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Os 7 hábitos que aceleram o envelhecimento da pele

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Apenas usar protetor solar não é suficiente para cuidar da saúde da pele. Confira sete práticas nocivas para o órgão que devem ser evitadas. Foto: André Mello / O Globo

RIO — O maior órgão do humano é também o maior espelho da idade. A pele responde por cerca de 15% do peso corporal e começa a dar sinais de envelhecimento por volta dos 25 anos de idade. As primeiras marcas, com linhas finas, despontam ao redor dos olhos. Com o tempo, surgem as rugas e a flacidez. A boa notícia é que a beleza e a integridade estrutural da pele não dependem só da genética e é possível interferir no processo.

— Tem uma parte do desgaste que é cronológica e outra associada fortemente aos hábitos de vida. Então todo mundo, independentemente do tipo de pele, pode envelhecer mais rápido e de maneira pior se não se cuidar — explica o dermatologista da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Egon Daxbacher.

E, se há bem pouco tempo acreditava-se que o uso diário de protetor solar era suficiente para protegê-la, hoje a ciência mostra que não é bem assim. Apesar de o protetor ser indispensável, existem práticas diárias comuns no dia a dia que deveriam ser evitadas. Não saber qual o seu tipo de pele na hora de cuidá-la, alimentação errada e banho quente são alguns dos hábitos que podem acelerar o envelhecimento.

Alterar alguns costumes causa efeito nas duas camadas principais da pele – na epiderme (a mais externa) e na derme. A primeira é a que mais se expõe a atritos e lesões. A segunda é a que contém as fibras, como o colágeno e a elastina, que dão a elasticidade e a resistência. A seguir, as sete atitudes mais nocivas.

1. A falta de sono

Uma boa noite de sono também é indispensável para cuidar da pele, pois é quando nosso sistema imunológico é fortalecido e o corpo combate o envelhecimento das células. Foto: André Mello / O Globo
Uma boa noite de sono também é indispensável para cuidar da pele, pois é quando nosso sistema imunológico é fortalecido e o corpo combate o envelhecimento das células. Foto: André Mello / O Globo

A expressão “o sono da beleza” não é em vão. É durante uma noite de descanso que o corpo exerce funções como fortalecimento do sistema imunológico e combate ao envelhecimento das células.

Também quando dormimos, a pele produz mais colágeno, o que retarda a formação de linhas de expressão e rugas.

A privação do sono, por sua vez, faz o corpo estimular a produção do hormônio do estresse, conhecido pelo nome de cortisol. Com o aumento do estresse, o corpo eleva o nível de inflamação. Doses altas de cortisol levam ao forte desejo por carboidratos – que danificam a saúde da pele, quebrando as reservas de colágeno.

Em média, adultos devem dormir por cerca de 7 a 8 horas por dia. Não só. O sono reparador é aquele que nos faz acordar descansados e com energia. Para isso, a pessoa tem de adormecer em até 30 minutos depois de se deitar e acordar no máximo uma vez ao longo da noite.

2. Restos de maquiagem

Especialistas chamam a atenção para a importância de se retirar a maquiagem corretamente com o uso de demaquilantes para não danificar a pele. Foto: André Mello / O Globo
Especialistas chamam a atenção para a importância de se retirar a maquiagem corretamente com o uso de demaquilantes para não danificar a pele. Foto: André Mello / O Globo

A cena é conhecida, depois de um dia exaustivo você pensa: “Hoje vou dormir maquiada, amanhã compenso cuidando bem da pele”. Errado. Usar maquiagem todos os dias não faz mal. O que prejudica é não a retirar corretamente antes de se deitar. Hábito que tem de ser repetido diariamente. Os resíduos das substâncias impedem a pele de absorver os nutrientes necessários, irrita e resseca a camada mais superficial, a epiderme.

Os especialistas ressaltam que o ideal é a limpeza ser feita com um produto específico (demaquilantes), e não com receitas caseiras. Além disso, os pincéis com produtos cremosos, como bases, devem ser limpos pelo menos uma vez por semana para não acumularem gorduras, fungos e bactérias. Com produtos secos, o tempo pode ser maior, de quinze em quinze dias. O uso do pincel sujo pode causar acne e dermatite (inflamação). A limpeza pode ser feita com xampu infantil.

3. Consumo de açúcar e álcool

Estudos alertam para a relação direta entre hábitos alimentares considerados negativos e o envelhecimento da precoce da pele. Foto: André Mello / O Globo
Estudos alertam para a relação direta entre hábitos alimentares considerados negativos e o envelhecimento da precoce da pele. Foto: André Mello / O Globo

Novos estudos alertam para a relação direta entre a alimentação e o envelhecimento precoce. Isso porque, assim como todo órgão, a pele precisa de nutrientes específicos e pode ser prejudicada pelo excesso de substâncias ruins.

Um dos maiores vilões é o açúcar. Ele acelera a perda do colágeno, a proteína responsável pela firmeza e elasticidade da pele. Assim, a ingestão em excesso pode não apenas acarretar o aparecimento de rugas e no aumento da flacidez, como afetar a capacidade de proteção do órgão. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o recomendado é que o consumo seja de no máximo 10% das calorias ingeridas em um dia. Para um adulto, isso quer dizer uma média de 50 gramas de açúcar por dia, considerando uma dieta de cerca de 2000 calorias diárias.

