Moradores de Caracas reclamam da falta de máquinas para remover escombros e de lentidão no resgate. Voluntários denunciam dificuldade em acessar área devastada, após militarização.

Membros da Polícia Nacional Bolivariana carregam corpos de vítimas dos tremores, em Caraballeda, no estado de La Guaira – (crédito: Federico Parra/AFP)
Vencidas as 72 horas depois do duplo terremoto — de magnitudes 7,2 e 7,5 na escala Richter — que devastou parte da Região Metropolitana de Caracas, as chances de encontrar sobreviventes reduziram-se consideravelmente. Familiares e amigos de vítimas denunciam a lentidão do resgate e a falta de máquinas pesadas para a remoção dos escombros. Os trabalhos dos socorristas também precisam ser suspensos por alguns minutos a cada réplica — até sexta-feira (26/6), mais de 300 tremores secundários tinham sido registrados na Venezuela. Nas redes sociais, multiplicam-se as súplicas por informações sobre desaparecidos, os quais a ONU estima chegarem a 50 mil.

Em meio ao caos e ao desespero, o salvamento de um recém-nascido acendeu uma chama de esperança e foi considerado um milagre. Até o fechamento desta edição, o número de mortos no pior tremor a afetar a Venezuela em 100 anos chegava a 1.430, entre eles, dois brasileiros. Os prejuízos podem chegar a US$ 6,7 bilhões (R$ 34,6 bilhões), o equivalente a 6% do Produto Interno Bruto (PIB) do país petrolífero afetado por grave crise econômica.
Equipes de resgate de México, El Salvador, Brasil, Estados Unidos e França desembarcaram em Caracas. Um quarto avião da Força Aérea Brasileira (FAB) deve decolar, hoje, de Guarulhos (SP) com 35 bombeiros de São Paulo e de Minas Gerais.

Fotografia aérea mostra prédios destruídos na cidade de Catia La Mar, também em La Guaira, uma das mais afetadas pelos abalos(foto: erico Parra/AFP)

