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Dona Sinhá: 100 anos de fé, amor e resistência sertaneja

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    Araripina-PE em festa!

A felicidade na celebração dos 100 anos
Dona Sinhá e a sua alegria e felicidade na celebração dos 100 anos

No dia 23 de junho de 2025, Araripina-PE parou para homenagear uma de suas figuras mais queridas da cidade: Joana Arraes Lage, ou simplesmente Dona Sinhá, mulher de alma forte, coração sereno e centenária inspiração.

Nascida em 23 de junho de 1925, em São Gonçalo — então distrito de Ouricuri — ela atravessou um século de transformações, deixando sua marca no Sertão do Araripe como mãe, cidadã e mulher de fé.

Maria, Mazola e Aglaé
Missa em ´Ação de Graças` para celebrar os 100 anos, com os seus seis filhos: Airton, Tony, Alexandre, Ana Maria, Mazola e Aglaé

Apesar de não ter tido a oportunidade de estudar, Dona Sinhá criou seu próprio universo de conhecimento por meio dos livros e da poesia. A leitura se tornou seu refúgio e sua janela para o mundo.

Com sabedoria simples e profunda, educou os filhos com valores sólidos e cultivou ao longo da vida uma sensibilidade rara para enxergar beleza nas pequenas coisas.

Foto da década de 90, com o esposo Nadú, o irmão Expedito, o cunhado João Ramos e a filha Aglaé

Mas a história de Dona Sinhá não se escreve sem amor. O destino lhe apresentou um jovem baiano, vindo de Salvador, de nome Arnaldo Lage, conhecido carinhosamente como Nadú.

Foi justamente em uma noite de São João, durante a comemoração de seu aniversário, que os olhares se cruzaram de maneira definitiva. A beleza da sertaneja encantou o visitante, e o clima junino, com as sanfonas de Luiz Gonzaga ao fundo, deu o tom do romance. Ao som de…“Olha pro céu, meu amor..”  nasceu uma paixão que se transformaria em uma parceria de vida duradoura e frutífera.

Sinhá Arraes em 2016

Casaram-se em 6 de janeiro de 1954, e juntos formaram uma família com seis filhos, quinze netos e dezesseis bisnetos, além de empreenderem e desbravarem caminhos por diferentes cidades.

Da capital paulista a Simões e Picos, no Piauí, voltaram em 1975 para fincar raízes de vez em Araripina, onde fundaram a Farmácia Santa Helena, referência na cidade até o ano de 1997.

Além de esposa dedicada e mãe amorosa, Dona Sinhá foi  e ainda é  uma mulher de intensa vivência cristã.

Atuou como zeladora do Sacratíssimo Coração de Jesus, integrou o Grupo Carismático e manteve por toda a vida uma devoção comovente a Nossa Senhora da Conceição, padroeira da cidade. Sua fé tocou tantas pessoas que o Padre Ivan Cândido, conterrâneo e pároco da cidade de Parnamirim-PE, veio especialmente celebrar a missa em ação de graças pelo seu centenário.

A celebração dos seus 100 anos, como não poderia deixar de ser, aconteceu no clima junino que embala sua históri na noite de São João, uma linda festa com a presença calorosa de familiares, amigos e admiradores.

Vieram também mensagens de carinho das muitas cidades por onde ela passou e deixou sua marca.

Hoje, Dona Sinhá recorda com brilho nos olhos o tempo em que São Gonçalo ainda era só uma promessa de cidade. E repete com orgulho a profecia de Frei Damião: “Aqui será uma grande cidade.”

A sertaneja do Araripe construiu uma vida digna, marcada por compromisso com a fé, com a família e com o bem.

O centenário de Dona Sinhá não é apenas uma data, mas um legado vivo de amor, resistência e grandeza interior — um exemplo para as gerações que seguem seus passos e que continuarão a contar sua história por muito tempo.

Chegada triunfal para a missa de 100 anos ao lado da filha Ana Maria
Chegada triunfal para a missa de 100 anos ao lado da filha Ana Maria

                      Parabéns Dona Sinhá! 

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