A chuva que tão bem faz ao Sertão chegou em excesso onde não deveria no primeiro semestre de 2020. Segundo a Associação dos Produtores e Exportadores de Hortigranjeiros e Derivados do Vale do São Francisco (Valexport), esse foi o principal motivo para desbancar em 21,37% as exportações de manga e em 5,79% as exportações de uva.

Com mais chuva, a qualidade do produto caiu, comprometendo o alcance das exigências do mercado externo. Ao todo, o semestre representou uma perda na casa dos R$ 100 milhões, e a expectativa agora é pela estabilização da disseminação do novo coronavírus ao longo do segundo semestre, para que não haja maiores problemas no período de safra.

No primeiro semestre de 2019, as exportações de manga alcançaram 59.443 toneladas. Já nos primeiros seis meses deste ano deixaram de ser enviadas ao exterior 12.700 toneladas de manga.

“Nesse primeiro semestre sofremos bastante com a chuva. Houve um acúmulo muito grande, o que não é o normal. Temos chuva no primeiro semestre, mas foi um ano, até então, bem atípico. Com isso, as frutas não atingiram a qualidade ideal exigida pelo importador. Deixamos de exportar a maior parte da fruta devido ao fator climático”, diz o gerente comercial da Valexport, Tássio Lustoza.

No caso das uvas, deixaram de ser exportadas 636 toneladas. No primeiro semestre de 2019, 10.991 toneladas foram enviadas a outros países.

Mesmo com a pandemia da covid-19, o mercado europeu (principal importador do Vale) continuou demandando mercadoria, como não conseguiu atender a demanda, a produção foi redirecionada para o mercado interno, o que comprometeu a receita. As perdas foram de R$ 94 milhões com a manga e R$ 15 milhões com a uva.

No Vale, notou-se uma normalidade dos pedidos, mesmo com as restrições impostas pelo vírus em todo o mundo. Houve fechamento de restaurantes e empresas, mas as pessoas continuaram demandando o consumo de frutas.

Como o problema se concentrou na oferta, a expectativa da Valexport é de que a curva de contágio siga caindo e leve consigo a possibilidade de uma nova onda durante o período de safra. No ano passado, o Vale foi responsável pela produção de 190 mil toneladas de manga e 47 mil toneladas de uva. Para manter esses números, é fundamental a “normalidade” da produção nos próximos meses.

“Quando a gente fala que reduziu 25% não representa tanto no fechamento do ano, porque 70% do volume de exportação está no segundo semestre. Percebemos que a covid teve sua parcela (de contribuição nos resultados), mas não tão drástica. O maior problema nesse sentido foi que o transporte aéreo parou 100%, mas ele representa 7% do volume exportado ao ano, o que é pouco expressivo”, aponta o gerente comercial.(JC NE)

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