Nesta dia 14 de agosto, às 7h, um grupo de mulheres sairá do Pavilhão do Parque da Cidade, em Brasília, para marchar em direção à Esplanada dos Ministérios, um centro de decisões chave para o País. Segundo estimativas, elas serão mais de 100 mil. O horário não assusta: para mulheres rurais, da floresta e das águas, o nascer do sol é rotina em seus trabalhos, que se concentram em setores da agricultura familiar e da agroecologia.

A Marcha das Margaridas é a maior ação de mulheres da América Latina e entrará em sua sexta edição a partir desta terça-feira 13, em que será feita uma sessão solene na Câmara dos Deputados para trazer a temática das camponesas. Outras atividades estratégicas devem tomar corpo ao longo do dia, mas é apenas no dia 14 que elas colocarão nas ruas as vozes, os corpos e os chapéus de palha pelas demandas. Por acontecer a cada quatro anos, a Marcha pode escapar do calendário tradicional de atos – como o 8 de março, outra data importante para o movimento das mulheres -, mas contará com o suporte e a presença de indígenas, quilombolas e mulheres urbanas.

Mulheres sindicalistas de Petrolina presentes na Marcha das Margaridas.

A coordenadora nacional da Marcha, Maria José Morais, explica que o movimento foi criado em homenagem a Maria Margarida Alves, sindicalista assassinada em 1983 por enfrentar barões do açúcar em Alagoas. Entre as principais pautas que unem as trabalhadoras rurais, a coordenadora destaca uma “luta de classes” pela manutenção de direitos, como a aposentadoria.

“Por mais que nós não fomos atingidos diretamente [pela reforma aprovada na Câmara, que teve a alteração da aposentadoria rural vetada], têm outras categorizas com as quais a gente se solidariza”, explica Morais, que também é Secretária de Mulheres da Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura). Nascida em Batalha, município piauiense localizado a 165 km de Teresina, Maria José é ligada desde os 16 anos à causa sindical. “Trabalhava com a juventude em programas que garantissem a permanência no campo, que ficassem não por obrigação, mas por se sentirem à vontade porque teriam educação, saúde, esporte, cultura e lazer”, explica.

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