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Morreu o padre defensor da cannabis medicinal

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Por Irineu Tamanini*

Defensor da legalização da cannabis para uso medicinal, morreu, na primeira noite de 2021, o padre Antonio Luiz Marchioni, conhecido dos fieis como padre Ticão, da Paróquia de São Francisco de Assis, do setor Ermelino Matarazzo, na Zona Leste de São Paulo, onde liderou as lutas populares por décadas. Ele morreu aos 68 anos devido a problemas cardíacos.

Durante 42 anos, Padre Ticão foi sacerdote. Nos últimos três anos, dedicou-se a defender temas vinculados à saúde popular e à construção de alternativas à medicina tradicional – ele era um crítico impiedoso da indústria farmacêutica. Em recente entrevista, defendeu a necessidade do cuidado pessoal com a saúde: “seja médico de você mesmo”. Destacou a importância de “uma medicina preventiva, educativa, holística e integrativa”. A morte do sacerdote recoloca um tema de grande relevância: quem cuida dos cuidadores e cuidadoras?

Defensora do uso da cannabis medicinal para pacientes diagnosticados pelos médicos, a advogada Daniela Tamanini –  pós-graduada em Direito Penal e Atenção Integral em Álcool e outras drogas pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), com atenção em saúde pública e privada –recebeu com enorme tristeza a notícia do falecimento do padre Ticão. “Ele foi um padre à frente de seu tempo. Alguém que abriu as portas da Igreja para a comunidade acadêmica e científica, se despiu de preconceitos, levando a todos os fieis a discussão do uso medicinal da cannabis. Foi perseguido, difamado, mas não esmoreceu. Sua luta não será em vão. Descanse em paz, Padre!”, afirmou a advogada.

*Jornalista