Pandemia fará pobreza extrema dobrar no Brasil e ameaça democracia ...
Alex Tajra, do UOL, em São Paulo

A pandemia do novo coronavírus deve fazer com que a extrema pobreza dobre no Brasil, chegando a ameaçar o regime democrático. A análise consta de um novo informe produzido pela ONU (Organização das Nações Unidas) e que revela que o tombo no PIB (Produto Interno Bruto) latino-americano será de 9,1%, o maior em um século.

De acordo com a avaliação da entidade publicada nesta quinta-feira, o Brasil deve terminar 2020 com 9,5% na condição de pobreza extrema. Essa taxa era de 5% em 2019. A extrema pobreza é considerada quando um indivíduo ganha menos de US$ 67 (R$ 353) por mês.

“A covid-19 resultará na pior recessão registrada na região em um século, provocando uma contração de 9,1% no PIB regional em 2020. Isso pode aumentar o número de pobres em 45 milhões de pessoas — para um total de 230 milhões — e o número de pessoas extremamente pobres em 28 milhões, para um total de 96 milhões”, diz o informe da ONU.

Isso representa também um risco para o sistema político. “Numa região que experimentou um número significativo de crises políticas e protestos em 2019, o aumento das desigualdades, da exclusão e da discriminação no contexto da covid-19 afeta adversamente o desfrute dos direitos humanos e dos avanços democráticos, podendo mesmo provocar distúrbios sociais se não for abordado”, indicou.

O documento foi publicado pelo colunista e correspondente do UOL Jamil Chade. “Os custos da desigualdade na região tornaram-se insustentáveis”, diz o texto. “A resposta requer um reequilíbrio do papel do Estado, do mercado e da sociedade civil na formulação de políticas, ênfase na transparência, maior prestação de contas e inclusão para apoiar a democracia.”

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