Por Lucas Noia*

Cinco anos nos separam daquele 13 de agosto que muitos pernambucanos não tiram da memória. Eduardo Henrique Accioly Campos nos deixou, mas o tempo – compositor de destinos, se encarregou de colocar seu nome no rol dos grandes líderes populares.

A concepção de “grande líder popular” agregava, em um mesmo entendimento, todos os aliados e opositores de Campos. As opiniões assertivas e os posicionamentos republicanos do ex-governador eram um convite ao bom senso e ao equilíbrio. Meticuloso e articulador de mão-cheia, Eduardo ocupava o patamar de estadista. O ex-ministro possuía todas as credenciais necessárias para desbravar novos horizontes políticos, como já vinha se desenhando nos cenários de outrora.

“Dudu”, carinhosamente chamado por muitos admiradores, inaugurou uma nova agenda na administração de Pernambuco. Workaholic, coordenava mesas diuturnas para se apropriar das situações particulares de cada setor estratégico do estado, propondo soluções rápidas, exequíveis e duradouras. Sua capacidade de liderança gerou um modelo de como deve se tratar a máquina pública: com zelo, respeito, e uma dosagem sobrepujante de empatia, para ter o humanismo de ser compassivo com a dor alheia e, na mesma medida, ter a justa condição de se regozijar com a alegria dos seus semelhantes.

Devemos convir que na classe política há figuras boas e maus, e ainda, dentre elas, existem as ressalvas, que perpassam todas as nossas expectativas. O ex-governador era a adorável exceção. Foi o legítimo aprendiz do “doutor Arraes”, a quem sempre se referia com grande paixão. Campos conhecia cada palmo de Pernambuco, e se tornou um profundo perito das carências e necessidades do seu povo.

Como semente, o legado e as ideias de Eduardo Campos foram plantadas e brotaram como verdes campos. Verdes, em um tom tão penetrante quanto a cor dos seus olhos. Seus vastos ensinamentos deixados são um guia para a prática de uma nova política. Nestes tempos de crise que atravessamos, Eduardo não estaria acomodado. Detentor de algum mandato eletivo ou não, conduziria um bom diálogo e agregaria as melhores discussões em favor do nosso país.

Para nosso desconsolo e descontentamento, os bons partem primeiro. Campos não teve tempo de concluir sua brilhante carreira. A grande página estava prestes a ser escrita, mas, por um infortúnio, foi interrompida. Entretanto, acredito que a figura de Eduardo continua a inspirar todos àqueles que têm sede de uma sociedade mais justa, democrática e solidária. E essa fonte de inspiração não tem validade. É para sempre.

*Acadêmico em Ciências Sociais pela Universidade Federal Rural de Pernambuco

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui