Presentes na rotina dos brasileiros, as duas bebidas estimulam energia e concentração. Especialista explica as diferenças, os efeitos no organismo e os limites seguros de consumo

Tomar uma xícara de café logo pela manhã é um hábito comum para milhões de brasileiros. Já outras pessoas preferem bebidas feitas com guaraná para ganhar energia ao longo do dia. As duas opções são conhecidas pelo efeito estimulante, mas muita gente ainda se pergunta qual delas é mais forte ou mais segura para o consumo diário.
Tanto o café quanto o guaraná têm em comum a presença da cafeína, substância que atua no sistema nervoso central e pode aumentar a sensação de alerta, reduzir o cansaço e melhorar a concentração.
Qual é a quantidade segura de cafeína
Segundo a nutricionista Ana Clara da Cruz Silva, existe um limite considerado seguro para a ingestão diária de cafeína. A recomendação da U.S. Food and Drug Administration é de até 400 miligramas por dia para adultos saudáveis. Esse valor corresponde aproximadamente a três a cinco xícaras de café, dependendo da concentração da bebida.
A nutricionista ressalta que esse limite pode variar em alguns grupos. Gestantes, adolescentes e pessoas mais sensíveis à cafeína devem consumir quantidades menores.
Uma xícara de cerca de 200 mililitros de café costuma conter entre 80 e 100 miligramas de cafeína. A quantidade pode variar conforme o tipo de grão, a torra e o método de preparo. O guaraná também contém cafeína naturalmente. Popularmente, essa substância é chamada de guaranina, mas quimicamente é a mesma molécula presente no café.
A diferença está na concentração. Quando consumido em pó ou em cápsulas, o guaraná pode ter entre dois e cinco por cento de cafeína na composição. Isso significa que pequenas quantidades já podem fornecer uma dose alta do estimulante. Por isso, a nutricionista explica que o consumo de guaraná natural exige atenção maior à quantidade ingerida.
O efeito da cafeína no sono
A cafeína atua bloqueando receptores de adenosina, substância ligada à indução do sono. Com isso, o organismo permanece em estado de alerta por mais tempo.
Estudos mostram que o consumo de cafeína até seis horas antes de dormir já pode interferir na qualidade do sono em pessoas mais sensíveis.
Quando ingerida em excesso, a substância também pode provocar sintomas como ansiedade, irritabilidade e sensação de agitação.
Outro ponto de atenção envolve o sistema cardiovascular. A cafeína pode provocar aumento temporário da pressão arterial e da frequência cardíaca. Isso acontece porque a substância tem efeito vasoconstritor e estimula a liberação de adrenalina no organismo.
O café, além da cafeína, também possui compostos bioativos como polifenóis antioxidantes, associados a possíveis benefícios para a saúde quando consumidos com moderação. O guaraná também apresenta compostos fenólicos, mas em sua forma concentrada pode fornecer doses mais elevadas de cafeína. Por esse motivo, pessoas com doenças cardiovasculares, como arritmias ou cardiomiopatia, devem consumir essas bebidas com cautela.
Diferença entre guaraná natural e refrigerantes
Nem todo produto com sabor de guaraná tem o mesmo efeito no organismo. O guaraná natural em pó ou cápsulas é produzido diretamente a partir da semente da planta e concentra cafeína e compostos bioativos. Já os refrigerantes de guaraná são bebidas ultraprocessadas que geralmente contêm mais açúcar ou adoçantes do que cafeína.
Segundo a nutricionista, o consumo frequente dessas bebidas está mais associado ao aumento da ingestão de açúcar do que aos efeitos da cafeína.
Ana explica que também não existe uma única resposta para essa pergunta. Tanto o café quanto o guaraná podem fazer parte da rotina alimentar quando consumidos com moderação. A principal diferença é que o café costuma ter uma quantidade de cafeína mais previsível por porção, enquanto o guaraná em pó pode apresentar concentrações maiores em pequenas quantidades.
Observar os sinais do próprio corpo também é importante. Sintomas como insônia, ansiedade ou palpitações podem indicar que o consumo de cafeína está acima do que o organismo tolera bem.
Alternar o consumo dessas bebidas com opções sem cafeína, como chás de ervas, sucos naturais e água de coco, pode ajudar a manter o equilíbrio.
A nutricionista complementa que o mais importante é que o consumo seja consciente e faça parte de uma alimentação equilibrada. Quando ingeridos com moderação, tanto o café quanto o guaraná podem oferecer energia e contribuir para a concentração no dia a dia. (Correio Brasiliense)
*Estagiária sob supervisão de Luiz Felipe
