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General Santos Cruz: ‘Confio na instituição da qual fiz parte por 45 anos que não vai se meter numa idiotice dessa’

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Ex-ministro da Secretaria de Governo na gestão Bolsonaro, Santos Cruz afirmou ao podcast 2 +1 que está seguro da independência das Forças Armadas

General Santos Cruz — Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O general Carlos Alberto dos Santos Cruz, ex-ministro da Secretaria de Governo no início do mandato de Jair Bolsonaro, admitiu uma exploração política das Forças Armadas, mas rechaçou o poder do ministro sobre os comandantes. Ele analisou os atos de 7 de setembro, quando Jair Bolsonaro usurpou a data em comemoração do Bicentenário da Independência em benefício de campanha eleitoral, no podcast 2+1, apresentado por Vera Magalhães e Carlos Andreazza.

Na ocasião, Bolsonaro discursou em palanques em Brasília, na Esplanada dos Ministérios, e no Rio de Janeiro, na Praia de Copacabana. No Rio, em fala para apoiadores, o presidente esteve ao lado do ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira, e afirmou: ‘traremos para as quatro linhas quem ousar ficar fora delas’.

‘Ontem o que se viu foi mais uma tentativa de usar as Forças Armadas, mas eu não considero que essa tentativa tenha sido tão bem sucedida. (…) O ministro da Defesa estar no palanque não significa que o Exército, Marinha e Aeronáutica estão lá. Não estão! (…) Ele não tem nenhuma autoridade sobre decisões das Forças Armadas. (…) Eu confio na instituição da qual fiz parte por 45 anos que não vai se meter em uma idiotice dessa’, declarou Santos Cruz. Cruz ainda questionou a viabilidade de um possível golpe, mesmo com as ofensivas de Bolsonaro.

‘Arriscar a instituição para fazer um golpe em benefício de um determinado político é uma irracionalidade total. Não tem cabimento achar que as Forças Armadas vão se comprometer por causa de uma única pessoa’, afirmou. O ex-ministro definiu o bolsonarismo como populista e fanático. Para ele, Bolsonaro conseguiu desgastar ainda mais a imagem das instituições.

‘O Judiciário está desgastado há muito tempo. O Congresso não existe. Depois que o Congresso começou, no ano passado, a receber R$ 20 bilhões por ano para fazer o que quiser… (…) O prejuízo institucional a gente está tendo em todas as instituições, não é só nas Forças Armadas. Todas as instituições estão sendo danificadas em benefício da figura populista’, destacou.

Santos Cruz defendeu as urnas eletrônicas. ‘Eu voto em urna eletrônica desde 1996. Nunca tive a sensação que estava votando em uma pessoa e que meu voto estava sendo roubado. Inclusive, meu voto no Bolsonaro na última eleição acho que foi para ele, não foi roubado’, disse.

Ele ainda refletiu sobre o princípio de atuação de Bolsonaro contra as eleições, de atacar a credibilidade das urnas. O general aponta que a estratégia é pintar um “diabo” para se colocar como “salvador da pátria”. Ele ainda condenou a mistura de religião com política, promovida pelo presidente Jair Bolsonaro.

‘O que estão fazendo é atacar a credibilidade. Então, você fanatiza o ataque à credibilidade e não existe justificativa. Quem ganhar vai levar. Quem ganhar tem de levar. Seja Bolsonaro, seja Lula. Não tem como‘, questionou. (O Globo)

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