Com cerca de 750 mil profissionais e 74 mil imobiliárias no país, segundo o Sistema COFECI-CRECI, a corretagem deixou de ser vista apenas como renda extra e passou a funcionar como alavanca de carreira. Em São Paulo, maior mercado imobiliário do Brasil, trajetória de diretora da incorporadora Helbor mostra como a experiência na ponta da venda pode abrir caminho para cargos de gestão.

Junho, 2026 – A profissão de corretor de imóveis, por muito tempo associada a uma segunda atividade ou a uma alternativa de renda extra, passou a ocupar outro espaço no mercado de trabalho. Em um setor que reúne cerca de 750 mil profissionais e 74 mil imobiliárias no Brasil, segundo o Conselho Federal de Corretores de Imóveis (COFECI), a carreira tem atraído pessoas de diferentes áreas, inclusive figuras públicas, mas também tem funcionado como porta de entrada para cargos executivos em incorporadoras, imobiliárias e empresas ligadas ao setor.
Se antes a imagem do corretor estava mais concentrada na intermediação da compra e venda, hoje a função exige domínio de produto, leitura de comportamento do consumidor e do mercado, noções de financiamento, documentação, legislação, macroeconomia, negociação, marketing digital e relacionamento de longo prazo com clientes.
A trajetória de Larissa Grassi, atual diretora de vendas da Helbor, renomada incorporadora imobiliária de São Paulo com mais de 45 anos de atuação no mercado, mostra essa mudança na profissão. Ela iniciou na corretagem em 2012, aos 18 anos, por influência do pai, que já atuava como corretor. Antes disso, trabalhava em uma empresa da família voltada a cursos e treinamentos em desenvolvimento humano. “A corretagem, para mim, foi uma ponte para prosperar e seguir na carreira executiva”, afirma.
A primeira venda de impacto veio apenas dois meses após o início na profissão, em uma ação comercial no consulado do Grêmio para a venda de um lançamento ao lado da Arena do clube de futebol gaúcho. Anos depois, outra negociação marcou sua trajetória: um casal atendido por dois anos até a decisão de compra voltou a procurá-la sete anos depois para revender o apartamento. Em 2015, aos 22 anos, Larissa vendeu um apartamento de R$ 2,5 milhões em um bairro planejado de Porto Alegre e recebeu uma comissão de R$ 60 mil. Na época, atuava diretamente na ponta da venda. A partir de 2017, passou a migrar para a gestão comercial. Atualmente como Diretora de Vendas, Larissa é responsável por conduzir e intermediar negociações de alto valor no mercado imobiliário. Com ampla experiência no setor, lidera tratativas estratégicas que ultrapassam R$ 100 milhões em investimentos imobiliários em uma única negociação, conectando investidores, incorporadoras e oportunidades de grande relevância no mercado.
Para Larissa, a vivência na ponta da venda foi determinante para a construção da profissional que é hoje. “Começar como corretora me deu uma base que nenhuma formação teórica, sozinha, conseguiria entregar. Eu aprendi a ouvir o cliente, entender objeções, lidar com pressão, estudar produto, construir confiança e enxergar a negociação de forma estratégica. Cada atendimento, cada venda e cada dificuldade ajudaram a formar a executiva que sou hoje. A corretagem foi a base da minha carreira e continua sendo uma escola muito forte para quem quer crescer no mercado imobiliário”, afirma Larissa, que também atua como coordenadora de curso do Instituto Brasileiro de Educação Profissional (IBREP), em São Paulo.
“A atuação como corretor desenvolve competências muito valorizadas no mercado imobiliário, como negociação, leitura do perfil do cliente, visão comercial, repertório técnico e capacidade de lidar com operações complexas. Muitos profissionais começam na venda, passam a entender a dinâmica real do consumidor e, com preparo, chegam a cargos de coordenação, gerência, diretoria ou abrem o próprio negócio. Por isso, a profissão deixou de ser vista apenas como uma alternativa de renda e passou a funcionar também como uma alavanca de carreira”, afirma Diogo Martins, CEO do IBREP.
O executivo reforça que esse avanço aumenta a responsabilidade sobre a formação dos profissionais. Para atuar legalmente, é necessário concluir o curso Técnico em Transações Imobiliárias (TTI), cumprir os requisitos exigidos e obter registro no Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci). Mas, para crescer na carreira, a exigência vai além da habilitação inicial.
“Hoje, não basta ter o registro. O corretor precisa compreender mercado, legislação, crédito, documentação, comportamento do consumidor, ferramentas digitais e negociação. Quanto mais o setor se profissionaliza, mais espaço ganha quem se prepara”, conclui Martins.
Sobre o IBREP
Fundado em 2006, o Instituto Brasileiro de Educação Profissional (IBREP) é referência nacional na formação de corretores de imóveis. Presente em mais de 40 polos no país, o instituto já capacitou milhares de profissionais para atuação no mercado imobiliário. Em dezembro de 2025, recebeu homologação do MEC para manter a primeira Escola Superior Imobiliária do Brasil, com início das graduações e pós-graduações previsto para 2026.

