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De vilão a mocinho: amendoim é capaz de reduzir o risco de depressão, aponta novo estudo; entenda

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Punhado de 30g de nozes por dia foi vinculado a melhora na saúde mental, dizem pesquisadores

Além do amendoim, algumas nozes também foram citadas no estudo: castanhas-do-paráamêndoas avelãs, por exemplo. De composição semelhante, estes alimentos são alimentos ricos em fibrapolifenóis e vitamina E, além de gorduras saudáveis como o ômega-3, apesar de o amendoim ser classificado como leguminosa e as nozes como oleaginosas.

Professor da Faculdade de Enfermagem na Universidade de Castilla-La Mancha e docente permanente da pós-graduação em Saúde Coletiva pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), Arthur Eumann Mesas afirma que os benefícios do amendoim serão atingidos, entretanto, se ele for consumido cru.

— Tudo que a gente atribui efeito benéfico só terá este resultado se for consumido por um longo tempo e de maneira correta. Comer amendoim cru não é a mesma coisa de comê-lo tostado ou tomando cerveja — argumenta o pesquisador, que é um dos autores do estudo.

De acordo com o Ministério da Saúde, a incidência de depressão ao longo da vida está em torno de 15,5% no Brasil. A época mais comum do aparecimento da doença mental é dos 30 aos 40 anos, segundo a pasta. Porém, pode ser identificado em pessoas de qualquer idade.

— Existem remédios para tratar as doenças mentais, mas eles não necessariamente funcionam para todos, devido aos efeitos que são diferentes em cada corpo — diz ele.

Como fazer

Apesar de dizer que o amendoim ou as oleaginosas terão melhor efeito se consumidos de forma crua, Mesas também indica outras formas para ingestão. Segundo ele, é possível que a pessoa com depressão possa incluir os 30g do alimento na dieta diária.

— Se a pessoa misturar (o amendoim e as nozes) numa salada ou colocar junto com o arroz também funciona. Estratégias para o consumo são sempre benéficas. O benefício está presente, porque o que vale são os nutrientes que se está ingerindo — indica. — O que recomendamos é não incluir o alimento com outros elementos que já não fazem bem, como o sal e o óleo.

Ele, no entanto, afirma que apenas esta atitude não será suficiente para a melhora completa:

Os frutos secos sozinhos não fazem mágica
— Arthur Eumann Mesas, professor de enfermagem e saúde pública

Para o tratamento da depressão, além de uma uma dieta saudável, o Ministério da Saúde também aponta a realização de exercícios físicos e a inclusão de atividades prazerosas no dia a dia, rotina de sono regular e o não consumo de bebidas alcoólicas e drogas ilícitas, além de não interromper as consultas médicas e o tratamento sem a devida liberação.

A pesquisa

Os cientistas acompanharam 13,5 mil pessoas, com idades entre 37 e 73 anos, de uma base de dados do Reino Unido, por um período de pouco mais de cinco anos, que terminou em 2020. No momento da seleção, os pacientes ainda não eram diagnosticados com depressão.

Durante o intervalo de observação, foram identificados cerca de 1,1 mil casos incidentes do distúrbio, o que equivale a 8,3% do total. A partir desta base foi considerada a alimentação dos pacientes.

Identificado como sendo de 30g por dia, o consumo moderado de amendoim e nozes foi associado a um risco 17% menor de depressão em comparação com os demais que não comiam esses tipos de alimentos. Para o estudo, os pesquisadores afirmaram que não consideraram o estilo de vida das pessoas analisadas.

— Por mais que haja outros avanços significativos, sentimos que estamos contribuindo para amenizar esse problema ou até tratá-lo — afirma Mesas. — A sensação é que estamos ajudando outras pessoas ainda que em pequena medida.

O Globo