Missa de despedida do Padre Malan no último dia 30 de Junho, ele celebrando o evento na Paróquia São Paulo em Petrolina

O Padre  Antônio Malan de Carvalho solicitou afastamento da Diocese de Petrolina para passar uma temporada na Espanha, onde vai estudar e cumprir missão religiosa. Por conta de sua saída, a Paroquia de São Paulo onde o Padre é o seu titular, promoveu um evento de despedida, no último dia 30 de junho,  bastante prestigiado em grande noite, onde os fiéis foram lhe prestar grandes homenagens.

O Padre Malan tem 35 anos como sacerdote e  23 anos que atua na Paroquia de São Paulo, localizada no Bairro da Areia Branca. Ele concedeu ao Blog, uma entrevista, abordando a sua decisão de passar uma temporada na Espanha e falou de alguns outros assuntos relacionados à sua vida pastoral, logo depois da missa de despedida, realizada no último dia 30 de junho.

Blog Vinicius –  Porque o Padre Malan está deixando a Paróquia de São Paulo para cumprir missão na Espanha?

Padre Malan –  Pois é, veja bem, logo que Dom Francisco chegou aqui na Diocese de Petrolina, todo mundo sabe que eu tinha muitas atribuições, muito trabalho, muitas tarefas e eu estava realmente muito cansado e precisando de um tempo de descanso. É comum dentro da Igreja o Padre depois de sete anos consecutivos de trabalho fazer um ano de pausa, tirar um ano de descanso para atividades mais leves, isso não deixa de ser Padre e nem se desliga da Diocese. Ai, eu pedi a Dom Francisco quando ele chegou, que gostaria de passar um tempo fora para fazer um curso, uma especialização, um trabalho mais leve, que eu pudesse então renovar as forças e as energias e ele inicialmente, claro, concordou, disse, que se era para meu bem, estaria de acordo, mas sempre insistindo que a Diocese precisa de Padres.  Nós somos poucos Padres e ele reconhece isso, mas mesmo assim, ele foi favorável. De modo que eu estou indo para a Espanha, servir a arquidiocese de Valencia. Eles lá, oferecem cursos para Padres, cursos de especialização e juntamente com o curso que é tudo gratuito, que tem o formato de bolsa de estudos, eles oferecem também uma paroquia e em contra partida o Padre atua nessa paróquia, ajudando e participando de atividades religiosas. Claro que não vai ter aquela sobre carga que a gente tem aqui de trabalho, de administração e eu vou cumprir com as obrigações religiosas, com celebrações, de animação, de uma comunidade de fé.
Fieis compareceram em massa para a missa do Padre Malan

Blog Vinicius –Qual é o tempo que o Padre Malan vai passar na Espanha?

Padre Malan – Pois é, a proposta é de dois anos. Dois anos para a conclusão do curso de especialização. Agora se eu me adaptar bem e espero que isso ocorra, são dois anos com possibilidade de vir aqui a Petrolina fazer visitas.  Tem um período de férias, normalmente no mês de agosto, que é o mês de férias lá na Europa, de modo que eu vou começar as atividades lá só em setembro, mas eles orientaram que eu fosse antes porque tem uma seria de providencias a serem encaminhadas e tenho que estar pronto inclusive em relação a idioma, porque eu vou para um país da língua espanhola.

Blog Vinicius de Santana – Do ponto de vista espiritual, colocando toda a sua história em Petrolina, como petrolinense e que ainda leva o nome de Antônio Malan, primeiro Bispo da cidade, como é esse afastamento, está preparado do ponto de vista espiritual para a missão?

Padre Malan – Preparado a gente nunca está né? Dá sempre um aperto muito grande no coração, mas a bem da verdade,  não é a primeira vez que faço isso, já aqui mesmo na Paróquia São Paulo eu me ausentei no ano de 2011, mês de agosto, quando exatamente a diocese estava vacante, naquele primeiro período depois da saída de Dom Paulo Cardoso, que eu vinha também em um acumulo de atividades muito grande e ai, primeiramente me desliguei do seminário, mas permaneci com a paróquia, logo a seguir,  pedi a Dom Paulo o afastamento, ele nomeou outro Padre para cá e eu fui passar um tempo na Alemanha, passei cinco meses na Alemanha em uma missão portuguesa. Mas, aí foi o tempo que Dom Manoel chegou na Diocese e começou a entrar em contato comigo e insistiu que eu voltasse, que eu retornasse a diocese, que tinha a necessidade de Padres e com a minha experiência, afinal de contas são muitos anos somados ai no ministério e eu me afastei desse período. Mais eu sair sabendo que era por um tempo breve, curto. Eu ia substituir o Padre Antônio, que estava nessa missão lá na Alemanha, mas ele teve que retornar ao Brasil, ai eu fui substitui-lo nessa missão, já sabia que era por um período curto. Agora não o período é longo, são dois anos.

Padre Malan ao lado de paroquianos e convidados, assiste as homenagens prestadas a ele

Blog Vinicius de Santana – A manifestação popular de seus paroquianos na sua despedida foi muito forte. O seu afastamento por um longo período deve machucar o coração, como é isso?

