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Flávio confirma viagem em jato ligado a Vorcaro e explica episódio

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Candidato à Presidência usou aeronave de Vorcaro para voltar dos Estados Unidos em janeiro do ano passado. Pelas redes sociais, senador diz que avião era do advogado Willer Tomaz, investigado no escândalo do INSS

Em julho, Flávio apareceu em vídeo afirmando que não viaja para destinos internacionais e que nunca havia entrado em um avião de Vorcaro - (crédito: Andressa Anholete/Agência Senado e Divulgação)

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, viajou com a família em um jato executivo cujo um dos donos era Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O voo ocorreu em janeiro de 2025, no retorno do parlamentar e da família dos Estados Unidos. A informação foi publicada pela revista piauí. Após a revelação, voltou a circular um vídeo na internet em que o presidenciável havia negado ter utilizado aeronave de Vorcaro.

Na mensagem, o presidenciável ironizou o fato de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ter utilizado a mesma aeronave meses depois. “Ainda bem que na época o avião era de Willer. Imagina se fosse agora, eu teria viajado no avião de Alexandre de Moraes”, escreveu.

A repercussão aumentou depois que usuários das redes sociais resgataram um vídeo gravado em julho deste ano. Na gravação, Flávio aparece ao lado da ex-deputada distrital Júlia Lucy, e afirma que não viaja para destinos internacionais e que nunca havia entrado em um avião de Vorcaro. “Vocês não vão me ver viajando para Londres, Estados Unidos, para Paris, para tudo que é lugar. Nunca entrei em avião do Vorcaro”, declarou.

De acordo com os dados divulgados sobre o deslocamento, Flávio, Fernanda e as duas filhas do casal embarcaram em Fort Lauderdale, na região de Miami, na Flórida, às 12h15 de 19 de janeiro de 2025. O avião pousou em Brasília às 20h01. Registros de entrada e saída da alfândega norte-americana indicam que o senador havia chegado aos Estados Unidos em 27 de dezembro de 2024, por Miami, para passar as festas de fim de ano com familiares e amigos.

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O Legacy 650 é um jato executivo produzido pela Embraer. O modelo tem autonomia para voos de longa distância, capacidade para até 13 passageiros e três tripulantes e dois motores Rolls-Royce AE 3007A2

A aeronave utilizada foi um Legacy 650, da Embraer, prefixo PP-NLR, fabricado em 2012. O modelo tem autonomia divulgada de aproximadamente 7,2 mil quilômetros, velocidade de cruzeiro de cerca de 850 km/h e capacidade para transportar até 13 passageiros.

Além da família Bolsonaro, estava no voo o advogado Willer Tomaz, cujo nome também apareceu no contexto das investigações da Polícia Federal sobre descontos indevidos em benefícios de aposentados do INSS.

A propriedade e a administração do jato estão no centro das explicações apresentadas pelos envolvidos. À época da viagem, a aeronave era operada pela Prime Aviation, empresa ligada a Vorcaro, por meio de um contrato de cessão de 10 anos com a Fraction 024 Administração de Bem Próprio S.A. A Fraction 024 era de propriedade de Marcus Vinícius da Mata, também apontado como ligado ao banqueiro. A estrutura societária envolvia cotistas, entre eles a Prime You, empresa da qual Vorcaro foi sócio, e Willer Tomaz.

O presidenciável disse que tinha a informação de que a aeronave pertencia a Tomaz. O advogado, por sua vez, sustenta que detinha uma cota e que a venda de uma participação de terceiro à Prime You ocorreu sem seu conhecimento ou consentimento. A administração, a titularidade das cotas e a eventual transferência de participações são aspectos distintos da operação.

“Na época, o avião era do Willer, eu tive zero contato com Vorcaro. Fizemos uma viagem em família, mais nada. O avião era dele. Não sabia da cota da empresa (Prime You). Para mim, o avião era do Willer. Qualquer coisa além disso é distorção da realidade”, disse Flávio ao O Globo.

O uso posterior do Legacy 650 por Alexandre de Moraes aconteceu em agosto de 2025. O ministro e sua mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes, utilizaram a aeronave.

Em nota, Willer Tomaz negou conhecer Daniel Vorcaro ou ter mantido qualquer negócio com ele. O advogado afirmou que era titular de uma cota da aeronave e que a negociação de uma participação de terceiro com a Prime You ocorreu sem sua anuência. Segundo a manifestação, ao tomar conhecimento da operação, em abril de 2026, denunciou o contrato e passou a discutir o caso judicialmente com a empresa.

Ligações

Em outra revelação que destaca a proximidade entre Flávio e Vorcaro, reportagem do Estadão mostrou que o senador tentou falar com o banqueiro nos quatro dias que antecederam a primeira prisão do dono do Banco Master, em novembro do ano passado. A informação foi confirmada pelo Correio com fontes da PF envolvidas diretamente nas investigações.

Os registros fazem parte do material extraído do celular de Vorcaro, apreendido quando ele foi preso, em 17 de novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo.

A sequência de contatos começou quatro dias antes. Em 13 de novembro, Flávio enviou uma mensagem pela manhã perguntando se Vorcaro poderia atender. O banqueiro respondeu que retornaria em meia hora. No dia seguinte, o senador voltou a procurar o empresário e fez uma chamada de voz que não foi atendida.

As tentativas continuaram em 15 de novembro. Vorcaro justificou que estava em trânsito e, depois, em um voo. Flávio insistiu e perguntou novamente se o banqueiro poderia atendê-lo.

O diálogo mais incisivo ocorreu no dia 16, véspera da prisão. Após uma nova chamada não atendida, Vorcaro informou que estava na igreja e que telefonaria posteriormente. Foi então que Flávio respondeu: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs”.

No dia seguinte, Vorcaro foi detido pela PF em Guarulhos quando tentava embarcar para o exterior. A prisão ocorreu no âmbito das investigações sobre suspeitas de irregularidades envolvendo o Master.

A PF identificou cerca de três meses de conversas entre os dois, entre 20 de agosto e 16 de novembro de 2025, além de referências a encontros mantidos no período.

Parte dessa relação já havia vindo à tona a partir de outros diálogos extraídos do aparelho de Vorcaro. Entre os assuntos tratados estava o financiamento de Dark Horse, produção audiovisual sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Flávio cobrou R$ 134 milhões do banqueiro para, supostamente, bancar a cinebiografia.

O senador já reconheceu publicamente que mantinha contato com Vorcaro. A relação entre os dois, porém, ganhou peso político à medida que as investigações avançaram e novos diálogos passaram a revelar a frequência das conversas mantidas pelo banqueiro com integrantes da família Bolsonaro.

Em agosto, ao comentar sua relação com o ex-dono do Master, Flávio afirmou que não tinha condições de ajudá-lo em eventuais demandas junto ao governo federal por integrar a oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. (Correio Brasiliense)