Deve-se evitar também o consumo exagerado de bebidas alcoólicas. O álcool tem efeito inflamatório, o que rapidamente é percebido na pele: vermelhidão, fissuras e inchaço. Além disso, ele torna a reidratação mais difícil, deixando a pele seca e escamosa – as marcas ficam mais visíveis com a falta umidade. A OMS recomenda não exceder duas doses por dia para os homens. Mulheres, uma. E que se abstenham de beber pelo menos dois dias por semana.

4. Banhos quentes

Banhos quentes podem ser ainda piores para pessoas sensíveis ao calor ou com doenças que afetam a pele. Foto: André Mello / O Globo
Banhos quentes podem ser ainda piores para pessoas sensíveis ao calor ou com doenças que afetam a pele. Foto: André Mello / O Globo

Tomar banho com a água excessivamente quente é um hábito que prejudica todos os tipos de pele, da mais seca à mais oleosa. E quanto mais quente ela for, pior. Egon Daxbacher, da Sociedade Brasileira de Dermatologia, ressalta que, quando o paciente é sensível ao calor e tem doenças que afetam a pele, como rosácea (condição que provoca vermelhidão e inchaço) ou dermatite atópica (irritação) o dano pode ser ainda maior. A água fria também ajuda a diminuir os dois problemas.

Baixas temperaturas ativam a circulação sanguínea, o que dá um viço natural à pele. Não é preciso tomar banho gelado. A água morna consegue remover a oleosidade da pele sem excessos e limpá-la sem agredir a barreira cutânea. A boa temperatura é a que for semelhante à corporal. Pode-se testar na pele do pulso. Se estiver agradável e não deixar a mão muito quente, está boa.

5. Cigarro

Uma das piores práticas para a saúde da pele é o tabagismo. Fumar pode fazer a pessoa envelhecer até duas vezes mais que um não-fumante. Foto: André Mello / O Globo
Uma das piores práticas para a saúde da pele é o tabagismo. Fumar pode fazer a pessoa envelhecer até duas vezes mais que um não-fumante. Foto: André Mello / O Globo

O tabagismo não poderia ficar fora desta lista. Ele se configura como o pior hábito de todos.

— O cigarro, se ficarmos restritos à relação com o envelhecimento, aumenta a quebra do colágeno levando à formação extremamente precoce de rugas e flacidez — explica Maria Cláudia Tírico, dermatologista pelo Hospital das Clínicas de São Paulo.

Ele provoca o chamado “dano oxidativo”, quando há uma produção maior de radicais livres. É esse mecanismo que inibe a produção de colágeno, a proteína importante para hidratar e dar elasticidade à pele.

O movimento repetitivo feito pela boca ao sugar o cigarro também estimula a formação de linhas de expressão ao redor. É um efeito semelhante ao gerado pelo hábito de franzir a testa para enxergar contra o sol.

Fumar impacta negativamente na circulação sanguínea e no transporte de substâncias importantes para órgão. O resultado de tudo isso é impressionante: a pele dos fumantes, geralmente, envelhece 2,57 vezes mais que a de não-fumantes.

6. Não hidratar

Deixar de hidratar a pele pode levar tanto ao seu ressecamento, como ao excesso de oleosidade. Ambos são prejudiciais. Foto: André Mello / O Globo
Deixar de hidratar a pele pode levar tanto ao seu ressecamento, como ao excesso de oleosidade. Ambos são prejudiciais. Foto: André Mello / O Globo

Há uma máxima que diz o seguinte: se tiver de escolher um só produto de beleza para a pele, que seja o hidratante.

— O ressecamento deflagra os sinais do envelhecimento precocemente — diz a dermatologista pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Ana Paula Fucci. A hidratação reduz a perda natural de colágeno e reduz os danos causados pela poluição. Os produtos enriquecidos com vitaminas C e E têm efeito ainda maior.

O hábito é para todo tipo de pele, incluindo as mais oleosas. Quando a pele está muito seca, o corpo pode produzir mais gordura para repor a hidratação natural, deixando a pele ainda mais oleosa. A diferença estará no tipo de produto usado. Alguns hidratantes contêm princípios ativos que controlam a produção de sebo, como o ácido glicólico.

7. Não conhecer o tipo de pele

Não conhecer o seu tipo de pele pode levar ao uso de produtos que não apenas deixam de cumprir o seu papel, como podem danificar a pele. Foto: André Mello / O Globo
Não conhecer o seu tipo de pele pode levar ao uso de produtos que não apenas deixam de cumprir o seu papel, como podem danificar a pele. Foto: André Mello / O Globo

Nem toda substância deve ser aplicada em qualquer tipo de pele, e isso serve não só para questões estéticas, como de saúde.

Um produto para a pele oleosa, por exemplo, aplicado numa pele seca pode ressecar ainda mais a superfície e levar até a um processo de descamação. O dermatologista Daxbacher explica que o ideal é o paciente recorrer a um profissional para descobrir quais são os compostos certos para o seu corpo.

O mesmo vale para a higiene, quase unanimidade no que se refere a um grande benefício para a pele. Não é verdade. A depender do tipo, o processo feito em excesso remove camadas de proteção, levando ao ressecamento – e, consequentemente, ao aparecimento precoce das marcas.

Há o efeito contrário. Em muitos casos, quando a pele é lavada mais de duas vezes ao dia, as glândulas sebáceas são estimuladas a produzir mais óleo para compensar.

(O Globo)