Padre Malan – Claro que é muito difícil, mas ai vem o aspecto humano, que nós somos pessoas humanas e sentimos tudo isso.  Porem ai entra o elemento mais espiritual, mais do trabalho da igreja, da missão, que nós fomos formados desde o início para isso, nós somos assim uma espécie de itinerantes, não temos morada fixa, nós iremos em constante saída, então a gente foi formado nessa linha, mesmo que ninguém é dono de uma Igreja, de uma paroquia, de uma capela, de uma missão.  A gente ajuda, contribui e depois Deus pode chamar a gente para outro lugar. Nós sempre entendemos o que é um chamado de Deus e as decisões importantes que tomamos na vida. Ai, eu entendo que a saída para a Alemanha, se não fosse a vontade de Deus, alguma coisa aconteceria para que não desse certo. Mas, se as coisas estão se encaminhando é porque Deus aprova, que eu faça essa experiência e até um exercício de renúncia, de  abnegação que a gente deve fazer, porque humanamente falando, repito,  a gente tende a se prender as coisas a se tornar, como se diz na linguagem comum, a ter ciúmes, esse apego exagerado as coisas, então eu clareio e olho para essa Igreja e foi um sonho acalentado durante muitos anos, ela hoje estar mais ou menos como a gente gostaria que  ela estivesse, não está concluída, mas esta bonita, eu sei  e a comunidade sabe, como nós encontramos o templo físico aqui, agora mais bonito do que a Igreja, o templo é a Igreja viva, são as pessoas, são os grupos e é claro, quando eu vejo os acólitos, a turma jovem ou a juventude missionária, ou os casais que recentemente chegaram na Igreja, dá aquela  vontade humanamente falando, de não soltar, de não passar para outro, de continuar, porque é um bem, afinal de contas é uma conquista,  é um sucesso de um trabalho. Mas ai é que vem o exercício, que a gente deve fazer como Padre, de abrir mão, de renunciar mesmo, de não se apegar e ter simplesmente uma só família, que é o mundo inteiro.

BlogVinicius de Santana – Não existe nenhum tipo de mágoa recente do Padre Malan para estar deixando a Diocese nesse período de missão fora do país?

Padre Malan – Não. Não, absolutamente. De jeito nenhum. Isso iria acontecer com certeza logo que eu estivesse mais liberado de algumas atividades, que eu tinha a obrigação de assumir na época, até uma questão de ser petrolinense, de ter os anos que eu tenho de sacerdote, de ministério, de estar aqui na cidade há muito tempo, de ter trabalhado no seminário que é um setor importante da diocese, tudo isso acarretava uma serie de responsabilidades quem eu tive evidentemente de corresponder. Passados isso, chegou o Bispo, então entregamos a diocese evidentemente. Eu fui administrador diocesano, então literalmente entregamos a diocese e ai eu me sentir com a possibilidade do direito de poder fazer esse momento de afastamento que eu não estou me desligando da diocese, eu continuo sendo  Padre da Diocese de Petrolina e vou com o consentimento e do aval do Bispo  diocesano, se ele não fosse de acordo eu não poderia  ir e evidentemente  eu devo obediência ao Bispo, como Padre diocesano, enfim não há nenhum sentimento desse tipo, eu estou indo de livre vontade e estou indo buscar uma coisa que vai ser boa pra mim, uma situação nova que é um trabalho lá na Europa.  Para nós que conhecemos isso, a vida da Igreja em algumas situações é muito diferente do trabalho da Igreja de um Padre lá na Europa, daqui no Brasil. De modo que saindo daqui para a Europa, lá é como se fosse férias, um tipo de férias prolongadas.

Paroquianos prestam homenagens ao Padre Malan

Blog Vinicius de Santana – Depois desse tempo de dedicação a Diocese e a sua missão pastoral, o que é Petrolina para o Padre Malan

Padre Malan – Sou petrolinense e tenho orgulho e muita satisfação disso, eu me formei aqui e as referências mais importante da minha vida estão aqui. Eu sou bairrista, muito. Quando estou fora, sinto muita saudade daqui de Petrolina e quero todo bem de Petrolina, evidentemente.  Tanto na dimensão da sociedade civil, como na dimensão da Igreja, desejo tudo de melhor para a diocese, para a cidade de Petrolina, para o povo de Petrolina que eu amo verdadeiramente e não poderia ser diferente, de modo que Petrolina é fundamental na minha vida. É essencial.

Blog Vinicius de Santana – Foram muitas emoções em sua missa de despedida na paróquia São Paulo, a sua paroquia. Qual a mensagem que você deixa para a sua gente, como Padre, como o cidadão que tem toda atenção com o seus paroquianos, que sabe orientar, que sabe receber, que chora junto com as pessoas, etc. Qual a mensagem que o Padre deixa para a sua gente, até a seu retorno.

Padre Malan- A mensagem que eu deixo na verdade é o que eu recebi da própria paroquia. Que continuem fazendo esse caminho, essa experiência de vida cristã, de fervor, de confiança em Deus, de alegria por manifestar e celebrar a fé e que isso possibilite que a comunidade acolha o Padre que vier trabalhar aqui, com a mesma generosidade e carinho com a qual eu fui acolhido, fui recebido. Sabendo que o Padre, ele tem muito a dar, a ensinar para a comunidade. Mas, ele também recebe muito e precisa receber e aprender muito com a comunidade. Assim é que eu me sinto e assim que eu gostaria que a comunidade ajudasse o novo Padre que vier a se sentir bem também. A mensagem que eu deixo é essa de perseverança, de continuidade, de mais fervor ainda na missão e se eu puder realmente contribuir em alguma coisa né, para fortalecer a grande fé dessa comunidade, é claro que essa comunidade vai permanecer unida, vai continuar trabalhando fervorosa, como de fato é uma igreja muito viva. A paroquia São Paulo, sempre foi reconhecida como uma paroquia de pessoas muito envolvidas e comprometidas com a vida da Igreja. Que continue assim. Sendo uma referência boa, um bom testemunho na vida da diocese. De uma paroquia de pessoas que se amam, de pessoas que se querem bem, que se ajudam mutualmente e que estão sempre prontas, sempre dispostas para abraçarem toda a missão que Deus lhe confiar. Por isso quero esse amor e essa generosidade para o Padre que vier trabalhar aqui, nessa paroquia.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui