Por Marcelo Damasceno – Repórter de Petrolina PE.

Marcelo Damasceno

A linguagem que o brasileiro compreende está na feira livre, nas oficinas mecânicas e borracharias, nas barbearia, no salão de beleza, nos botecos, nas filas do INSS, dos bancos, nas lotéricas, nas praças d táxi, nas novenas e missas, nos cultos evangélicos, nas associações de moradores, no futebol, dentro dos ônibus, no metrô, nas praças de táxi e mototáxi. Vai escutar o assunto. Um almoço barulhento num mercado público. Nas suas angústias e alegrias fugazes. Na necessidade e numa ilusória comemoração por qualquer coisa. A linguagem por circunstâncias históricas é fácil, curta, sem adornos filosóficos, sem enciclopédias, sem poesia. O brasileiro em sua demografia é vítima de seus feudais, seus líderes, seus congressistas, suas cortes de justiça, seu status quo.

Esse “linguajar” é o segredo de Jair Bolsonaro e de Lula. Qualquer outra retórica, é perda de tempo de reuniões enfadonhas de intelectuais complexos e demorados em seus pedestais de merda. Pousudos, exclusivistas, elitistas. Assista algum fórum de esquerdistas, experimenta passar meia hora entre ricos aboletados em seus patrimônios, falando em investimentos ao capricho deles. O papo é lucro e redução de direitos empregatícios.

Vai num congresso partidário, tudo é longo, cansativo, surreal. O brasileiro não curte livro nem leitura, com justas exceções. Brasileiro gosta de bobagens comezinhas, de novela, de jogo do bicho, de rinha de galo e  vaqueijada. Maioria gosta de tevê aberta, de jornal policialesco, de fofoca. O brasileiro adora ter um superior pra admirar, gosta de ter um rei, uma rainha, sua cultura de vida-lata lhe mantém horas e horas à procura de ídolos, construindo loucamente, fã-clubes. Não adianta “forçar barra” com estratégias sociológicas ou de mecanismos de marketing, exercícios da auto-ajuda. Por razões antropológicas, pela formação étnica, pelos desajustes da ordem regional, pelas desigualdades históricas, pela distribuição ” escrita de renda”, pela dominação quase e ainda escravocrata, pela dependência economicamente do empreguinho, do favor em compadrios desconcertantes, o brasileiro médio, o pardo, o pobre, vive essa realidade aos seus olhos. Fácil de ser manipulado, ser levado na conversa.

Numa plataforma virtual, nas redes ditas sociais, observe, no Facebook e Instagram, qual escova pro seu ego, o brasileiro curte, gasta horas, se expõe. O pobre seguindo o rico por mera subserviência e inexplicável idolatria por celebridades que ficam milionários em um flash da vida. O  brasileiro é assim como seu político de estimação, imediatista, chegado ao improviso. Tem coragem de trair, de mudar seu reduto eleitoral, de enganar. O brasileiro adora ser “gado”, desde o império. Foi gado de Getúlio Vargas, de Juscelino Kubitschek, do regime militar, de Lula, de Bolsonaro. O diagnóstico está na mesa. Está na manifestação e fervor do arrombado ao gritar e obedecer tudo de seu dirigente político.  O brasileiro vira um ridículo, larga seu interesse próprio, seus direitos de trabalho, sua zona de conforto previdenciário, seus parentes de raça e cor oprimidos, pra defender o opressor cegamente. Vira componente químico do ódio que se fórmula nos laboratórios mercantilistas.

#marcelodamascenoemdia

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