmou acreditar que Jorge Luiz Germano Martins, no comando do meio de transporte, cometeu uma falha. “Pelo que percebi, o piloto estava embalado e alto demais e não teria executado a aproximação correta do aeroporto, além de errar no momento da arremetida. Pode ter sido falta de experiência”, explicou. Dessa maneira, formou-se a tragédia. “A piada não tem mais graça. Os Mamonas Assassinas se foram tão rápido quanto apareceram”, destacou a reportagem durante a cobertura.

(Correio Brasiliense)