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Trinta anos após morte, a voz de Gonzaguinha continua ecoando forte em busca de justiça social

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Gonzaguinha e Gonzagão – Pai e filho

Há exatos 30 anos, um acidente de carro no Paraná levou a vida de Gonzaguinha, autor e intérprete de alguns dos maiores sucessos da música popular brasileira.

Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior, era um homem de hábitos simples, avesso a estrelismos. Inteligente, dono de uma personalidade forte. Poeta, compositor. Artista de poucas parcerias, Gonzaguinha geralmente escrevia letra e música sozinho.

No início de sua carreira, nos anos 1970, Gonzaguinha era perseguido pelo Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) por criar músicas de protesto ao regime militar. Com isso teve muitas de suas composições censuradas.

Entre as criações mais marcantes deste período está “Comportamento Geral”, de 1972. A letra, que permanece atual, revela desigualdades sociais e, a partir de forte ironia, demonstra o processo de submissão de muitos em benefício de poucos. No ano em que a morte do compositor completa 30 anos, o Instituto Claro fez uma análise de sua icônica canção.

“Ela não é necessariamente uma crítica política, mas também é uma baita crítica social em relação à estruturação da sociedade, porque fala do dia a dia do brasileiro, da questão do trabalhador”, afirma o jornalista cultural Pedro Henrique Pinheiro.

A atualidade da música é comprovada por dezenas de gravações recentes de Elza Soares, Ney Matogrosso, Liniker, Xênia França, entre outros. Pinheiro destaca a versão do rapper Criolo, em edição do Prêmio da Música Brasileira, de 2016.

“Eu lembro que gerou muita aclamação na época, por ele dar um corte no eu lírico que o Gonzaguinha criou, falando que ‘não tá certo’. Eu acho que essa agressividade que ele colocou foi bem importante, até para as pessoas que talvez não entendessem a letra, terem uma nova visão sobre aquilo. No final das contas, é uma música que consegue ter um sentido amplo para as minorias”.

O filho de Gonzaguinha, Daniel Gonzaga diz que o pai dá voz às classes populares em versos irônicos, como “você deve lutar pela xepa da feira e dizer que está recompensado”.

“É uma música que eu considero muito a cara do Gonzaga, porque o Gonzaga é um autor muito cotidiano. E ele conseguiu perceber naquele momento o que nós estamos percebendo hoje, que o Brasil não muda. Não muda suas esferas de poder, não muda em termos das suas ‘castas’, dos diálogos das suas oligarquias com suas classes menos abastadas”, diz.

Para a família, atemporalidade, originalidade, autenticidade e o talento justificam quando se diz que Gonzaguinha contina vivo. “Ele criou canções poderosas, algumas cheias de cobranças para dias melhores pra todo mundo. E nunca se distanciou das necessidades do povo. Era verdadeiro em tudo e por isso as pessoas cantam e amam tudo o que fez”, avalia Louise Martins, a Lelete, viúva de Gonzaguinha.

“São um retrato dos dias atuais. Parece que Gonzaga acabou de fazer”.

Daniel Gonzaga, músico, acredita que fatores múltiplos explicam por que o pai está mais vivo do que nunca. “Ele era um compositor de mão cheia; aliás, um dos mais importante da sua geração. Sua obra é eterna, vigente”, frisa. Responsável pela Moleque Editora, Daniel destaca a ação “técnica” de tentar desvinculá-lo de esquerda ou direita.

“Não há um artista tão democrático como ele, mas não significa que possa ser chamado de isento. Quem o conheceu sabe de suas convicções, o que defendia. É bacana perceber que, após quase 30 anos de sua morte, Gonzaguinha é mais presente do que muitos artistas que ainda estão aí”.

Ele acentua o perfil contemporâneo do trabalho de Gonzaguinha e diz ser impossível dissociá-lo da política. “Todas essas questões de esperança, de dias melhores, tudo está ali nas músicas dele. Você vê temas sociais, a luta por melhores condições de vida, recorrentes na vida do brasileiro e na obra dele”.

O cantor e compositor de música brasileira, Daniel Gonzaga é dono de uma forte personalidade e estilo que aparecem em suas composições e interpretações. Filho de Gonzaguinha e neto de Luis Gonzaga, sempre esteve envolvido com música. Hoje, sem se preocupar nem um pouco com o poder do monopólio dos meios de comunicação, que não valoriza a boa música brasileira, ele segue com a carreira e sendo um dos frutos de Gonzaguinha.

Redação redeGN Foto Arquivo