A manutenção de recomendações sanitárias é fundamental para evitar uma segunda onda. (Foto: Bruna Costa/Esp. DP.)

Pernambuco está preparado para uma segunda onda de infecções pelo novo coronavírus, mas a possibilidade dela acontecer depende única e exclusivamente do bom senso da população em manter as medidas sanitárias e de distanciamento. Esta é a avaliação feita pelo secretário estadual de Saúde, André Longo, ao ser questionado sobre o risco nesta terça-feira (28), tendo em vista que já se observam novos surtos em países como Espanha e China.

“Estamos muito mais bem preparados para a eventualidade de uma segunda onda, depois de termos feito o maior esforço sanitário e logístico da história do estado, com mobilização de equipamentos, tecnologia, recursos humanos, participação das prefeituras. No momento, nada faz crer que teremos uma nova escalada de casos. Mas é preciso, obviamente, do compromisso da sociedade. Temos que seguir os protocolos determinados na medida em que há circulação sustentada no estado e no país. É preciso cautela”, declarou, durante coletiva de imprensa virtual.

André criticou fortemente as aglomerações como as que vêm sendo vistas na Feira da Sulanca, em Caruaru. “São verdadeiramente inaceitáveis, porque podem colocar abaixo todo o esforço de cada pessoa que está buscando fazer o Plano de Convivência dar certo”, lamentou. “Recentemente, tivemos dados positivos no controle da curva e na pressão da rede de Saúde do Agreste. Isso vai nos permitir dar novos passos em relação ao plano, que devemos anunciar na próxima quinta (30). Mas para isso precisamos ter cuidado com o comportamento”, prosseguiu.

Alerta depende de ocupação de UTI

O sinal vermelho se acende quando a taxa de ocupação de leitos de UTI no sistema público se mantém acima de 70%. Embora o boletim desta terça mostre que o índice está em 75%, o secretário ponderou que o total de pessoas internadas – misturando UTI com enfermaria – está em 3.975, o mais baixo desde abril, quando passava da casa dos 6 mil.

Também presente na coletiva virtual, o secretário de Saúde do Recife, Jaílson Correia, explicou que é preciso avaliar a dinâmica da epidemia, para saber se é de fato uma nova onda ou um surto inédito em determinada região. “Pernambuco mesmo é um exemplo disso. Um estado com mais de 800 quilômetros de extensão. Enquanto na Região Metropolitana do Recife há tendência de queda, no Sertão há crescimento de casos. E isso se repete em outros países”, explicou.

secretários de Saúde do Recife, Jaílson Correia, e de Pernambuco, André Longo. (Foto: Reprodução/Governo de Pernambuco.)Secretários de Saúde do Recife, Jaílson Correia, e de Pernambuco, André Longo. (Foto: Reprodução/Governo de Pernambuco.)

“Havendo ondas na mesma localidade, observamos que acontecem quando as medidas de distanciamento são rapidamente esquecidas e colocadas em segundo plano. E isso provoca um efeito rebote, que exige das autoridades puxar o freio e até retroceder para medidas mais rígidas. Essa abordagem que é feita em Pernambuco, gradual, com cuidado e com protocolos, tem sido uma medida de sucesso, no sentido de garantir que a transmissão fique estabilizada em baixa, como acredito ser o caso do Recife”, acrescentou.

Recentemente, as unidades de campanha da capital desativaram leitos de enfermaria. Mas eles podem ser reativados, caso haja necessidade. “Há sempre a possibilidade. Hoje, quando a gente estuda o perfil dos pacientes internados, sabemos que há a segurança de poder desativar temporariamente esses leitos. Se precisar, reativamos, mas não deverá ser necessário, diferente dos leitos de UTI”.

Vacinação

A rede pernambucana de Saúde também está preparada, na visão de André Longo, para a chegada da vacina contra a Covid-19. “Nosso programa estadual de imunização está sempre pronto para absorver novas vacinas. Esperamos de forma muito especial para que esse momento chegue, seja no primeiro semestre de 2021 ou antes”, comentou.

Jaílson Correia analisou como boas as notícias mais recentes sobre a vacina. “São promissoras e estão na fase 3, que é aquela em que se testa em milhares de pessoas para que a gente possa identificar a efetividade. Mas muitas dúvidas ainda precisam ser tiradas nesse processo, como se essas vacinas dão proteção por muito tempo, se precisarão de mais de uma dose, de como será a distribuição pelo mundo. Mas tendo a vacina, teremos capacidade de promover uma grande campanha de imunização”, pontuou.(Diário de Pernambuco)

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui