Setembro é o mês mundial de prevenção ao suicídio, chamado também de Setembro Amarelo. O assunto que já foi um tabu muito maior, ainda enfrenta grandes dificuldades na identificação de sinais, oferta e busca por ajuda, justamente pelos preconceitos e falta de informação. Segundo dados, 42 brasileiros se suicidam por dia no país, taxa superior às mortes causadas por câncer e AIDS. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, nove em cada dez casos poderiam ser prevenidos.

Angústia, tristeza, estresse. A depressão causada pela morte de um ente querido ou o cansaço de um dia inteiro de trabalho, e outras infinitos casos. A solidão ao chegar em um apartamento vazio, onde a única companhia, é a voz que ressoa da televisão, e ou a solidão entre a multidão. A perda do emprego, uma inevitável discussão com o chefe ou a conta bancária no vermelho. Qualquer sinal de desespero pode ser minimizado com um telefonema ao Centro de Valorização da Vida (CVV).

Além de setembro, outubro e novembro, e a chegada do final do ano, um momento de festa, alegria e confraternizações, sempre cresce a cada dia a procura pelos serviços do Centro de Valorização da Vida (CVV) evidenciando a importância dos voluntários.

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Isto acontece devido a sensação de solidão, desemparo e angústia que estão entre os sentimentos vividos por uma parcela da população durante esse período. Estes são os principais dados da procura por apoio junto ao Centro de Valorização da Vida (CVV). As ligações aumentam em torno de 20% nesta época.

Em Petrolina a média diária de chamadas é de 56. O número sempre aumenta. Este ano as ligações já atingiram 1666 chamadas mês. Isto já representa mais de 50% do ano passado (2018). As ligações já atingiram 2.136 mês.

Detalhe: Juazeiro, Bahia não possui posto de atendimento para chamadas do CVV que auxilia na prevenção do suicídio.

No Brasil as ligações passaram a ser gratuitas através de um acordo de cooperação técnica com o Ministério da Saúde, assinado em 2017, o que permitiu o acesso gratuito ao serviço, prestado pelo telefone 188. Antes, o usuário pagava o preço de uma ligação local para conseguir ajuda de um dos atendentes.

O Centro de Valorização da Vida (CVV) é uma associação filantrópica que oferece apoio emocional para qualquer cidadão, de forma sigilosa e gratuita. O CVV no Brasil foi fundado em 1962 e presta serviço voluntário de apoio emocional e prevenção ao suicídio. Os interessados em integrar a equipe de voluntários devem ter mais de 18 anos e participar de um curso preparatório.

Por meio do número 188, pessoas que sofrem de ansiedade, depressão ou que correm risco de cometer suicídio conversam com voluntários da instituição.

Em Petrolina, o CVV completa este ano 15 anos. Uma das fundadoras a Policial Rodoviário, hoje aposentada Lucimar Freitas revela que sentiu no ano de 2004 a necessidade de implantar o CVV em Petrolina em tempos de dificuldades e pouca tecnologia. “Trabalho árduo e totalmente voluntário”. Lucimar lembrar que a média de chamadas sempre foi alta e havia ligações “com fichas telefônicas”.

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“Lembro que você ouve os desabafos, tristes ou alegres, mas na maioria das vezes, você nota um pouco da solidão que essas pessoas passam, mesmo estando próximas de outras pessoas”, explica Lucimar.

Nestes 15 anos dezenas de voluntários atuam na prevenção ao suicídio. O primeiro curso aconteceu no Centro de Convenções de Petrolina. O posto começou atendendo 24hs e também presencial. Houve época de ter mais de 100 voluntários.

“O Natal e o ano-novo sempre foi o período em que o Centro de Valorização da Vida (CVV) recebe mais chamadas com pedidos de ajuda. Neste mês também é grande o número de ligações e certamente os voluntários acolhem com apoio emocional e compreensão. As histórias de atendimento terminam, quase sempre, com um desfecho de superação”, diz Lucimar ressaltando que apesar de ser fundadora do CVV em Petrolina, já não atua diretamente, pois desenvolve outras prestações de serviço comunitário na região, através da ONG AMIVIDA.

Durante os atendimentos, a premissa básica é o respeito ao próximo, com base nos ensinamentos do psicólogo norte-americano Carl Rogers: a abordagem é centrada na pessoa, acreditando que as melhores soluções para os problemas pessoais estão no interior de cada um.

O sigilo profissional o impede de descrever os casos ouvidos. Com exclusividade a reportagem do Blog Geraldo José  fez contato com a assistente Social, Célia. Ela conta que a missão dos voluntariados  é de escuta atenciosa, sem reprovação e preconceito. “É demonstrar para a pessoa que nos liga  que ela pode falar de sua dor, mágoas, intenções suicidas e que com o fato de desabafar ela pode chegar a entender que todo o sofrimento é revertido”.

Célia revela ainda que o seu sentimento de voluntária é de gratidão. “Quando atendo e escuto um cidadão, ser humano em desespero profundo e com o decorrer do tempo a pessoa já consegue sorrir e diz que fui um anjo naquele momento de desabafo. É muito gratificante”, conclui.(Blog de Geraldo Jose)

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