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Mulheres se articulam para marcar posição por maior atuação política

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Bancada delas prepara atos em protesto contra a sub-representação na Câmara e manobras partidárias que as escanteiam das eleições e das decisões nas legendas. Brasil tem um dos piores índices da participação feminina

Campanha chamará a atenção para o fato de que, desde 1934, o número de mulheres eleitas deputadas não preenche as 513 cadeiras da Casa -  (crédito: Evandro Éboli/CB/D.A Press)

Com a proximidade do Dia Internacional da Mulher, em 8 de março, a bancada feminina da Câmara dos Deputados prepara uma série de atos e a exposição “Mulheres no Poder”, para lembrar a desigualdade de gênero no espaço político. O material a ser exibido, ainda em montagem, vai expor também questões atuais, como a exploração delas nas chapas dos candidatos, o uso das candidatas “laranjas” — que apenas têm seus nomes utilizados pelo homens para completar cotas — e ainda orientam aos que passam pelo corredor a não compartilharem fake news contra as mulheres que desejarem entrar na política.

Alguns dados serão lembrados e acentuados: somadas as mulheres que ocuparam uma cadeira na Câmara desde 1934 (335 ao todo), não totalizam número suficiente das vagas de uma única legislatura — são 513 os deputados. Já o total de homens eleitos nesse mesmo período chega a 7.568, o equivalente a quase 15 plenários. O ano de 1934 não foi escolhido à toa: trata-se de quando conquistaram o direito de serem votadas no Brasil.

Entre os dados reunidos, a exposição lembrará que os brasileiros elegeram 4.750 prefeitos (87,9%) e 651 prefeitas (12,1%), em 2022. Destas, apenas nove administram grandes cidades, e uma foi eleita para capital. Em mais de 1,8 mil cidades, apenas uma mulher conquistou a cadeira de vereadora. Em outras 958, nenhuma outra mulher foi escolhida para ocupar vaga nas câmaras municipais. Mesmo sendo 28% da população, as negras estão à frente de apenas 4% dos municípios como prefeitas.

Oportunidades

Na apresentação, as curadoras afirmam que mulheres, pessoas negras, indígenas e LGBTQIAP precisam ter as mesmas oportunidades para acessar o poder e o exercerem. “No caso das mulheres, a luta por direitos políticos data de tempos imemoriais. No Brasil, a sub-representação feminina sempre foi constante, seja no período colonial, no império ou na república. As mulheres apenas alcançaram a garantia de votar e de serem votadas há menos de um século”, lembram na apresentação as curadoras Ana Cláudia Lustosa, Samay Gomes e Yasmin Loureiro, que atuam na Secretaria das Mulheres da Câmara.

Brasil elegeu 91 deputadas federais em 2022, o maior número de representantes femininas até hoje. Porém, dados da União Interparlamentar — organização internacional que cataloga dados sobre composição nos poderes legislativos nacionais de todo o mundo — mostram que o Brasil aparece com a maior desigualdade de gênero da América do Sul.

Essas 91 deputadas federais em exercício atualmente representam apenas 17,5% dos 513 integrantes da Câmara. Tal percentual é menos da metade da proporção de deputadas femininas na Bolívia (46%), no Equador (43%) e na Argentina (42%).