Especial do Correio mostra cobertura dos últimos passos da banda em vida, em Brasília, e acidente aéreo fatal na Serra da Cantareira que findou trajetória meteórica

Luto, lágrimas e confusão. Assim foi o desfecho daquele 2 de março de 1996. Era fim da noite de um sábado. Às 23h30, o avião que carregava os cinco integrantes da banda paulistana de rock, os Mamonas Assassinas, além de quatro outras pessoas, se chocou contra a Serra da Cantareira, ao norte da cidade de São Paulo. O retorno foi impedido por um erro de planejamento da aterrissagem. Assim, a trajetória do conjunto formado em Guarulhos apenas um ano antes chegou ao fim.
Dinho, Bento Hinoto, Samuel Reoli, Júlio Rasec e Sérgio Reoli voltavam para casa para passar férias. Seria o início do período de descanso após oito meses da turnê de lançamento do primeiro e único disco do conjunto — de nome homônimo ao do grupo. Naquela mesma noite, 4 mil pessoas estiveram no Mané Garrincha para acompanhar o show de encerramento da tour, que rodou o país. Aquela veio a ser a performance final dos Mamonas.
Na sexta-feira, dia 1º de março, o conjunto se apresentou em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, durante o dia. À noite, foram a Piracicaba, no interior paulista. Na manhã seguinte, fizeram uma breve pausa em casa, em Guarulhos, antes de voar para Brasília. O pouso na capital ocorreu às 18h20. O quinteto chegou ao Mané Garrincha apenas 40 minutos depois. “‘Esse é o nosso último show!’, gritaram juntos, de mãos dadas, minutos antes de subirem ao palco, às 19h50”, conforme destacou a reportagem, à época.
Líder da banda, Dinho afirmou, de acordo com a reportagem, às vésperas da ida à Brasília, que estava descontente com a escolha de voar no avião Learjet 25D, de prefixo PT-LSD. Nos três meses anteriores à tragédia, os Mamonas fizeram todas as viagens a bordo do avião West Wind, pilotado pelo experiente comandante José de Faria Pereira Sobrinho, de 73 anos.
Em entrevista ao Correio, o piloto afirmou acreditar que Jorge Luiz Germano Martins, no comando do meio de transporte, cometeu uma falha. “Pelo que percebi, o piloto estava embalado e alto demais e não teria executado a aproximação correta do aeroporto, além de errar no momento da arremetida. Pode ter sido falta de experiência”, explicou. Dessa maneira, formou-se a tragédia. “A piada não tem mais graça. Os Mamonas Assassinas se foram tão rápido quanto apareceram”, destacou a reportagem durante a cobertura.

