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7 de setembro: Bolsonaro aposta forte no teste das ruas

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Presidente confia nos protestos do Sete de Setembro para manter as investidas contra o Judiciário e ganhar fôlego político até 2022. Enquanto os mais céticos avaliam que os problemas do governo vão continuar, aliados acreditam em hora da virada

Bolsonaro interage com apoiadores em frente ao Planalto, na véspera das manifestações de 7 de Setembro: em busca do respaldo popular -  (crédito: Marcos Correa/PR)

Bolsonaro interage com apoiadores em frente ao Planalto, na véspera das manifestações de 7 de Setembro: em busca do respaldo popular – (crédito: Marcos Correa/PR)

As manifestações convocadas para hoje em favor do governo são um teste decisivo para o futuro do presidente Jair Bolsonaro. Com a popularidade em baixa, refém do Centrão no Congresso Nacional e pressionado pelo fraco desempenho da economia, o capitão reformado tentará mostrar que tem respaldo popular para manter as críticas ao Judiciário e defender o que bolsonaristas entendem por liberdade de expressão. Na véspera do Sete de Setembro, os partidários do presidente anteciparam o apoio ao chefe, a ponto de a Polícia Militar do Distrito Federal liberar a circulação dos manifestantes na noite de ontem.

As manifestações ocorrem no momento em que vários fatores têm empurrado para baixo os índices de aprovação do presidente. Além do seu comportamento errático no comando do país, contribuem para isso os altos índices de desemprego, a escalada inflacionária e o fracasso da resposta do governo federal à pandemia da covid-19. São mazelas que ameaçam diretamente o projeto de reeleição de Bolsonaro e favorecem adversários, como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apontado pelas pesquisas como favorito para a disputa presidencial do ano que vem. Nesse contexto, os protestos belicosos de hoje são uma oportunidade para o chefe do Executivo tentar manter, pelo menos, o apoio dos eleitores mais fiéis.

A principal dúvida no meio político é sobre se Bolsonaro sairá mais forte ou fraco politicamente do 7 de setembro. Nos atos de que participará na Esplanada dos Ministérios e na Avenida Paulista, o presidente deve repetir a frase “Eu só posso fazer alguma coisa se vocês assim o desejarem”, dita nas últimas semanas para insuflar apoiadores contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Pelo menos até agora, entretanto, as duas Cortes não deram qualquer sinal de que se sentem intimidadas com as investidas do chefe de governo, que as acusa de violar o direito à liberdade de expressão. O ministro Alexandre de Moraes, do STF, por exemplo, continua a decretar a prisão de bolsonaristas que propagam discursos de ódio nas redes sociais. Já o também ministro do Supremo Luís Roberto Barroso, atual presidente do TSE, se mantém firme na defesa do processo eleitoral e na rejeição ao voto impresso, defendido por Bolsonaro.

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