Em meio à crise do Master, o decano e o presidente do STF, Edson Fachin, elogiam o ministro, relator das ações sobre tentativa de golpe

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), recebeu homenagens, nessa quinta-feira, do presidente da Corte, Edson Fachin, e do decano Gilmar Mendes. Moraes, supostamente envolvido no caso Master, completará nove ano de STF no próximo domingo.
Gilmar se comoveu ao falar da atuação de Moraes no inquérito sobre a tentativa de golpe de Estado — que levou à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de militares de alta patente. “Vossa Excelência evitou que caíssemos em um abismo autoritário, onde provavelmente ainda estaríamos vivendo tempos sombrios. O Brasil tem uma dívida com Vossa Excelência”, enfatizou. Emocionado, ele fez uma pausa para tomar um gole de água. “As futuras gerações saberão reconhecê-lo”, disse
“Vossa Excelência, que com ânimo inquebrantável já suportou nesses nove anos tantas atribulações em virtude de sua irretocável, proba e sacrificante atuação, terá força para suportar tantas outras quantas surgirem”, acrescentou.
“Virtude intimorata”
Fachin, por sua vez, também ressaltou a atuação de Moraes, considerada decisiva, na preservação da ordem democrática, e em outros temas. “Ao assumir a cadeira que pertenceu ao saudoso ministro Teori Zavascki, Sua Excelência assumiu também o compromisso que funda este tribunal desde 1988: que a Constituição vale para todos em todo o tempo. Sem exceção”, afirmou o presidente do Supremo.
Ele elogiou a “virtude intimorata” de Moraes ao conduzir inquéritos e ações penais de “excepcional complexidade” sob pressão interna e externa. Segundo Fachin, o ministro garantiu que a Constituição prevalecesse sobre o “poder do momento”.
“A pergunta que esse momento colocou ao Tribunal não foi apenas jurídica, foi uma pergunta sobre caráter institucional. (…) O ministro Alexandre de Moraes respondeu a essa pergunta com sua atuação, demonstrando a virtude intimorata dos magistrados. É a coragem de conduzir o processo até o fim que permite, ao final, que a Constituição valha, e não apenas o poder do momento”, declarou.
Fachin frisou: “São nove anos no exercício da função no mais alto tribunal do país, contribuindo para o fortalecimento de uma Corte eminentemente constitucional em tempos de tamanha complexidade institucional, política e social”.
Moraes agradeceu aos colegas e disse que nunca lhe faltou a força do colegiado. “São nove anos que, às vezes, parecem 90. É quase uma década em que o Brasil passou por grandes atribulações”, disse o magistrado. (Com Agência Estado)
