O relatório anual da Unidade de Pronto Atendimento e Atenção Especializada de Petrolina (UPAE/IMIP) apontou que, em 2019, 63,82% dos atendimentos foram da classificação de risco verde (pouco urgente) e 16,26% azul (não urgente). Ou seja, de casos que deveriam ser atendidos, preferencialmente, nas unidades de atenção básica (verdes) e que não deveriam ser atendidos na UPA (azuis), por se tratarem de demandas sociais. Apenas 18,13% corresponderam a atendimentos de urgência e emergência.

“Isso reflete algumas questões, como por exemplo, a falta de conhecimento da população acerca do perfil dos serviços de saúde disponíveis nos municípios e na rede, e o senso comum com relação à perspectiva de alta resolutividade da nossa Unidade. Somos a UPA que mais atende em Pernambuco, e muitas vezes ficamos superlotados de pacientes que não possuem o nosso perfil de atendimento. Nesse aspecto, seria importante reforçar a necessidade das pessoas se informarem melhor sobre a rede de assistência à saúde para que tenham seus atendimentos garantidos nas portas de entrada corretas, visando assim a melhoria dos fluxos e até a rapidez nos atendimentos”, analisa a coordenadora geral Grazziela Franklin.

Falando em resolutividade, os números apontam outra realidade. “Fechamos 2019 com uma taxa de resolutividade de 96,94% em oposição a uma taxa de remoção de 3,06%. Isso significa dizer que resolvermos praticamente todos os casos que chegaram à Unidade e que as regulações/transferências para os serviços hospitalares de referência foram muito poucas, mais precisamente 738”, constata.

Para quem não conhece ou não entende muito bem o perfil da UPA 24 de Petrolina, vale ressaltar que o Pronto Atendimento corresponde ao serviço de atenção intermediária à saúde, ficando entre a atenção básica e a rede hospitalar. Em tese, os pacientes, deveriam ficar apenas 24h no serviço, sendo então encaminhados à rede de alta complexidade, quando necessário. Em caso de melhora dentro das 24h o paciente recebe alta e é encaminhado ao acompanhamento ambulatorial, também quando necessário.

Mas, essa realidade é bem diferente na prática. “Muitos pacientes acabam ficando por dias na unidade, pois os hospitais geralmente estão lotados e não liberam vaga. Em 2019 foram 1.981 usuários que passaram mais de 24h no serviço, gerando muitas vezes inquietação nas famílias durante essa espera. Inclusive, a gente compreende a angústia dos acompanhantes e familiares em situações como essa, mas infelizmente nós não temos gerência sobre as vagas”, ressalta Grazziela.

Nesse contexto, é importante deixar claro que o processo de regulação é de gestão exclusiva da Central de Regulação Interestadual de Leitos (CRIL) e que cabe a UPA de Petrolina apenas o papel de estabilizar o paciente, prestar o primeiro atendimento e incluí-lo no sistema de regulação, solicitando diariamente a sua vaga. “E nós não medimos esforços para que isso seja feito no menor tempo possível”, garante a coordenadora, que está no serviço desde a sua inauguração.

Mesmo com toda essa alta demanda e superlotação do serviço em alguns momentos (devido às questões relacionadas acima), o Pronto Atendimento fechou o ano com uma avaliação muito positiva. 70% dos pacientes consideraram o atendimento recebido como bom/excelente.

“Essa pesquisa de satisfação é feita internamente com os usuários e nos dá um panorama geral do serviço. Então, ficamos bem felizes, já que realizamos um trabalho sério e comprometido, que tem sido reconhecido ao longo desses 6 anos pela população”, acrescenta a coordenadora.

Mais números

Ainda falando sobre a UPA 24h, outros números valem a pena ser apresentados, como o total de atendimentos gerais da Unidade no ano passado. Foram 112.938, sendo 95.715 atendimentos médicos, 5.241 atendimentos odontológicos e 11.982 atendimentos do serviço social.

Com relação aos procedimentos, foram contabilizados 597.240, divididos entre exames radiológicos, ambulatoriais, nebulização, ECG, medicação, sutura e curativo.

UPAE Especialidades

Já na UPAE Especialidades foram registradas 93.243 consultas ambulatoriais, 14.101 consultas com uma equipe multiprofissional, 16.154 sessões de reabilitação, 8.147 cirurgias e 170.943 exames.

“Tivemos um aumento de 24,01% no número de consultas executadas e de 22,29% de cirurgias com relação ao ano passado. Em dois anos somamos um aumento de mais de 40% com relação às consultas e isso é muito positivo, em especial para a população, que passou a ter mais acesso às especialidades médicas”, comemora.

E tem que comemorar mesmo, já que o aumento aconteceu sem uma repactuação ou ajuste nos valores de contrato. “O que aconteceu foi que, muito atentos às nossas demandas, resolvemos aumentar a oferta das especialidades mais procuradas, gerindo melhor a nossa fila. O nosso processo de gestão é muito dinâmico e nós buscamos oferecer à população o que ela realmente precisa”, justifica.

Por sinal, as especialidades mais procuradas tem sido as de cardiologia, endocrinologia, oftalmologia, dermatologia e gastrenterologia.

Outro dado importante é o da perda primária (quando a vaga é disponibilizada pela UPAE e a consulta não é marcada) que fechou em 18,62% e do absenteísmo (quando o paciente falta) que fechou em 16,87%.

“Significa, que apesar de todo o nosso esforço, alguns pacientes ainda estão perdendo a oportunidade, ou na marcação pelos municípios ou por faltarem à consulta, tirando assim a vaga de outras pessoas. Temos feito um trabalho forte de conscientização com relação a isso, mas os números ainda são altos. Então, continuaremos atentos e realizando campanhas educativas, inclusive junto aos sete municípios da VIII Regional de Saúde que utiliza os serviços da UPAE”, finaliza a coordenadora.(Ascom)

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