A Incredulidade dos Crentes - Igrejas no Brasil

Artigo de Edimar José da Silveira*

Mais um dia, e perplexo assisto um grupelho, reunido com o único proposito para zurrar ou guinchar das criaturas, ali presentes, travestidos de homens públicos. Não vi ali, naquele vídeo, nenhuma propagação de sons de entes humanos, e de cuja oratório, ressoasse o pensamento utilitário do querer trabalhar em prol dos seus semelhantes, função que se apropriaram sob a perspectiva de que, todo seus esforços estariam voltados ao beneficio de sua gente.

A opereta burlesca, retratou fielmente uma figura extraída dos contos árabes e levada a cena por artistas do mundo todo. Aquele “ali Baba” burlesco, em nada se compara ao conto original. Era a representação máxima de uma mistura cruel e diluída de qualquer honraria, cujo ator principal vociferava impropérios e ameças, a todos os que se colocassem contra as suas vontades.

Não, não posso compará-lo a nenhum outro deus  das tragedias, retratados na mitologia greco-romana, não por ser tupiniquim, mais por não possuir qualquer censo de honraria ou virtude. Aquele ser ali presidindo, aquele conclave de nanicos incultos, não passava de um abjeto indivíduo, buscando eco nas mentes poluídas que a eles se identificam, não os que pensam, uma vez que indivíduos como esses, não tem massa encefálica capaz de pensar.  Loucos do passado se apropriaram de ideias virtuosas, e em nome delas, torturaram e mataram acreditando num ideal. Foram sim, predadores, mas acreditavam nas suas toscas ideias. O que vimos, ali, foi a figura mais do que perversa de alguém que representa a verdadeira expressão do mal.

Por outro lado, zurrando estridentemente alimentou o complexo, das criaturas presentes, sem escrúpulos e sem qualificação. Um mulato que diz odiar seus irmãos nativos, por serem diferentes e desprotegidos, arvorando-se ao direito de se dizer expoente máximo da educação, neste pais. Uma fêmea, carregada de ódio e preconceitos, fundados em seus preceitos chiitas, proferindo ameaças contra os que segundo ela, laboram seus ideias em beneficio das gentes, para as quais prometeram trabalhar.

Nesta sexta-feira fatídica, foi para mim o pior fim de tarde noite, deste ano de 2020. Fatídico porque fui obrigado a assistir perplexo o zurrado de um bando animalizado, cuja preocupação não era buscar a satisfação de suas necessidades orgânicas, mas o de exaltar-se como propagadores da violência que com certeza se voltará contra eles próprios. Foi assim no Estado alemã com Adolf Hitler, “promovendo o tema: Honra, trabalho e respeito” e é assim no zurrar dos novos falatrões, “Deus, Pátria, Família e Trabalho”.

Creio, meus amigos, que nós estamos vivendo impavidamente, o tempo do império da palavra. Não importando se essa expresse a verdade ou fortaleça a mentira. De parte a parte todos a usam com uma liberdade extravagantemente intimista, como se representasse um comportamento pautado na ética e na moral. Para um cidadão comum, cujo conhecimento filológica é rudimentar, e desprovido de qualquer conhecimento sistêmico de uma estrutura linguística, aquelas palavras, nada significam, a não ser a distância que se estabelece entre o discurso político e o discurso que simboliza uma luta pelo interesse público em defesa do que representa a assunção em um cargo de representação popular, cujo maior interesse esta pautado no principio do bem servir.

Não podemos esquecer a chuva de palavras chulas defendendo ou acusando, os atores políticos, de participarem de uma camarilha de indivíduos cujo maior interesse e trabalho é articular-se para lutarem ferrenhamente pelos seus obscuros interesses, esquecendo-se totalmente dos interesses daqueles que os elegeram para, no parlamento, e ou no executivo, serem a ponte integrativa das reivindicações de seu povo. Armou-se um picadeiro na sede do executivo brasileiro, para que os saltimbancos trapalhões, gritassem para que ouvíssemos, os seus brados, de falsa ética e falsa moral.

Ao final do espetáculo, grotesco, cuja pirotecnia não recebeu aplausos da multidão, até porque esta não se fazia presente, no que apenas era acompanhada de uma claque burlesca, desejosa de justificativa para seus comportamentos bizarros e imorais. Aliás, Moral e Ética, segundo o grande pensador católico, Thomaz de Aquino, “ética e moral, não se adquiri, não se herda, nasce com você. Ou você tem ou não tem”.

Deu-me náuseas assistir tão hediondo espetáculo, um bando, a navegar em mar revolto, buscando sempre o porto mais perto, para salvar-se, ou para obtenção dos lucros, que saciarão, sua ambiciosa fome financeira, ou pra servir, as aves de rapina, que lhe acompanham em sua triste trajetória.

Admira-me, os que, tão ciosa e fervorosamente, defendem homens cujo passado obscuro, e lodoso, poucos se atrevem a revelar, por medo ou por cumplicidade. Homens que querem parecer sérios, honestos, livres, e comprometidos com as suas origens, esquecem-se desse pequeno pormenor e repetem sempre a linguagem colonialista, que os dominadores, tanto se utilizam para diminuir as qualidades, e os valores culturais das gentes.

“Somos todos iguais, somos todos brasileiros” chiava o capitão do mato, travestido de ministro da educação. Acrescente-se, desde que não sejam, negros, índios e ou amarelos e pardos. Muitas vezes, esses homens chegam a manifestar seu ódio interior, pessoal, esbravejando contra os seus mais que perfeitos heróis. Atribuindo a estes o rótulo de bandidismo e vagabundos, desconhecendo o contexto histórico criativo que forjou aqueles que eles atribuem a pecha de bandidos. Entristece-me ouvir o relinchar sonoro de alguns nordestinos, atribuindo a pecha de bandido, aos atores coadjuvantes na fratricida luta de classes acontecida logo  após a proclamação da republica, entre Senhores  latifundiários e o povo oprimido e escravizado. O capital e a escravidão.

Eu e minha incredulidade. Será que algum dia chegaremos a edificar uma nova civilização nesse novo Brasil.

*Edimar Silveira é Jornalista e Professor de Ciência Politica em Petrolina-PE

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