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Filho de Benito Di Paula, Rodrigo Vellozo lança ‘Não Canto em Vão’

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O artista afirma que começou a gravar o disco três meses após a morte do irmão

Filho de Benito Di Paula, Rodrigo Vellozo lança 'Não Canto em Vão'

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – “O Mestre-Sala da Minha Saudade”, quarto álbum do cantor, compositor, pianista e ator Rodrigo Vellozo, 39, é uma homenagem póstuma ao irmão caçula, o cineasta André Vellozo, que morreu, aos 36 anos, em 2019. Neste álbum, totalmente autoral e lançado em agosto de 2020, ele tenta se livrar da dor da perda cantando para sobreviver ao momento que descreve como “o mais difícil da sua vida”.

O artista afirma que começou a gravar o disco três meses após a morte do irmão. Hoje, quando ouve as músicas, percebe a “voz doída”. Ele diz que a gravação do disco foi rápida, muito difícil e um processo de “expurgar o sofrimento”.

Vellozo conta que até hoje o pai, o cantor Benito Di Paula, 79, tem dificuldade de falar da perda precoce do filho. “Agora estou lidando com a dor, a saudade e a falta cotidiana. O primeiro ano é o choque da situação, com a dor é claro, mas o choque é tão grande. Tive o impulso de fazer o disco, uma necessidade”, afirma.

Em uma live, realizada em setembro do ano passado, Vellozo fez uma homenagem ao irmão. Antes de iniciar o show virtual, ele ressaltou a importância de a sociedade se conscientizar sobre o suicídio para prevenir e pediu contribuições para o CVV (Centro de Valorização da Vida), que atua no apoio emocional e na prevenção ao suicídio.

Rodrigo Vellozo está lançando “O Mestre-Sala da Minha Saudade” em vinil, que conta com a participação especial de Xande de Pilares e Alice Coutinho, e o clipe da décima faixa do álbum, “Não Canto em Vão”, em parceria com o músico César Lacerda. Diz que a canção aborda seu universo pessoal e reflete a realidade do mundo da qual as pessoas tentam entender em meio à pandemia.

“São questões que surgiram para mim quando o meu universo pessoal foi abalado com a morte do meu irmão, mas agora entrelaçadas à realidade do mundo, já que precisamos entender: ‘Quem somos nós frente a essas máquinas que nos ajudam a atravessar esse tempo todo de não convívio?'”, se pergunta.

Composto por 12 canções, o álbum traz Benito Di Paula cantando, pela primeira vez, música composta pelo filho, “Lágrimas no meu Sorriso”. O clipe começa com uma imagem de Vellozo criança ao lado do pai ao piano e, depois, os bastidores da gravação da música em estúdio. Com direção musical de Romulo Fróes, Xande de Pilares participa de “O Samba que Esqueceu” e Alice Coutinho em “Hiato”.

Vellozo diz que pediu a Fróes um disco de samba e recebeu como resposta que não teria percussão. Para contornar a ausência, o cantor afirma que contou com a ajuda de Rodrigo Campos, estudioso do estilo musical que auxiliou a criar um “samba mais experimental, dissolvido e misturado a outras referências”. “O samba está ali em um disco sem percussão, é muito louco, mas é um disco de samba, eu considero.”

O samba está presente na vida do artista desde as escolas de samba da cidade de Friburgo (RJ), onde o pai nasceu, de frequentar locais da turma do samba, com presença de Cartola, Nelson Cavaquinho, Jovelina e o próprio Benito Di Paula. “A influência do meu pai não está apenas na música que ele canta, está em outras canções. Para mim, é mais que um disco artístico. Tem um significado mais profundo.”

FAMÍLIA MUSICAL

Terceira geração de músicos, Rodrigo Vellozo cresceu em um ambiente musical com pai, tios e avô multi-instrumentistas. As reuniões de família tinham todo um ritual no qual era determinado quem podia tocar e cantar. “Eles eram os meus heróis, eles estavam na minha frente cantando, eu queria cantar e o meu pai me botava para cantar. Foi uma coisa realmente, muito, muito natural”, diz.

Filho mais velho de Benito Di Paula, ele sempre foi muito grudado no pai e costumava acompanhá-lo nos programas de TV quando criança. Após a separação dos pais e a mudança de Benito para São Paulo, Vellozo vinha todas as férias para a casa do pai. “Eu me lembro que [as minhas] férias se resumiam a música, sala, meu pai tocando, eu tocando e a gente compondo juntos”, diz o músico, que nunca teve uma composição sua gravada pelo pai que é muito exigente.

Apesar de ter estreado na música aos quatro anos, ao lado do pai na gravação da “Oração de São Francisco de Assis” para a Campanha da Fraternidade de 1986, a carreira musical de Rodrigo Vellozo começou aos 22 anos. Ele gravou o disco “Samba de Câmara” (2009), que mistura piano com samba.

Até de se dedicar 100% à música, Vellozo enveredou para engenharia eletrônica, mas logo desistiu e decidiu estudar piano erudito pelo Conservatório Brasileiro de Música e, depois, virou bolsista na Berklee School of Music, em Boston, nos Estados Unidos. De volta ao Brasil, fez curso para ator e integrou o elenco das peças teatrais “Tipos” e “Aldeia dos Ventos”, ambas de autoria de Oswaldo Montenegro.

Em 2013, o cantor revisitou a carreira musical do pai com o álbum “Como é Bonito Benito”, com participações de Diogo Nogueira e Xande de Pilares. Cinco anos depois, ele lançou “Cada Lugar em sua Coisa”, gravado ao piano em estúdio e com o irmão, André Vellozo, responsável pela criação dos clipes.

Quase um ano e meio após a morte do irmão, Vellozo diz que agora está na expectativa para chegada da primeira filha. Mulher do músico, Carol Bellezi está grávida de quatro meses. Será a primeira neta de Benito Di Paula que, segundo o cantor, “ficou um pouco assustado quando soube que seria avô”.

Pai de três rapazes, Di Paula não teria acreditado que seria avô de uma menina nem mesmo quando o casal cortou o pedaço do bolo revelação do sexo do bebê. “Esses dias ele perguntou se está confirmado mesmo uma menina”, diz Vellozo, aos risos.