Juazeiro recebeu consternada a notícia do falecimento do empresário, homem público e cidadão Flávio Luiz, acometido por essa terrível doença que assola o mundo, a Covid-19.

Flávio Luiz foi um amigo de longa data. Estivemos juntos em todas as etapas de nossas vidas. E é por isso que a notícia de seu falecimento nos traz um turbilhão de sentimentos. Por um lado, a tristeza profunda por sua partida precoce e por saber que não dividiremos mais as conversas e sonhos da idade madura. Por outro, fica o alento possibilitado pelas lembranças alegres que nos remetem aos anos dourados de nossa infância e juventude.

A amizade aproximou as nossas famílias. Foram anos de convivência com a querida dona Socorro, o senhor Flávio e toda a sua família, da minha parte. E ele, com dona Léa, o senhor Shefik, e toda a minha família.

Conhecemos Flávio Luiz no curso primário, na Escola Estadual Padre Anchieta, com a professora Lourdes Duarte, nossa querida mestra. Nossa turma ainda contava com Joseph, e outros tantos amigos que seguiram presentes em nossas vidas.

Flávio Luiz e eu continuamos juntos no curso ginasial, no Colégio Dom Bosco, em Petrolina. No curso colegial, nos distanciamos pela primeira vez, quando ele foi estudar no Colégio Marista, em Salvador, eu no Instituto Adventista de Ensino, em São Paulo.

Mas, anos depois, iríamos voltar a nos encontrar, já no curso de Engenharia Civil da Escola Politécnica da Ufba, em Salvador.

Nesse período, juntos e com mais Joseph, Paganini e tantos outros colegas conterrâneos, criamos a Associação dos Universitários de Juazeiro – AUJ.

A prefeitura aceitou a nossa proposta e alugou uma casa na Rua Banco dos Ingleses, em Salvador, para abrigar os universitários de Juazeiro que precisassem de ajuda. A AUJ realizou os principais eventos da época na cidade: a Gincana Automobilística, o Festival da Canção e uma série de eventos culturais. Durante as férias, os universitários prestavam serviços às comunidades carentes, em parceria com a prefeitura.

Novamente juntos, Flávio Luiz, Paganini e eu, resolvemos criar um veículo de comunicação. Fizemos um concurso para a escolha do nome. Após a seleção, o nosso jornal foi batizado de RIVALE – Renovação e Integração do Vale.

Foram tantas vivências, experiências e momentos marcantes que poderíamos escrever um livro para relatar o valor da nossa amizade. Somos de uma geração que se permitiu sonhar e enxergar os mesmos horizontes. Ao longo da nossa trajetória, trilhamos caminhos, juntos ou separados, mas sem nunca nos perdermos de vista, afinal, sempre tivemos o foco de servir bem a nossa terra natal, a nossa Juazeiro.

Flávio Luiz ainda teria muito para contribuir. Sei que ainda seria possível vê-lo concretizar inúmeros projetos que ele guardava para o desenvolvimento da cidade.

Mas, pela vontade do nosso Pai maior, a sua missão entre nós foi concluída. Temos certeza que sua fé cristã, através da doutrina espírita, o preparou para esse momento de passagem para que continue sua trajetória de luz em outro plano.

Aos familiares e amigos, a dor se ameniza ao perceber esse rico legado de inúmeros exemplos que ele deixa conosco. Esse legado é eterno e sabemos que manterá viva para sempre a memória de nosso querido Flávio Luiz entre todos nós.

Daqui, continuaremos perseguindo os seus sonhos, os seus ideais, os seus projetos, com a mesma energia que esbanjamos, lado a lado, ao longo dessa vida.

Descanse em paz, meu amigo, Flávio Luiz, e obrigado por esses anos de presença iluminada.

Jorge Khoury

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