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Marca trágica de 200 mil mortes por Covid chega com óbitos em alta e mutação no vírus

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A grande diferença entre a Europa e o território brasileiro, no entanto, é a falta de coordenação entre regiões.

Marca trágica de 200 mil mortes por Covid chega com óbitos em alta e mutação no vírus

SÃO CARLOS, SP (FOLHAPRESS) – O Brasil levou cerca de cinco meses para passar de 100 mil mortes para 200 mil mortes causadas pela Covid-19, mesmo intervalo que transcorreu entre os óbitos iniciais ocasionados pela doença e as primeiras 100 mil vítimas brasileiras.

Apesar dessa aparente simetria, porém, há indícios de que os dois momentos ocorrem em contextos opostos.

“Com 100 mil óbitos, a gente estava no começo da queda de mortes. Houve um longo platô [estabilização] e depois essa diminuição da gravidade da pandemia, uma flexibilização e a sensação errônea de que a coisa estava no final, de que estava melhorando”, diz o cientista de dados Isaac Schrarstzhaupt, coordenador da Rede Análise Covid-19.

“Com 200 mil, vemos uma ascensão da doença. Considerando que a notificação está bem atrasada, com uma espécie de represamento por causa da sobrecarga dos hospitais e das festas de fim de ano, infelizmente teremos um estouro”, afirma.

Em parte, o país pode ter caído nessa armadilha por causa de aspectos contraintuitivos da dinâmica da doença; por outro lado, a falta de coordenação no combate à pandemia em nível nacional também deve ter contribuído para o problema.

Ambos os pontos podem ser ilustrados pela comparação entre o Brasil e a Europa, destaca Schrarstzhaupt. No continente europeu, após o controle inicial da transmissão com os lockdowns do primeiro semestre de 2020, a reversão de tendência – ou seja, o momento em que o número de casos diários voltou a crescer – se deu já no começo de julho.

No entanto, como existe um atraso considerável entre esse momento de virada e o crescimento descontrolado de novos casos, assim como o que existe entre novos casos e mais internações e entre internações e aumento de óbitos, a Europa só colocou em prática ações seriamente restritivas, como novos lockdowns, a partir do fim de outubro de 2020. Não há nenhuma razão para acreditar que o processo não esteja se repetindo no Brasil.

A grande diferença entre a Europa e o território brasileiro, no entanto, é a falta de coordenação entre regiões. “Por lá, ou abria tudo ou fechava tudo, com diferenças pequenas, na escala de uma semana, entre os países”, explica o pesquisador.

“Aqui, por outro lado, houve um momento em que a gente parecia estar num platô eterno, sem mudanças. Mas, quando a gente olhava para os diferentes estados, percebia que a situação de cada um podia ser muito diferente da dos outros, por causa da grande variação de medidas de fechamento ou flexibilização. Por isso a gente nunca conseguiu uma redução de casos e óbitos tão grande quanto a do verão europeu.”

Com a grande heterogeneidade entre estados e regiões brasileiras, a ilusão de que certos locais tinham sido relativamente poupados pela pandemia ainda parecia ficar de pé quando a marca de 100 mil vítimas foi atingida.