Home Sem categoria Elas contam como desbravaram áreas tradicionalmente ocupadas por homens na indústria

Elas contam como desbravaram áreas tradicionalmente ocupadas por homens na indústria

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Neste mês das mulheres, conheça as histórias de Néia, motorista de caminhão; de Jessica, operadora de alto forno; e de Rhayssa, gerente-executiva, colaboradoras da Aperam

Pesquisa realizada pela multinacional italiana de recursos humanos Gi Group em 2023 mostra que 58% das indústrias devem aumentar a contratação de mulheres no Brasil nos próximos cinco anos, o maior índice entre os seis países pesquisados (China, Alemanha, Itália, Polônia, Brasil e Reino Unido).

Na Aperam South America, esse é um movimento que já existe há alguns anos e será intensificado. Desde 2021, quando lançou seu Programa de Inclusão com Diversidade, a empresa não só tem aumentado a contratação de mulheres como tem buscado impulsionar a presença delas em cargos de liderança e com isso fortalecer a equidade de gênero em posições tradicionalmente só ocupadas por homens.

“Ao longo desses anos na Aperam BioEnergia, fui estagiária, supervisora, coordenadora e, posteriormente, gerente executiva. Ao longo de minha trajetória, sempre tive muito orgulho e gratidão por trabalhar na empresa”, afirma a gerente executiva de Logística e Processos Administrativos da BioEnergia, Rhayssa Lawanna Pinheiro Ferreira Caires.

A BioEnergia é a empresa do grupo Aperam no Brasil que produz energia renovável, no Vale do Jequitinhonha, para abastecer a usina siderúrgica de Timóteo, no Vale do Aço mineiro.

Rhayssa lembra que a busca pela equidade de gênero é um compromisso global da Aperam, que vem executando diversos programas e ações que propõem a reflexão sobre como ampliar a participação de mulheres em todas as áreas e cargos. “A empresa tem buscado fomentar políticas internas factíveis para que a isonomia entre homens e mulheres seja uma realidade no médio prazo. Toda mudança cultural é um grande desafio e estamos prontos para essa jornada”, afirma a executiva.

Isso significa, por exemplo, ir atrás de colaboradoras dispostas a ocupar posições historicamente dominadas por eles, como motorista de caminhão. Foi assim com Gesinéia Costa Azevedo, 31 anos, que se tornou a primeira condutora de carreta do grupo, há dois anos. Ela também foi contratada pela BioEnergia, em Capelinha.

Se por um por um lado a empresa buscava diversificar seu time, por outro, Gesinéia, que sempre gostou de desafios, havia acabado de concluir a habilitação na categoria E – ela dava aulas de direção em uma autoescola de Capelinha.

“Eu não pensava em ser motorista de caminhão. Tirei a carteira porque queria melhorar meu currículo e já trabalhava em autoescola”. “Néia” conta que muitas pessoas falaram que ela não iria conseguir, porque tratava-se de uma profissão de “homem”.

“Estou muito orgulhosa por poder exercer uma função que é, em sua maioria, executada por homens, e o meu sentimento de gratidão vem do fato de a Aperam BioEnergia ser uma empresa em que todos da minha região têm o desejo de trabalhar. E agora eu consegui! Estou muito feliz em poder representar as mulheres nessa área”, comemora. Ela dá um conselho para outras mulheres. “Gostaria de dizer para outras meninas que buscam posições tidas como masculinas que sigam em frente. Não desistam diante do preconceito. Não existe trabalho que é só para homem ou só para mulher. Você consegue”, ensina.

 

Jessica Fernandes Carvalho Sudário, 33 anos, também trabalha na Aperam, mas na siderúrgica de Timóteo (MG), em uma função que ainda hoje, segundo ela, “muitos dizem ser para homem”. Ela foi a primeira forneira da empresa – do alto forno 2 da usina, onde as temperaturas costumam bater os 1000 graus -, e se diz feliz porque agora tem duas colegas na mesma função.

“O apoio da Aperam para que eu pudesse conquistar o meu espaço foi fundamental. Desde tornar a área mais acessível para mim, construindo, por exemplo, banheiro feminino, a promover uma mudança de mentalidade junto aos colaboradores homens”. Assim como sua colega do Jequitinhonha, Jessica aconselha mulheres que buscam seus espaços que não desanimem diante do machismo. “Essa é uma mudança cultural, leva tempo, por isso precisamos persistir”.